31 de dezembro — Santa Melânia, a Jovem

31 de dezembro — Santa Melânia, a Jovem
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Extraído de uma edição de 1935 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1

Santa Melânia é um modelo exemplaríssimo de muitas virtudes, principalmente da castidade, do desprezo do mundo, do zelo pela glória de Deus e da caridade para com o próximo. Para diferenciá-la de outra Santa Melânia, no registro das Santas figura com o apelido de “a Jovem”. Melânia era romana, filha de pais ilustres e de nobre estirpe. O desejo que tinha de servir a Deus em perfeita castidade, foi contrariado pelos pais, que a obrigaram ao matrimônio com Piniano, rico e jovem patrício. O primeiro filho, que alegrou o novo lar, morreu antes de completar um ano, e o segundo pôde apenas receber o batismo, antes de Deus o chamar a si. Com este desgosto Piniano teve uma prova da vaidade das coisas do mundo. O jovem esposo, tendo apenas 24, e Melânia, 22 anos, aceitou a proposta da companheira de se absterem do uso do matrimônio e empregarem a grande fortuna na manutenção do clero, dos pobres e em benefício de obras pias. Viviam numa casa de campo e serviam a Deus e ao próximo, em completo afastamento do mundo. Prédios que possuíam em Roma e em outras cidades italianas, foram vendidos, sendo o rendimento despendido em construções de conventos e igrejas ou em obras de beneficência.

De Roma foram a Sicília e África, onde possuíam grandes terras e venderam-nas. Numa ilha, onde aportaram, resgataram muitos escravos cristãos das mãos dos bárbaros. Em Tagaste, onde era bispo Santo Alípio, amigo de Santo Agostinho, fundaram dois conventos, destinados um a religiosos, outro a religiosas, e foram Piniano e Melânia os primeiros que neles entraram. Melânia levou uma vida da mais austera penitência, chegando ao ponto de tomar só uma refeição por semana. Dividia o tempo entre práticas de piedade e trabalho. Servia-lhe de leito um duro colchão, colocado sobre o soalho. Noites inteiras passava em oração e seu trabalho era confeccionar e consertar roupas para os pobres ou copiar livros religiosos, para os distribuir.

Sete anos viveu nessa reclusão, quando experimentou um desejo ardente de ir à Palestina e visitar os Santos Lugares. Em companhia da mãe Alvina e do marido, embarcou para Alexandria, onde adoeceu, e depois para Jerusalém. Com grande devoção visitou os santos lugares, de preferência o Santo Sepulcro, onde permanecia às vezes a noite toda rezando. Tão bem se sentia em Jerusalém, que resolveu lá fixar residência. Mandou construir uma pequena casa no Monte das Oliveiras, que habitou durante quatorze anos, entregue a exercícios de oração, de penitência e caridade. Piniano internou-se num convento de Jerusalém. A fama de santidade de Melânia espalhou-se no país e muitas viúvas e donzelas a procuraram, desejosas de confiar-se à sua direção. Estes pedidos eram tão numerosos, que Melânia resolveu construir em Jerusalém um convento e uma igreja, onde recebeu todas aquelas pessoas, que lhe pareciam idôneas para a vida religiosa. Não aceitou o cargo de Superiora, para o qual a quiseram eleger. Preferiu ser a última de todas e, servia a todas, com grande humildade e caridade. Morreram a mãe e o esposo. Melânia enterrou-os com grande dor, mas perfeitamente conformada com a vontade de Deus. Mais ainda do que outrora se ocupava agora da preparação para a morte.

