É certo de fé que infiéis não se salvam por mais que invencível e inculpavelmente ignorem que Cristo é o Redentor
É certo de fé que infiéis não se salvam por mais que invencível e inculpavelmente ignorem que Cristo é o Redentor“Essa sentença é expressamente contrária a Suárez, De fide, disp. 12, sect. 4, e ao Eminentíssimo Lugo, De fide, disp. 12, n. 104, os quais ensinam que pode ser salvo o catecúmeno que crê com fé explícita que há um só Deus, doador dos dons sobrenaturais, mesmo que morra antes de ter sido de modo algum instruído sobre Cristo, ou antes de saber que Cristo é o Redentor. Prova-se, em primeiro lugar, porque é certo de fé [quia certum de fide est] que os judeus e os maometanos, por mais invencivelmente e inculpavelmente que ignorem que Cristo é o Redentor, não se salvam — como se lê no capítulo Firmiter, De summa Trinitate e na última sessão do Concílio de Florença, no Decreto da União [N. do T.: Bula Cantate Domino], e como é evidente pelo senso comum de todos os fiéis. Mas, se a sentença de Suárez fosse verdadeira, de que crer que Cristo é o Redentor não seria meio necessário para a salvação [medium necessarium ad salutem], seguir-se-ia que muitos maometanos se salvariam. Provo a consequência: segundo Suárez, o catecúmeno, pelo simples fato de ser instruído que há um só Deus remunerador, mesmo ignorando Cristo, logo receberia o hábito infuso sobrenatural da fé, e assim poderia ser elevado por Deus à contrição sobrenatural de seus pecados, e então, morrendo nesse estado, salvaria-se. Mas [se assim o fosse, N. do T.] o mesmo se pode dizer do maometano: pois este, invencivelmente ignora que Cristo é o Redentor (pois tanto faz ignorar totalmente quanto negar invencivelmente), e crê que há um só Deus remunerador; logo, também este maometano receberá o hábito infuso da fé, e poderá ser elevado ao ato de contrição, e assim se salvará” (Padre Ângelo Maria Verricelli, Quaestiones morales, 1656, quaest. IV, sect. VI)