31 de janeiro — São Pedro Nolasco, Confessor
31 de janeiro — São Pedro Nolasco, ConfessorExtraído de uma edição de 1928 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1
São Pedro Nolasco, fundador da Ordem de Nossa Senhora das Mercês e Redenção dos Cativos, nasceu em 1190, em Recaudun, perto de Carcassonne. Seus pais puderam constatar, com muita satisfação, que o desenvolvimento físico de seu filho correspondia igual ao desenvolvimento moral. Era admirável, como Pedro, criança ainda, revelava uma compaixão terna pelos pobres. O aspecto da miséria causava-lhe tanta tristeza, que os pais, querendo consolar seu filho, haviam de dar-lhe esmolas para os pobres. Mais tarde, quando estudante, repartia com os pobres tudo que dos pais recebia. Com o maior cuidado guardava o tesouro da pureza do coração e todo o seu desejo era, poder servir a Deus do modo mais perfeito. Daí a fuga de tudo que pudesse desagradar a Deus, ou ser um perigo para sua alma. Pedro tinha 15 anos, quando perdeu seu pai. A mãe, desejando ter uma auxiliar no governo da casa, insistiu com Pedro para que estabelecesse família, ao que este se opôs terminantemente. Mais ainda: fez os votos de castidade e de pobreza, com o propósito de repartir seus bens entre os pobres.
A França era naquele tempo teatro de graves desordens, devido aos abusos dos albigenses, que infestaram todo o sul do país. Para evitar qualquer contato com os hereges, Pedro se associou ao conde Simão de Montfort, comandante do exército católico, e com ele chegou à Espanha, onde lhe foi confiada a educação do príncipe Jaime I de Aragão. Se bem que se achasse no meio de círculos aristocráticos de Barcelona, sua vida era só de Deus.
Ofereceu-se-lhe ocasião de observar a tristíssima sorte dos cristãos que tiveram a infelicidade de cair no poder dos muçulmanos. Vendo que perigo corriam de perder a fé, aplicou toda a sua fortuna no resgate daqueles infelizes. De uma vez libertou trezentos cristãos. A boa vontade e energia, porém, de um só eram insuficientes, para remir tantos escravos. Por isto Pedro recorreu à caridade de outras pessoas, de quem recebeu avultadas somas, para a redenção dos pobres cativos.
A primeiro de agosto de 1223 teve Pedro uma revelação sobrenatural, que lhe indicou novos meios de libertar os cristãos das mãos dos mouros. Apareceu-lhe Maria Santíssima, a qual, mostrando grande satisfação pelo bem que fizera aos cristãos, deu-lhe a ordem de fundar uma congregação com o fim determinado da redenção dos cativos. Pedro comunicou este fato a São Raimundo de Peñafort, seu confessor e ao rei Jaime, e grande foi sua surpresa, quando deles soube, que ambos, na mesma noite, tiveram a mesma aparição. Tendo assim tão claramente a revelação da vontade divina, Pedro sem demora pôs mãos à obra e emitiu os três votos, da pobreza, da castidade e da obediência, acrescentando o quarto, de sacrificar seus bens e a própria liberdade, se a necessidade o exigisse, pela redenção dos cativos. O bispo Berengário, de Barcelona, recebeu estes votos; São Raimundo organizou as constituições da regra da nova Ordem, e impôs a Pedro o hábito, nomeando-o primeiro Superior. A nova instituição teve gratíssimo acolhimento da parte do povo e com Raimundo, mais dois fidalgos receberam o hábito.
A nova Ordem viu-se logo a braços com grandes dificuldades, e mais de uma vez parecia não haver esperanças dela se desenvolver. Pedro, porém, confiou em Deus, e do céu lhe veio auxílio. “Tenhamos temor de Deus” — ele costumava dizer aos seus — “louvemos a Deus, pois Ele tem nas mãos os corações dos homens. Ele dirige-os como quer”. A nova regra obteve, em 1235, a aprovação da Santa Sé. Logo depois de ter-se dedicado à sua obra, Pedro abandonou a corte real. Durante o espaço de trinta e um anos dirigiu os destinos de sua Ordem, e por milhares contaram-se os cristãos que lhe deveram sua libertação do cativeiro mourisco.
Seu grande desejo era visitar o túmulo do Apóstolo São Pedro, a quem tinha especial devoção. Quando, na hora das Matinas apresentou a Deus o pedido de ver realizado seu desejo, apareceu-lhe São Pedro, fazendo-o ver que não era a vontade de Deus que fizesse aquela viagem. Pedro contentou-se inteiramente com esta resposta.
Os últimos anos de sua vida foram-lhe amargurados pela impossibilidade de trabalhar. Sentindo-se no fim da sua peregrinação, reuniu todos os seus filhos, para lhes dar seus últimos conselhos e sua bênção. Suas últimas palavras foram: “Eu vos louvarei, Senhor, porque salvação trouxestes ao vosso povo”. São Pedro Nolasco morreu em 25 de dezembro de 1256.
Reflexões
São Pedro Nolasco, receando cair na tibieza e da tibieza passar para o estado do pecado, encheu-se de horror contra o pecado. O pecado mortal é de todos o mal maior e deve ser evitado a todo custo, porque é ele que nos exclui da felicidade eterna. Pecados veniais não têm esse efeito, mas predispõem a alma a consentir em infidelidades maiores e preparam o caminho para o pecado mortal.
Pequenas, muito pequenas são as vezes as causas de grandes danos. Um descuido qualquer pode ter em consequência grandes desastres. Na vida espiritual não é diferente. Quem se acostuma a cometer faltas leves, sem delas se arrepender, e também nada faz para delas se livrar, está em grande perigo de cair em faltas graves. O exemplo de São Pedro Nolasco é, pois, digno de ser imitado.
Notas
- PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-i_202312 ↩