Quando assim se familiarizava com as ideias de uma próxima morte, recebeu uma carta, chamando-a para Constantinopla. Mandatário da missiva era Volusiano, seu primo que, gravemente enfermo, manifestou desejo de ver Melânia. Na esperança de poder salvar a alma de Volusiano que, além de ser pagão, era homem depravado, Melânia fez a viagem, para ela incomodadíssima. O doente, vendo Melânia, macerada e quase esquelética, em consequência das penitências praticadas durante muitos anos, quase não a conheceu e exclamou: “Ah! Minha querida Melânia, como estás diferente de quando te vi pela última vez! Que mudança reparo em tua figura e em toda tua aparência!” Melânia responde-lhe: “Tira daí, meu caro primo, em que apreço tenho a vida futura e os bens eternos. Crê que não teria desprezado as honras e glórias do mundo, abandonado os bens terrenos, castigado e penitenciado meu corpo, se não tivesse por certo de que receberei honras, bens e prazeres maiores.” Estas palavras tocaram o coração de Volusiano. Melânia expôs-lhe a beleza da religião cristã, animou-o a fazer penitência e aceitar a religião de Cristo, e teve a grande satisfação de ganhar aquela alma. Volusiano recebeu o sacramento do batismo e morreu na paz do Senhor.

Melânia voltou para Jerusalém. Deus revelou-lhe o termo da sua vida e a riquíssima recompensa que iria ter na eternidade, em troca dos bens passageiros, que empregara no serviço divino. Embora esta revelação sumamente a consolasse, Melânia não se descuidou da conscienciosa preparação para a morte. Pela última vez e com redobrada devoção, visitou os santos lugares, celebrou o Natal no lugar onde Jesus Cristo nascera, e voltou para o convento. Logo depois adoeceu e pediu que se lhe dessem os Santos Sacramentos. Clérigos e leigos, que a visitaram, lastimavam vivamente a separação, que a morte lhes impunha. A estas queixas e lamentos Melânia respondia: “Seja feita a vontade de Deus!” Assim preparada, entregou a alma puríssima a Deus no último dia do ano de 438. O túmulo tornou-se-lhe glorioso e o nome de Santa Melânia é festejado em toda a cristandade.

Reflexões

Santa Melânia empregou todo o tempo da vida no mais dedicado serviço de Deus. Fugiu do pecado, praticou boas obras e sofreu com paciência as contrariedades e provações da vida. Que consolo não terá experimentado na hora da morte! Como é grande sua glória no céu! Se o dia de hoje, que é o último do ano, fosse também o último de tua vida, podias tão tranquilamente partir desta vida, como Santa Melânia? Que esperanças poderias ter, da glória do céu e dos bens eternos? Lembra-te, de que maneira passaste este ano e os anos atrás, e tua consciência te responderá. Podes, em verdade, dizer que empregaste bem o tempo, isto é, pela glória de Deus e pelo bem de tua alma? Quantas ocasiões aproveitaste para fazer o bem? Evitaste o pecado e praticaste as virtudes? Sofreste com paciência as contrariedades da vida? Se tua consciência respondesse afirmativamente a todas estas perguntas, seguramente poderias comparecer à presença do eterno Juiz. Se assim não for, formula teus propósitos, para o novo ano, de emendar-te e conformar tua vida segundo os mandamentos da lei de Deus. — Não termines este ano, sem pedir a Deus perdão das infidelidades cometidas nestes doze meses findos e agradece-lhe os benefícios de que te cumulou tão abundantemente.

São Silvestre

No dia de hoje é celebrada a memória do Papa São Silvestre. Romano de nascimento, era Silvestre sucessor do Papa Melquíades. Dois anos antes da eleição, terminaram as cruéis perseguições, que durante três séculos avassalaram a cristandade. São Silvestre, já em pleno uso de liberdade, tudo fez para o desenvolvimento da Igreja de Cristo. Durante seu governo se realizou o Concílio Ecumênico de Niceia. Existem ainda muitos usos da Igreja, introduzidos por São Silvestre, Papa de grandes merecimentos e santidade. São Silvestre morreu no ano de 337.

Santos do Martirológio Romano, cuja memória é celebrada hoje:

Em Roma, na Via Salária, as mártires Donata, Paulina, Nominanda, Serotina e Hilaria.

Em Sens, na França, Santa Columba, virgem-mártir, na perseguição de Aureliano. Foi atirada ao fogo e decapitada. É invocada contra doenças dos olhos, e para obter chuva. É padroeira das donzelas e dos abandonados.

Notas
  1. PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-ii
31 de dezembro — Santa Melânia, a Jovem — Padre João Batista Lehmann