30 de maio — São Fernando III, Rei de Castela e Leão

30 de maio — São Fernando III, Rei de Castela e Leão
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Extraído de uma edição de 1928 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1

São Fernando, filho do rei Afonso de Leão, na Espanha, nasceu em 1198 e recebeu uma educação aprimorada de sua mãe Berengária, irmã da rainha Branca de França. Quando tinha onze anos, por intercessão da Santíssima Virgem, sarou de uma grave doença. Tendo dezoito anos, subiu ao trono de Castela. Aconselhado por sua mãe, a quem sempre teve grande respeito, casou-se em 1219 com Beatriz, filha do imperador Filipe da Suábia. Escrupuloso na observação das leis, era muito condescendente para com os seus ofensores e, devido à sua mansidão e paciência, foram abafadas diversas revoltas. Organizou o supremo conselho de Castela, e mandou compilar um novo código. Teve o grande desgosto de precisar pegar em armas contra seu próprio pai, o qual, mal aconselhado, tinha invadido seus territórios. Com o maior cuidado evitava os conflitos diplomáticos, e preferia sacrificar uma ou outra localidade a recorrer à guerra.

Fernando fundou novos Bispados, edificou muitas catedrais, igrejas, conventos e hospitais, sem com isto recorrer ao lançamento de novos impostos. A um ministro que veio fazer-lhe uma proposta de elevar os impostos, respondeu com indignação: "Deus me livre! A Divina Providência nos há de valer. Eu temo mais a maldição duma pobre mulher, que um exército inteiro de Mouros e Árabes".

No ano de 1225 empreendeu sua primeira campanha contra os turcos. Sua intenção naquela cruzada era mais propagar a fé, do que expulsar os maometanos; por isto levou em sua companhia o Arcebispo de Toledo, e exigiu dos soldados que recebessem os Santos Sacramentos e levassem vida honesta. Ele mesmo observava com rigor o jejum, trazia consigo um cilício em forma de cruz e passava noites em oração, mormente aquelas que precediam a um encontro com o inimigo. Os despojos da guerra foram por ele destinados à construção da catedral de Toledo. Muitas cidades tomadas aos Mouros deu às Ordens religiosas militares. Qual era a intenção que o guiava naquelas guerras, traduz claramente a oração seguinte de São Fernando: "Senhor, que perscrutais os corações, Vós sabeis que não procuro minha honra. Não quero fazer conquistas de reinos passageiros, mas propagar o conhecimento do Vosso santo nome".

Pela morte de seu pai (1230) ficou sendo Fernando rei de Leão e com um pequeno exército alcançou vitórias admiráveis sobre os Mouros. Estes perderam ainda Córdova e Sevilha, baluartes considerados inexpugnáveis, tanto que um general muçulmano disse: "Só a um Santo podia ser possível tomar, com tão poucos soldados, cidades tão fortes e populosas. Que os Mouros as perdessem, não tem outra explicação senão pelos desígnios eternos de Deus".

Fernando quis levar ainda à África suas armas vitoriosas, mas uma grave doença embaraçou este plano. Sentindo a morte se aproximar, fez uma confissão geral e recebeu com muita devoção os santos Sacramentos. Quando viu o sacerdote entrar com o Santíssimo Sacramento, se levantou da cama e ajoelhou. Nas mãos segurava um crucifixo, que beijava ternamente, regando-o com suas lágrimas. Nesta posição humilde fez confissão pública dos seus pecados. Tendo recebido o santo Viático, despediu-se de seus filhos e deu-lhes saudáveis conselhos. Enquanto o sacerdote rezava o ofício da agonia, Fernando entregou sua alma a Deus, a quem aqui na terra serviu 53 anos.

Reflexões

O exemplo que São Fernando deu, como rei justo e caridoso, deve ser imitado pelos patrões, no modo de tratar seus empregados. Todas as regras que a moral cristã expõe a este respeito, são resumíveis a estes 5 pontos:

1. Os patrões, donas de casa, tem por dever tratar seus empregados segundo as leis da justiça. Esta exige, que cumpram fielmente o contrato que com eles fizeram, isto é, que lhes paguem com pontualidade o ordenado estipulado; que não exijam serviços não previstos no compromisso; que lhes deem o trato a que têm direito, pela combinação anteriormente feita.

2. A caridade exige, que tenham paciência também com as fraquezas e misérias dos seus empregados; não tem caridade a dona de casa, que exige das suas empregadas serviços exaustivos, que lhes prejudicam a saúde, não lhes concedendo nenhum descanso; que não lhes perdoa nenhuma falta, por menor e mais involuntária que seja, e se exasperam por causa de um prejuízo insignificante, exigindo indenização e restituição até o último vintém.

3. A caridade ainda exige, que os patrões tratem seus empregados com bondade; que deem as suas ordens com moderação e prudência; que desculpem as suas faltas, principalmente quando cometidas irrefletida e involuntariamente, e que procurem todos os meios de corrigi-los.
Faltas, porém, que implicam grandes desordens, não devem ser toleradas e pecariam os patrões, se nelas consentissem ou tacitamente as aprovassem. Faltas como impiedade, leviandades, fraudes, furtos, embriaguez, mentiras, rixas, maledicências, vagabundagem, escândalos, desrespeito à religião e suas instituições, são incompatíveis com a vida cristã e não devem, portanto, ser toleradas pelos patrões. Estes devem chamar à ordem o empregado e convencê-lo do mal que fez. Se ele não os atender, o afastem quanto antes, para que o veneno do seu mau exemplo não chegue a fazer sérios estragos nas almas de outros empregados ou crianças. Quantas almas de crianças inocentes são vítimas de ruins empregados!

4. A justiça e a caridade exigem, que os patrões deem toda liberdade aos seus empregados em matéria de religião. Um bom empregado, que preza a sua religião, sentiria muito, se os patrões não lhe dessem esta liberdade. Os empregados mais fiéis são os que recebem frequentemente os Santos Sacramentos. Eles não roubam, não mentem, nem caluniam; mas são fiéis cumpridores dos seus deveres.

5. Os patrões devem dar bom exemplo aos empregados e deles afastar os perigos para sua alma. Vigiem pela boa disciplina entre eles, pelo respeito que deve reinar entre empregados de sexo diferente. "Se alguém não tem cuidado dos seus, e, principalmente dos da sua casa, esse negou a fé e é pior que um infiel." (I. Timóteo 5, 8).

Notas
  1. PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-i_202312
30 de maio — São Fernando III, Rei de Castela e Leão — Padre João Batista Lehmann