Novena de Pentecostes: 6° dia – O amor é uma virtude que fortifica
Novena de Pentecostes: 6° dia – O amor é uma virtude que fortificaExtraído do livro Meditações para todos os dias e festas do ano tiradas das obras ascéticas de Santo Afonso Maria de Ligório, Bispo e Doutor da Igreja, pelo Padre Thiago Maria Cristini, edição de 1921, tomo II: Desde o Domingo da Páscoa até a Undécima Semana depois de Pentecostes inclusive1
Fortis est ut mors dilectio – “O amor é forte como a morte” (Ct. 8, 6)
Sumário. Quanto se trata de agradar ao objeto amado, o amor vence tudo; não há dificuldade que resista ao amor; porque, aquele que ama, não sente o sofrimento, ou se o sente, o ama. O sinal, pois, mais certo para conhecer se uma pessoa ama deveras a Deus é a sua fidelidade na adversidade como na prosperidade. Dizemos que amamos a Deus, mas até agora que fizemos por Ele? Como suportamos as cruzes que nos manda para nosso bem?
I. Assim como não há força criada que resista à morte, assim não há dificuldade que não ceda ao ardor de uma alma amante. Quando se trata de agradar ao objeto amado, o amor vence tudo, perdas, desprezos, dores. Nada é bastante duro para resistir ao fogo do amor, diz Santo Agostinho: Nihil tam durum, quod non amoris igne vincatur. O sinal mais certo, pois, para conhecer se uma pessoa ama deveras a Deus, é a sua fidelidade em amar na adversidade como na prosperidade.
Dizia São Francisco de Sales que Deus é tão amável quando nos aflige, como quando nos consola, porque faz tudo por amor, e até, quando mais nos aflige nesta vida é que nos testemunha mais o seu amor. São João Crisóstomo julgava São Paulo mais feliz nos ferros que arrebatado ao terceiro céu.
Também os santos mártires se regozijavam no meio dos tormentos e agradeciam ao Senhor como grande favor que lhes dispensava o terem de sofrer por seu amor. E os outros santos, que não acharam tiranos para os atormentar, tornaram-se carrascos de si mesmos pelas penitências com que se castigaram, a fim de se fazerem agradáveis a Deus. Aquele que ama, diz Santo Agostinho, não sente o sofrimento, ou se o sente, o ama: In eo quod amatur, aut non laboratur, aut ipse labor amatur.
II. Ó Deus de minha alma, digo que vos amo; mas que faço por vosso amor? Nada. É então um sinal de que não Vos amo, ou Vos amo muito pouco. Meu Jesus, enviai-me o Espírito Santo, que me venha dar a força de sofrer e fazer alguma coisa por vosso amor antes de minha morte. Ah! Meu amado Redentor, não permitais que eu morra neste estado de frieza e ingratidão em que eu tenho vivido até hoje. Concedei-me a graça de amar os sofrimentos, depois de tantos pecados que me tornaram digno do inferno.
Ó meu Deus, todo bondade e todo amor, desejais habitar em minha alma onde tantas vezes Vos expulsei; vinde, estabelecei nela vossa morada, dominai nela e fazei-a toda vossa. Amo-Vos, ó meu Senhor, e já que Vos amo, comigo estais, como São João m´o afirma: Qui manet in caritate, in Deo manet, et Deus in eo 2 – “Aquele que mora no amor, mora em Deus e Deus nele”. Se, pois, estais comigo, aumentai em mim as chamas de vosso amor, fortificai as cadeias que me prendem a Vós, a fim de que eu não suspire senão por Vós, não busque e não ame senão a vós, e assim unido convosco, não me separe jamais do vosso amor. Ó meu Jesus, quero ser vosso, todo vosso. – Ó minha Advogada e Rainha, Maria, alcançai-me o santo amor e a perseverança.
Notas
- PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/santo-afonso-maria-de-ligorio-meditacoes-tomo-ii-desde-o-domingo-da-pascoa-ate-a ↩
- 1 Jo. 4, 16 ↩