31 de outubro — São Wolfgang, Bispo († 994)
31 de outubro — São Wolfgang, Bispo († 994)Extraído de uma edição de 1935 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1
São Wolfgang viveu no século X da era cristã e é contado entre os Bispos da Santa Igreja que mais se distinguiram pela santidade e zelo apostólico. Era natural da Suábia. Menino de sete anos, foi confiado a um sacerdote, que o educou e instruiu cristãmente. Passados alguns anos na companhia do preceptor, internou-se no convento de Reichenau, onde fez amizade com Henrique, jovem fidalgo de Würzburg. Quando voltou para sua terra, Wolfgang acompanhou-o. Em Würzburg completou os estudos com tanta proficiência, que era por todos admirado e estimado. Alguns anos depois, Henrique foi nomeado Bispo de Tréveris e, conhecendo os grandes talentos do amigo, convidou-o para conselheiro. Wolfgang aceitou o convite, com a condição, porém, de poder dedicar-se à educação e instrução da mocidade. Aos alunos recomendava, como máxima para toda a vida, a palavra do velho Tobias ao filho: "Andai na presença de Deus e fugi do pecado".
Além dos trabalhos exaustivos, que a educação da mocidade em colégio acarreta, Wolfgang tomou sobre si a responsabilidade de negócios importantes da diocese. Henrique morreu e Wolfgang passou algum tempo em Colônia, na corte do arcebispo Bruno. A insistência também deste prelado não conseguiu que Wolfgang se decidisse a aceitar dignidades elevadas.
Para fugir do mundo e viver só para Deus e a salvação de sua alma, retirou-se para o mosteiro beneditino de São Meinrado, na Suíça. Terminado o noviciado, a obediência confiou-lhe a tarefa de instruir os jovens sacerdotes nas artes livres. Por ocasião de uma visita do Bispo Ulrico de Augsburgo, este, apesar dos escrúpulos e dúvidas de Wolfgang, administrou-lhe o sacramento da Ordem. Com a graça do sacerdócio, Deus deu a Wolfgang um forte desejo de pôr-se a serviço da propagação da fé entre os povos pagãos. Era a época das invasões dos húngaros, que tanto mal fizeram aos países da Alemanha. Wolfgang tomou a resolução de missionar e catequizar aqueles bárbaros. Obtida a licença dos superiores, pôs-se a caminho para a Hungria. Em Passau procurou o Bispo local, Peregrino, e qual não foi o seu contentamento, quando soube que este prelado estava se preparando para a mesma viagem, com o mesmo fim de trabalhar pela cristianização dos húngaros. De fato, seguiram rumo para a Hungria. Chegados ao termo da viagem, puseram mãos à obra e começaram a tarefa apostólica. Vendo, porém, que os resultados não correspondiam aos seus esforços, voltaram. A chegada dos missionários à Alemanha coincidiu com a morte do Bispo de Ratisbona. Peregrino, que teve ocasião de conhecer e admirar as virtudes e talentos de Wolfgang, recomendou-o ao Imperador e ao clero, como candidato idôneo à Sé de Ratisbona. Wolfgang, após longa resistência, teve de curvar-se afinal diante da ordem dos Superiores e aceitou a mitra.
Convencido de que o Bispo deve ser modelo de virtude e santidade para o povo e o clero, ainda mais se dedicou à própria santificação. A oração e a mortificação eram os exercícios que lhe pareciam mais eficazes, para alcançar esse fim. Era impossível que o exemplo do Bispo não produzisse os melhores frutos na diocese. Visitando paróquia por paróquia, pregando, exortando a todos, conseguiu uma transformação admirável na vida prática cristã dos diocesanos e sacerdotes. Henrique, duque da Baviera, irmão do Imperador, tinha em tão alto conceito a pessoa do santo Bispo, que lhe confiou a educação dos filhos e filhas. Essa confiança não o enganou. Henrique, o primogênito, veio a ser o Imperador; Bruno, o segundo filho, prestou, como Bispo exemplaríssimo, relevantes serviços à Igreja e à sociedade; Gisela, mais tarde Rainha da Hungria, foi uma cristã modelar; e Brígida dirigiu, na qualidade de Abadessa, um mosteiro fundado por Wolfgang em Ratisbona.
Já ia para 25 anos sua administração da diocese, quando Wolfgang, numa viagem, adoeceu gravemente. Prevendo o fim da vida, para ele devidamente se preparou. Após digna e edificante recepção dos santos Sacramentos, morreu em 994, sendo-lhe o corpo depositado na catedral de Ratisbona, mais tarde, porém, trasladado para a igreja de Santo Emmerano, onde se acha até hoje.
Em 1052, achando-se em viagens na Alemanha o Papa Leão IX, este elevou Wolfgang à categoria de Santo.
REFLEXÕES
Três eram os conselhos que São Wolfgang dava aos discípulos; conselhos preciosos, que cada cristão deve aceitar como dados a si: 1º) Anda sempre na presença de Deus; 2º) Conserva-te no santo temor de Deus; 3º) Foge do pecado. Nestes três conselhos está contida toda a sabedoria cristã. Lembra-te de Deus, que está em todo lugar e que tudo vê, tudo ouve, tudo sabe. Este Deus é santo, poderoso e terrível em seus juízos. Tua vida está em suas mãos. Não há lugar onde Ele não te encontre; Ele castigará teu pecado ou neste ou no outro mundo, e sua justiça não admite apelação. Foge do pecado, que é a ofensa deste grande Deus. O pecado te prejudicará mais que todas as adversidades que o inimigo de tua alma te possa infligir. Tem consequências terríveis, que se estendem até à eternidade. Que motivos mais queres, para te afastar do pecado? Pensa, pois, em Deus; Teme a Deus e foge do pecado. É este o caminho (que conduz ao céu), andai nele e não vos afasteis, nem para a direita, nem para a esquerda (Isaías 30-21).
Santos do Martirológio Romano, cuja memória é celebrada hoje:
Em Roma, o martírio de Ampliato, Urbano e Narciso, de que São Paulo faz menção em sua epístola aos Romanos.
Em Constantinopla, o bispo Stachys (Estácio), primeiro bispo daquela cidade e discípulo de Santo André.
Em Milão, o bispo e confessor Santo Antonino. 674.
Notas
- PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-ii ↩