Devoção ao Sagrado Coração – 1ª Sexta-feira de Abril: O Sagrado Coração, Reservatório de Graças

Devoção ao Sagrado Coração – 1ª Sexta-feira de Abril: O Sagrado Coração, Reservatório de Graças
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Extraído do livro Meditações para todos os dias e festas do ano tiradas das obras ascéticas de Santo Afonso Maria de Ligório, Bispo e Doutor da Igreja, pelo Padre Thiago Maria Cristini, edição de 1921, tomo II: Desde o Domingo da Páscoa até a Undécima Semana depois de Pentecostes inclusive1

Haurietis aquas in gaudio de fontibus Salvatoris – “Tirareis com alegria águas das fontes do Salvador” (Is. 12, 3)

Sumário. O Coração de Jesus é verdadeiramente o reservatório de todos os favores divinos. Podemos considerar quatro fontes no Coração de Jesus: a primeira de misericórdia; a segunda de paz e consolação; a terceira de devoção; e a quarta de amor. Aquele que vai haurir nestas felizes fontes que temos no Coração de Jesus terá sempre águas de alegria e de salvação. Se não recebeste, até agora, graças mais copiosas, é porque te descuidaste de vir tomá-las no Coração de Jesus.

I. Achamos no Coração de Jesus todos os bens e socorros que podemos desejar. Nele, diz São Paulo, sois ricos em toda a sorte de bens; de modo que não vos pode faltar graça alguma 2. Este Coração é, pois, verdadeiramente o reservatório de todos os favores divinos; deste Coração generoso é que correm esses rios inexauríveis de graças de que fala o profeta Isaías: Vos tirareis com alegria águas das fontes do Salvador.

A primeira é uma fonte de misericórdia, na qual nos podemos purificar de todas as manchas dos nossos pecados. Esta fonte foi formada para nós com as lágrimas e o sangue do nosso divino Redentor. Dilexit nos, et lavit nos a peccatis nostris in sanguine suo — “Ele nos amou e lavou os nossos pecados com o seu sangue” 3 Eis ai até onde chegou o amor de Jesus para conosco.

A segunda é uma fonte de paz e consolação nas nossas penas. Se alguém tem sede das verdadeiras consolações, ainda nesta vida, diz Jesus Cristo, venha ao meu Coração, e receberá o que deseja 4. Aquele que prova das águas do meu amor, desprezará para sempre as delícias passageiras do mundo, e será plenamente satisfeito, quando entrar na morada dos eleitos; porque a água da minha graça o fará subir da terra para o céu 5. A paz que o Senhor dá às almas de que Ele é amado, não é a alegria que o mundo promete nos prazeres sensuais, os quais deixam após si mais amargura do que felicidade; a paz que Deus dá, excede todos os prazeres dos sentidos 6. Bem-aventurados aqueles que tem sede dessa fonte divina 7.

A terceira é uma fonte de devoção. Oh! Como se torna piedoso e pronto a obedecer a Deus, como se cresce sem cessar de virtudes em virtudes, quando se medita muitas vezes o que o Coração de Jesus fez por amor de nós. Aquele que segue esta prática, tornar-se-á semelhante a uma árvore plantada junto da corrente das águas 8.

II. A última fonte do Coração de Jesus é uma fonte de amor. Quando se meditam os padecimentos e as humilhações do Coração de Jesus por nosso amor, é impossível não nos sentirmos inflamados por este belo fogo, que Ele veio acender sobre a terra. Assim, segundo a palavra do Profeta, aquele que vai haurir nestas felizes fontes que temos no Coração de Jesus, terá sempre águas de alegria e de salvação: Tirareis com alegria águas das fontes do Salvador.

Portanto, se, no passado, não haveis recebido mais graças, diz o Senhor, não o imputeis a mim, mas a vós mesmos, que vos descuidastes de vir tomá-las no meu Coração: Pedi e recebereis. Oh! Quanto é rico e generoso o Coração de Jesus para com aqueles que o invocam: Dives in omnes qui invocant illum 9. Basta rogar-Lhe para ser atendido, porque, se o Coração de Jesus é a fonte de onde fluem todos os regatos de graças, o vaso para recebê-las é a oração. Mas para que a oração surta o seu efeito, é preciso que tenha as condições requeridas: humildade, confiança e perseverança.

Meu Jesus, com a Samaritana Vos direi: Domine, da mihi hanc aquam 10. Dai-me dessas águas que correm do Vosso divino Coração, a fim de que não viva mais senão para Vós, ó amabilidade infinita! Minha alma é terra árida, que só produz abrolhos e espinhos de pecados: ah! Dignai-Vos regá-la com as águas da Vossa graça, a fim de que dê algum fruto que sirva para a Vossa glória, antes que a morte me faça sair deste mundo. Ó Fonte de água viva, ó Bem supremo, quantas vezes Vos deixei pelas águas lodosas, que me privaram do Vosso amor! No futuro, não quero mais senão a Vós, meu Deus; socorrei-me, e fazei que eu seja fiel em recorrer ao Vosso divino Coração pela oração.

— Ó Maria, minha Advogada e minha Mãe, intercedei por mim.

Notas
  1. PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/santo-afonso-maria-de-ligorio-meditacoes-tomo-ii-desde-o-domingo-da-pascoa-ate-a
  2. 1 Cor. 1, 5
  3. Ap. 1, 5
  4. Jo. 7, 37
  5. Jo. 4, 13
  6. Fl. 4, 7
  7. Mt. 5, 6
  8. Sl. 1, 3
  9. Rm. 10, 12
  10. Jo. 4, 15