Novena de Pentecostes: 5° dia – O amor é um repouso que restaura as forças
Novena de Pentecostes: 5° dia – O amor é um repouso que restaura as forçasExtraído do livro Meditações para todos os dias e festas do ano tiradas das obras ascéticas de Santo Afonso Maria de Ligório, Bispo e Doutor da Igreja, pelo Padre Thiago Maria Cristini, edição de 1921, tomo II: Desde o Domingo da Páscoa até a Undécima Semana depois de Pentecostes inclusive1
In pace in idipsum dormiam et requiescam – “Em paz dormirei nele mesmo e repousarei” (Sl. 4, 9)
Sumário. O efeito principal do amor é unir a vontade da pessoa que ama, à do objeto amado, tanto na prosperidade como na adversidade. Para uma alma que ama a Deus, consolar-se nas humilhações, dores e perdas que sofre, basta saber que o Senhor quer vê-la suportar tal pena. Dizendo somente: Assim o quer meu Deus, acharemos a paz e o contentamento no meio das tribulações e sob o peso da cruz.
I. O amor se chama: In labore requies, in fletu solatium – “Alívio nas penas, consolação nas lágrimas”. O amor é um repouso que recreia, porque o ofício principal do amor é unir a vontade da pessoa que ama, à do objeto amado. Para consolar-se de todas as humilhações que recebe, dores que sofre, perdas que padece, uma alma que ama a Deus, só precisa conhecer a vontade de seu amado que deseja vê-la suportar tal pena.
Dizendo somente: Assim o quer meu Deus, ela acha paz e contentamento no meio de todas as tribulações. Esta é a paz divina que transcende todos os prazeres dos sentidos: Pax Dei, quae exsuperat omnem sensum 2. Santa Maria Madalena de Pazzi sentia-se inundada de alegria só com o pronunciar das palavras: vontade de Deus.
Nesta vida cada um deve levar sua cruz; mas, diz Santa Teresa: A cruz é dura para quem a arrasta, não, porém, para aquele que a abraça. Assim é que o Senhor sabe ao mesmo tempo ferir e curar, segundo a expressão de Jó: Vulnerat et medetur 3. Por sua doce unção, o Espírito Santo torna suave e amável até os opróbrios e tormentos. – Ita, Pater, quoniam sic fuit placitum ante te 4 – “Sim, meu Pai, assim seja, pois é vossa vontade”. Assim orou Jesus Cristo e nós também devemos repetir estas palavras do Salvador todas as vezes que a adversidade nos visitar: Sim meu Pai, assim seja, porque é vossa vontade. Quando trememos sob ameaça de alguma desgraça temporal, repitamos sempre: “Fazei, ó meu Deus: aceito desde já tudo que fizerdes. Protesto que quero viver onde Vós quiserdes, sofrer tudo o que quiserdes e morrer quando quiserdes”. É também utilíssimo oferecer-se muitas vezes a Deus no decurso do dia, como o fazia Santa Teresa.
II. Ah! meu Deus, quantas vezes, para fazer a minha própria vontade, contrariei a vossa e cheguei a desprezá-la. Disto me aflijo mais que de todos os males. De aqui em diante quero de todo o coração amar-vos e obedecer-vos. Loquere, Domine, quia audit servus tuus 5 – “Falai, Senhor, vosso servo vos escuta”. Dizei o que quereis de mim; quero fazer em tudo a vossa vontade. Este será para sempre o meu único desejo, o meu único amor. Ajudai a minha fraqueza, ó Espírito Santo. Vós sois a mesma bondade; como, portanto, posso amar outra coisa senão a Vós? Conjuro-Vos, atraí para Vós, pela doçura de vosso amor, todos os afetos do meu coração. Renuncio a tudo para me dar a Vós sem reserva.
† “Recebei, Senhor, toda a minha liberdade. Aceitai a minha memória, a minha inteligência e toda a minha vontade. Tudo o que tenho e possuo fostes Vós que me destes; venho restituir-Vol-o e tudo entregar ao vosso beneplácito. Dai-me somente o vosso amor com a vossa graça e bastante rico sou, mais nada Vos peço” 6. – Faço o mesmo pedido a vós, ó Mãe do belo amor, Maria, e espero que m’o obtereis pela vossa poderosa intercessão.