7ª Meditação para o Mês de São Miguel Arcanjo: sobre sua caridade para com Deus

7ª Meditação para o Mês de São Miguel Arcanjo: sobre sua caridade para com Deus
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N. do E.: A Quaresma em honra a São Miguel começa tradicionalmente dia 14 de agosto, na vigília da Festa da Assunção. Clique aqui para ler nosso artigo com breves instruções para melhor realizá-la ao modo mais tradicional.

A meditação que se segue é extraída do livro "A Grandeza de São Miguel Arcanjo", publicado pelo Padre Ricci em 1869.

I. São Miguel conservou um grande amor a Deus. Os anjos são a perfeição do mundo, porque Deus deu a eles dons perfeitos. São seres perfeitos em ciência, porque em toda causa vêem efeitos; perfeitos em sua natureza, porque são sem mancha, sem falta e sem defeito; perfeitos em poder, porque podem destruir o mundo num só instante; perfeitos em vontade, porque anseiam incessantemente pelo Soberano Bem; tanto assim que são riquíssimos em caridade. Assim apareceu São Miguel, cujo nome significa: “Quem como Deus”! Assim que saiu das mãos de Deus, voltou-se para o seu Criador e disse no seu coração: “Meu Deus, eu Vos amo, porque és a minha força, o meu apoio e o meu refúgio1. A quem poderia eu dar o meu amor, senão a Vós2? Quem, além de Vós, deve ser honrado, obedecido cegamente e amado sinceramente? Ninguém”. O amor de São Miguel por Deus ultrapassava o dos Anjos. O amor está sempre relacionado com o conhecimento3: quanto maior for o conhecimento do objeto, maior será também o seu amor por ele. Ora, São Miguel tinha um conhecimento de Deus e das suas perfeições maior do que qualquer outro Anjo, maior do que podeis imaginar. Logo no primeiro momento da sua existência, começou a amar Deus, previsto numa grande luz. E qual não deve ser a sua caridade, desde que foi admitido à visão beatífica da natureza divina. Ele é para Deus o mais próximo; ele ocupa o lugar de Lúcifer caído; ele é um serafim de amor; seu amor não pode ser superado.4

II. As obras são a prova da caridade5; e as obras de São Miguel mostram a sua caridade para com Deus. Lúcifer desencadeou uma guerra no Céu para destronar Deus6. Era o tempo do perigo e da provação. Então, São Miguel mostrou todo o ardor que o consumia. Ouviu o grito de guerra, assistiu à revolta e observou Lúcifer, que atentava contra a honra de Deus; embora fosse ainda inferior a Lúcifer, o seu coração consumiu-se de amor e, levado pela sua caridade, atacou-o com coragem, dizendo-lhe: “Quem como Deus?” Deus é o princípio sem começo; tu, pelo contrário, acabas de vir à luz. Ele é infinito nos seus atributos7: simplicidade, imensidade, eternidade. É infinito na sua inteligência, na sua vontade e nas suas perfeições. Tu, ó Lúcifer, e aqueles que te serviram, tens um espírito finito e limitado, e nunca te poderás assemelhar a Deus. Deus é onipotente, de uma bondade infinita, sem fraqueza, justo sem severidade, mestre misericordioso e soberano, conhecedor de todas as coisas na luz e possuidor de todos os bens. Levantaste-te contra o Todo-Poderoso, mas não conseguirás derrotá-lo, pois ninguém lhe é superior. Depois, dirigiu-se aos Anjos: “Quem me ama, segue-me”, disse; e atacou Lúcifer e os seus seguidores, derrotou-o e expulsou-o do céu. Imediatamente, a paz e a serenidade reapareceram no paraíso. A honra de Deus foi defendida, o Criador glorificado e uma grande parte dos anjos foi salva. Que grande amor! O Arcanjo trabalhou para Deus, venceu e triunfou.

III. E tu, cristão, qual é o teu amor a Deus? Uma alma que ama a Deus, diz Santo Agostinho, não pensa senão em Deus, despreza tudo, tem horror a tudo, não procura senão a Deus8. Os vossos pensamentos são para Deus? Talvez, Deus seja o menor dos vossos pensamentos? A alma que ama Deus despreza tudo o que não conduz a Deus; não vos acontece ter Deus em pouca conta, e apreciar o que vos faz perder Deus? A alma que ama Deus despreza tudo e só se deleita em Deus. No teu coração, pelo contrário, a oração não te incomoda? A alma amorosa honra a Deus, chora quando vê que o ofendem e tem zelo por vingar a sua honra. Ó cristão, o teu coração consome-se de amor, mas de um amor terreno, não de um amor divino. Humilha-te, prostra-te aos pés de Jesus Cristo, pede perdão pela intercessão do primeiro serafim do céu e, no futuro, preocupa-te em amar a Deus de todo o teu coração.

ORAÇÃO

Meu Deus, eu não Vos amei. Amei as criaturas e Vos desprezei, meu Criador e Mestre, que por acaso é mais propenso ao perdão do que ao castigo. Levantai sobre mim a vossa Mão misericordiosa e dignai-Vos perdoar-me no meu arrependimento, por Vos ter amado tão pouco, e na minha resolução de Vos consagrar todos os meus pensamentos e afetos. E vós, São Miguel Arcanjo, intercedei por mim junto de Deus e ponde no meu coração o mesmo amor que o vosso; ensinai-me a desprezar os bens que passam e a amar o soberano e eterno bem.

SAUDAÇÃO

Salve, São Miguel, sois o primeiro entre os Serafins.

PEQUENO SACRIFÍCIO

A cada hora do dia, dirás: “Meu Deus e meu tudo”.

N. do E.: Por fim, ainda mais para o caso em que não se pode fazer o pequeno sacrifício, propõe-se de modo especial, dentre outros exercícios espirituais em homenagem a São Miguel que podem ser feitos, a recitação diária da Coroa de São Miguel, que foi revelada com grandes promessas a quem rezá-la diariamente pelo Glorioso Arcanjo à carmelita portuguesa Antónia de Astónaco, e que se encontra disponível em nosso site: https://www.zelanti.net/posts/coroa-de-sao-miguel-arcanjo

Notas
  1. Diligam te, Domine, fortitudo mea. Dominus firmamentum meum, et refugium meum. Ps. XVII. 1.
  2. Deus cordis mei, et pars mea deus aeternum. Ps, 72. v. 26
  3. Nil volitum, quin praecognitum.
  4. Locus divinae pulchritudinis eius nequit explicari, id.
  5. Probatio ergo dilectionis exhibitio ut operis. D. Greg. Hom. 30 in Evang.
  6. Praelium magnum factum est in caelo. Apoc. XII.
  7. Magnitudinis eius non est finis. Ps. 144. v. 3.
  8. Anima, quae Deum amat, nihil aliud potest cogitare, nihil aliud velle, nisi solum Deum, caetera contenmit, omnia fastidit. D. Aug.