Leitura para o Dia das Missões

Leitura para o Dia das Missões
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Extraído de uma edição de 1935 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1

É HOJE o “Dia das Missões”. Assim o determinou S. S. o Papa Pio XI, e em todo o orbe católico, nesse penúltimo domingo de Outubro, os corações vibram de entusiasmo pelas obras missionárias que lhes são mais detalhadamente expostas pelos sacerdotes em suas pregações, pela Imprensa em seus jornais, pelas Associações Pias em suas assembleias, pelos fiéis mais conhecedores do assunto em suas conversações familiares.

E nós, brasileiros, filhos desta terra abençoada que, por assim dizer, nasceu nos braços dos missionários e a eles deve os seus primeiros passos para a civilização, nós que constituímos um povo cujo coração generoso acolhe todos os nobres ideais, devemos comemorar dignamente e, sobretudo, frutuosamente, esta data tão bela.

É desejo do Pai Comum da Cristandade que tal iniciativa venha despertar o interesse dos católicos pelas Missões, venha tornar-lhes conhecida a gravidade do problema missionário em nosso século, lhes faça compreender que a solução desse magno problema está, em grande parte, nas mãos dos mesmos católicos em geral, e de cada um em particular.

Ó que grande dia será aquele em que todos os católicos compreenderem o seu dever para com as Missões! O seu dever, porquanto trabalhar pela causa missionária não é uma questão de simpatia ou gosto, mas sim um dever que cabe a todos nós cumprir.

É sabido que nem todas as almas são chamadas por Deus a se dedicarem exclusivamente às Missões, mas a falta dessa vocação missionária, propriamente dita, não impede que, todos nós, batizados, filhos da Igreja, tenhamos a obrigação de abraçar os interesses de nossa Mãe a mesma Igreja, os interesses de Deus, os interesses de Jesus Cristo que nasceu, viveu, sofreu e morreu para a salvação das almas.

E que podemos nós fazer pelas Missões? — Muita coisa, é certo. Primeiramente, rezar diariamente para que Deus abençoe os trabalhos de nossos Missionários e multiplique as vocações apostólicas; não é preciso longas e demoradas orações — basta uma palavra de súplica sincera que, partindo de um coração zeloso, vai direto ao coração de Deus…

Em segundo lugar, devemos fornecer aos Missionários os recursos de que necessitam para os seus trabalhos de catequese: ao menos que cada católico tenha seu nome inscrito na Obra de Propagação da Fé, cuja contribuição mensal é acessível a todos.

Assinemos os jornais e revistas que tratam mais especialmente desse assunto. A nossa alma aproveitará grandemente da leitura assídua de escritos missionários que venham alimentar o nosso zelo, afervorar a nossa boa vontade, despertar o nosso entusiasmo.

E a não poucas almas é dada ainda a ocasião belíssima de fazer alguma coisa de grande pelas Missões: é de um casal feliz a quem Deus pede para seu serviço um filho, uma filha, que chama a trabalhar diretamente em sua vinha… Nessas ocasiões, aliás tão frequentes, infelizmente tão pouco aproveitadas, é que podem certas almas se mostrarem generosas, sacrificando livremente a Deus o que Deus lhes pede e conquistando assim o título bem merecido de benfeitores das Missões.

Já é tempo, é mais que tempo, que o interesse dos católicos brasileiros pelas Missões se aviva, que despertem eles desse sono de indiferença em que vivem mergulhados e que abram as portas de seu coração e deem nele abrigo ao ideal missionário.

Uma parcela que seja desse ideal cristão, se apoderando de uma alma, as ideias as mais industriosas e variadas se lhe afluem ao espírito, indicando-lhe os meios diversos pelos quais poderá trabalhar pelas Missões, e maravilhado, esse coração outrora egoísta e indiferente, começará a se dedicar e verá quanto pode fazer por essa causa santa e quão pouco por ela tem feito.

Auxiliemos as Missões! É um suave dever pelo cumprimento do qual nos é prometida celeste recompensa. E as orações que fazemos pelos interesses missionários, não nos esqueçamos nunca de as depositar nas mãos de Maria Santíssima, que, apresentando-as a seu Divino Filho, torná-las-á mais meritórias para nós e mais vantajosas às Missões.

Notas
  1. PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-ii