A piedade sem a substância dogmática se torna inconsistente
A piedade sem a substância dogmática se torna inconsistente“A piedade, tendo-se esvaziada da sua substância dogmática, torna-se inconsistente. O vocabulário revela este enfraquecimento da densidade dogmática. Perífrases que querem ser elegantes e pudicas, revelam essa secularização ou naturalização, se é que se pode dizer, da moral cristã. [...] ‘Desgraça’, dizia Bossuet, ‘desgraça do conhecimento que não se volta para amar’. Diremos nós: desgraça do amor que não se volta para conhecer. Um aumento do conhecimento divino deve levar-nos a um acréscimo do amor divino. O amor de Deus não deve, pois, aguçar nosso apetite dogmático? O grande mal que espreita nossa Missa quotidiana é a rotina: repetir as mesmas palavras, repetir os mesmos gestos, manter intacta a mesma fidelidade mecânica às mesmas rubricas, e assim fazer descer em nosso automatismo um rito que só tem valor se permanece um ato espiritual e livre, que perigo! Este perigo, todos nós o corremos, e todos temos o dever de conjurá-lo. Como? Agnoscite quod agitis (Conheça o que é feito).” (Monsenhor Mathieu, Bispo de Aire, no prefácio do livro do Cônego Joseph Lahitton, Sanctum Sacrificium, 1934, pg. 12-13)