30 de julho — São Lupus, Bispo de Troyes

30 de julho — São Lupus, Bispo de Troyes
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Extraído de uma edição de 1935 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1

Lorena é a terra de São Lupus. Pela morte do pai, sendo Lupus tenra criança ainda, teve no primo um dedicado tutor e educador.

Mais tarde, casou-se com uma irmã do Bispo Santo Hilário, com a qual viveu sete anos, na mais perfeita harmonia, até que ambos, de comum acordo, resolveram passar o resto dos dias num convento, servindo unicamente a Deus. Lupus foi admitido no célebre mosteiro lirinense. Durante um ano, dedicou-se exclusivamente às práticas da vida monástica. Decorrido esse prazo, foi a Mâcon, onde possuía ricas terras, que vendeu, distribuindo aos pobres a fortuna.

Vagara a Diocese de Troyes. Lupus, homem de virtude e saber, possuía em tão alto grau a confiança do clero, que foi unânime sua eleição para Bispo daquela cidade. Conhecendo o bem que, na qualidade de Bispo, podia fazer às almas, aceitou o pesado cargo. Elevado à dignidade episcopal, em nada modificou o modo de viver no mosteiro. Aliando a oração e a penitência aos labores do apostolado, grandemente concorreu para a florescência da religião na Diocese. Este exemplo animava todos a prosseguirem no caminho da fé e da caridade e todos, pobres e ricos, veneravam no Santo Bispo o homem de Deus.

Pelos fins do IV século, surgiram no Oriente, na África e na Itália, os perniciosos erros de Pelágio e Celestino. Estes hereges negavam o pecado original e a necessidade das graças de Jesus Cristo. Agrícola, discípulo desses heresiarcas, tinha espalhado a semente do erro na Grã-Bretanha. Os Bispos de lá, impotentes para debelarem o mal, que se propagara assustadoramente, dirigiram-se ao episcopado da França, pedindo que mandasse homens preparados para lutar com os hereges. Foram destinados para isso Lupus e Germano, (este último, Bispo de Auxerre), que imediatamente embarcaram para a Inglaterra. Alto mar surpreendeu-os uma tempestade, que os expôs ao iminente perigo de naufragar. Lupus, porém, deitou umas gotas de azeite bento sobre as ondas embravecidas e estas logo se acalmaram.

A missão desses dois Bispos foi de abençoados resultados. A heresia foi eficazmente combatida; os católicos voltaram ao primitivo fervor; muitos hereges abjuraram os erros. Assim estando conjurado o perigo, Lupus e Germano voltaram às dioceses.

Não tardou que os povos da Europa ocidental fossem surpreendidos pela invasão dos Hunos, cujo chefe, Átila, orgulhosamente se denominava o “açoite de Deus”. Com suas hordas devastara florescentes províncias e reduzira a cinzas as mais belas cidades. Chegando a Troyes, o Santo Bispo ordenou jejuns e outras penitências públicas, visto não haver outra resistência a opor aos bárbaros, a não ser a oração e a fé em Deus. Em determinado dia, ele, o Bispo, revestido do ornato pontifical, acompanhado do clero e de grande parte da população, foi ao encontro do rei e disse-lhe: “Quem és tu, que te atreves a tão desumanamente devastar cidades e províncias? Quem és tu, que afogas em sangue reinos e populações, semeando o pavor e subjugando tudo ao teu poder?” Átila respondeu: “Sou Átila, rei dos Hunos, o flagelo de Deus!” “Pois bem, — disse-lhe o Bispo — tudo que vem de Deus tem nosso acatamento; mas, se de fato és o flagelo de Deus, de que ele se serve para castigar-nos, deves saber que nada poderás fazer sem a permissão divina e cuja mão poderosa também a ti rege e governa”. Átila, ouvindo estas palavras, desistiu do assalto à cidade e retrocedeu.

Esse gesto de intrepidez e de fé inabalável fez com que o povo ainda mais se acercasse do bispo, cuja pessoa, venerável mais do que nunca, era alvo do rumor e gratidão dos seus diocesanos.

Reflexões

Átila, o terrível devastador das pragas germânicas, intitulava-se “flagelo de Deus”. Deus se serviu daquele tirano, para castigar os pecados daquele tempo. Hoje são outros flagelos que Deus nos manda, para dar-nos o castigo merecido. Flagelos são: doenças, contrariedades, desgraças e perseguições. Esses flagelos têm, por fim, reconduzir os pecadores ao caminho da virtude, castigar os males e aumentar os merecimentos dos justos. Se um desses flagelos te ferir, sujeita-te humildemente à vontade de Deus e diz com Davi: “Pronto estou para receber vossos castigos” (Salmos 27). É bom sinal, quando Deus te mandar flagelos. Os castigos que nos ferem nesta vida, são bem mais suaves do que os da eternidade. Santo Agostinho costumava dizer: “Senhor, cortai, queimai, enquanto eu viver; na eternidade tende piedade de mim”.

Cinquenta e dois anos presidiu São Lupus a Diocese para, pela morte, receber o galardão. Que são cinquenta e dois anos, comparados com a eternidade? Deus quer de nós o trabalho de uns anos apenas, para recompensar-nos com prêmios eternos. Como isto é consolador! Lembra-te muitas vezes desta verdade, quando te achares oprimido de trabalhos e fadigas. Com poucos anos de trabalhos, poderás ganhar uma glória eterna. Passageiro é o trabalho, passageiras são as tribulações, passageiros os sofrimentos; eterno é o prêmio, eterna a recompensa, eterna a glória no reino dos céus…

Santos do Martirológio Romano, cuja memória é celebrada hoje:

Em Roma, os santos mártires Abdon e Sénen, persas. No tempo do Imperador Décio foram conduzidos a Roma, carregados de ferros. Confessando-se cristãos, foram açoitados com bolas de chumbo e depois degolados. 354.

Na Úmbria, São Rufino, mártir.

Em Tuburbo, na perseguição de Valeriano e Galieno, na África, as santas Virgens Segunda, Máxima e Donatila. Passaram por torturas crudelíssimas. Depois foram arrojadas às feras, que nenhum mal lhes fizeram e por último degoladas. 304.

Notas
  1. PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-ii