Instruções para a Quaresma de São Miguel – 14 de agosto a 28 de setembro
Instruções para a Quaresma de São Miguel – 14 de agosto a 28 de setembroTradicionalmente, a Quaresma em honra ao São Miguel começa dia 14 de agosto, na vigília da Festa da Assunção, e acaba com a Novena a São Miguel no dia 28 de setembro, na vigília da Festa de São Miguel.
Acerca desta Quaresma, em que de modo especial se honra o Arcanjo São Miguel durante 40 dias penitenciais, há um engano comum sobre o início dela: se crê que ela começa dia 15 de agosto, na Festa da Assunção. Mas não é o que indicam os livros antigos, como o do Padre Nicola Ricci que seguiremos1, e nem o que indica a matemática: para ser 40 dias penitenciais anteriores à festa de São Miguel, há que dar início a eles no dia 14 de agosto, porque desde tal início até o dia 28 de setembro seriam 46 dias penitenciais corridos, mas nesse intervalo de tempo há 6 domingos em que não se pratica tal Quaresma penitencial, pelo costume de não se penitenciar aos domingos, restando assim 40 dias penitenciais em honra a São Miguel. A causa desse engano acerca de quando começa esta Quaresma pode ter sido a supressão da referência do início dela: a vigília da Festa da Assunção, que, junto com outras vigílias, foi suprimida em 1955.
Antes de reproduzirmos as palavras do Padre Ricci acerca da origem e do espírito da Quaresma de São Miguel, convém expor algumas recomendações para melhor realizá-la ao modo mais tradicional:
- Seguir a mesma penitência eclesiástica do jejum e da abstinência para a Quaresma. Assim recomendamos seguir a prescrição disciplinar do Código de Direito Canônico de 1917, exposta em outro artigo deste site2.
- Adicionar alguma penitência para proveito particular, como, por exemplo, exercitar um bom hábito para combater o vício ou mau hábito dominante, e de preferência sob a orientação de um Confessor.
- Seguir as meditações com outros exercícios espirituais que reproduziremos neste site, baseando-nos na edição italiana do livro do Padre Nicola Ricci.
- Acender uma vela, de preferência abençoada, ao lado de alguma imagem de São Miguel, ao menos durante as meditações e outros exercícios espirituais desta Quaresma.
Quem não pode praticar a penitência eclesiástica do jejum e da abstinência, pelo menos tente meditar sobre a grandeza deste Santo Arcanjo e seguir as meditações com outros exercícios espirituais e preste outras homenagens a ele, conforme recomendou o referido Padre Ricci, de cujos dizeres encerramos estas breves instruções:
Não será em vão também a prática da devoção a São Miguel Arcanjo, pois sempre foi experimentada com fecundidade e com bênçãos celestiais. São Francisco de Assis, por haver venerado e reverenciado ao Santo Arcanjo com um jejum quaresmal, recebeu o singular dom das sagradas chagas, razão pela qual aconselhou para seus filhos a prática da Quaresma de São Miguel. Santa Isabel, Rainha de Portugal, por praticar a Quaresma, em honra ao Santo Arcanjo, com abstinências e reverências, mereceu do Celestial Protetor alcançar uma heroica Santidade. O monge Altisiodorese, por meio deste jejum de Quaresma, obteve uma grande sabedoria teológica acerca do Santo Arcanjo. O Servo de Deus Frei Pedro de Monticolo, jejuando durante quarenta dias em honra do Arcanjo Miguel, foi recompensado pelo mesmo Arcanjo com a remissão de seus pecados, e com tal exercício não pôde deixar de ser grato ao Chefe dos Anjos, porque o jejum faz o homem semelhante aos anjos3, como ensinou São João Crisóstomo. Esta Quaresma começa na véspera da Festa da Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria e termina na véspera da Festa de São Miguel Arcanjo, que a Igreja celebra com ofícios solenes em 29 de setembro. Excetuando os domingos, são quarenta dias em que o devoto cristão trata de mortificar a carne e revigorar o espírito na virtude. Uma oração, uma saudação e uma renúncia se somam todos os dias para implorar cada vez mais seu valioso Patrocínio. Portanto, concluo esta breve introdução com as palavras de São Lourenço Justiniano, extraídas do Sermão da Festa de São Miguel4: “Se devemos honrar a toda milícia celeste, devemos sem dúvida honrar ainda mais particularmente o glorioso São Miguel, como Chefe e Capitão de todos. Reverenciemo-lo pela sua graça soberana, pela sua prerrogativa singular, pelo ofício que possui, pela sua força invencível, pela benevolência do Senhor que o criou, e pela constância com que O serviu naquela grande batalha em que lutou contra o Dragão Infernal e todos seus seguidores. Pois, não é sem razão que a Santa Igreja concede a São Miguel a honra de lhe reconhecer como seu particular e próprio Defensor, Intercessor perpétuo e Príncipe da Corte Celeste, e porque recebe em seu seio com grande Caridade a todas as almas dos Eleitos de Deus. Portanto, cada um de nós, e todos juntos reconheçamos a nosso Protetor, louvemo-lo, visitemo-lo a miúde com nossos desejos, invoquemo-lo, para que nos escute com nossa devoção, e nos alegremos com a emenda de nossas vidas. Não desprezará aos que erram, nem rechaçará aos que nele confiam, nem se apartará dos que o amam; porque defende os humildes, anima os preguiçosos, abraça os inocentes, protege nossa vida, nos guia pelo caminho e nos conduz a nossa Pátria, onde Jesus Cristo Nosso Senhor, verdadeiro Esposo de sua Igreja, reina com o Pai e com o Espírito Santo pelos séculos dos séculos. Amém”.
Notas
- "Le grandezze di San Michele Arcangelo", publicado em italiano no ano de 1869. ↩
- https://www.zelanti.net/pt/articles/do-segundo-preceito-da-santa-igreja-ou-da-tradicional-disciplina-do-jejum-e-abstinencia ↩
- Jeiunium ex hominibus Angelos facit. In: D. Joan Chrisost, Hom. 1, de Poenit. ↩
- Serm. de S. Mich. ↩