29 de março — Santos Jonas e Barachiso, Mártires

29 de março — Santos Jonas e Barachiso, Mártires
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Extraído de uma edição de 1928 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1

No ano de 327, houve uma cruel perseguição da Igreja na Pérsia. Entre as numerosas vítimas, figuram os dois irmãos Jonas e Barachiso da cidade de Beth-Asa, que, sabendo da iminente execução de alguns cristãos encarcerados em Hubaham, para lá se dirigiram para consolá-los e animá-los no último combate. Nove destes presos receberam a coroa do martírio.

Imediatamente depois, foram Jonas e Barachiso levados à presença do juiz. Este, com todo o empenho, quis persuadi-los de que era necessário adorar o rei dos reis, isto é, o imperador da Pérsia, e também o sol e a lua. "Não é mais conveniente adorar o Rei imortal do céu e da terra do que um homem mortal?", interrogaram os dois irmãos. O juiz mandou separá-los. Barachiso foi metido no cárcere e Jonas barbaramente açoitado. Enquanto lhe aplicavam tal suplício, Jonas elevou o espírito a Deus e ofereceu-lhe o sacrifício da vida pela fé. Depois, ataram-lhe os pés e atiraram-no numa lagoa coberta de gelo.

Pela tarde do mesmo dia, recomeçou o inquérito de Barachiso. Disseram-lhe que seu irmão havia sacrificado aos deuses. Barachiso respondeu-lhes: "Isto não acredito, porque conheço bem meu irmão e ele não é capaz de adorar criaturas". Em seguida, fez uma defesa tão brilhante da religião cristã, que o próprio juiz se admirou. Temendo, porém, que um ou outro dos circunstantes, pela eloquência de Barachiso, abandonasse a religião oficial, determinou que, só à noite e com exclusão do povo, fosse continuado o inquérito. Ao mesmo tempo, mandou que colocassem, nos braços do Mártir, ferros em brasa. Disse-lhe o juiz: "Pela fortuna do reino! Se deixares cair um destes ferros, para nós será um sinal de teres abandonado tua fé". Barachiso respondeu: "Não temo vosso fogo e não deixarei cair os instrumentos do meu martírio; peço-vos que apliqueis em mim de vez toda a sorte de suplícios. Quem combate por Deus, não desfalece". Os magos, no auge da fúria, deitaram-lhe chumbo derretido nas narinas e nos olhos e fecharam-no, novamente, no cárcere, pendurando-o por um pé.

No dia seguinte, tiraram Jonas da água e, estando ele ainda vivo, perguntaram-lhe: "Como passaste a noite? Sem dúvida, não sofreste pouco". Jonas replicou: "Nunca passei noite tão agradável como esta; a Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo foi para mim manancial de consolo". Os persas disseram-lhe: "Teu irmão abjurou". "Sei que ele abjurou, respondeu Jonas, mas ao demônio e às suas obras". Os persas: "Cuidado com a tua vida!" Jonas: "Se sois sábios como pretendeis, dizei-me: não é melhor semear a semente, do que guardá-la no celeiro, sob o pretexto de defendê-la contra a chuva e o mau tempo? Esta vida é uma semente, que traz frutos belíssimos da eterna glória". Os persas: "Vossos livros já têm enganado muita gente". Jonas: "É verdade que afastaram já a muitos dos prazeres mundanos. Um verdadeiro cristão, em cujo coração arde a chama do amor a Jesus Cristo, despreza as riquezas e honras deste mundo; só um desejo o anima, o de ver o verdadeiro Rei, cujo reino é eterno e cujo poder se estende sobre o mundo visível e invisível".

Foram estas as últimas palavras do Mártir. Os magos se atiraram sobre ele, cortaram-lhe as mãos e os pés, arrancaram-lhe a língua, tiraram-lhe o couro cabeludo e meteram seu corpo em piche em ebulição. Vendo que o fogo e o calor não lhe faziam mal, cortaram seu corpo em pedaços e os jogaram dentro de uma cisterna, que foi guardada por uma sentinela, para impedir que os cristãos se apoderassem das relíquias.

Barachiso teve uma morte igualmente terrível: Os bárbaros bateram nele com ferros pontudos, fizeram-no rolar pelo chão, deitaram piche e enxofre ferventes na sua boca e o maltrataram até que não desse mais sinal de vida.

Abstuciatos, amigo dos dois irmãos, comprou dos persas os corpos dos Mártires.

O comandante da cavalaria do imperador Sapor II, chamado Isaías, como testemunha ocular, escreveu a história do martírio de Jonas e Barachiso, concluindo da maneira seguinte: "Assim, estes mártires lutaram e venceram, oxalá Isaías possa merecer sua intercessão!" Jonas e Barachiso foram martirizados em 327, no décimo oitavo ano do governo do imperador Sapor II.

Reflexões

1. O sofrimento é o companheiro inseparável de todos os homens. Não há família, por mais feliz que seja, que não tenha dias tristes, e contrariedades. Se a nossa vida fosse um martírio, não devíamos desanimar, mas, com o piedoso Jó, dizer: "O que Deus me deu, houve por bem tirar-mo; seu nome seja bendito" (Jó 1, 21). "Justo és Deus e justos são os teus juízos" (Salmos 119). "Tudo concorre para a felicidade daqueles que amam a Deus" (Romanos 8, 28). "Os sofrimentos deste tempo nada são, comparados com a glória que em nós se manifestará" (Romanos 8, 18).

2. Muitas contrariedades e sofrimentos, no seio da família, são antes as consequências das imperfeições e paixões dos seus membros, do que castigo de Deus. Onde existem, por exemplo, a ociosidade, a vaidade e a dissipação, não tardará que, em pouco tempo, haja falta das coisas mais necessárias, o que por sua vez será causa de descontentamento e desavenças sérias. Os pais que se queixam do mau proceder dos filhos, deviam antes examinar a consciência, e culpando a si próprios, se deixaram de lhes dar uma boa educação. Muitas queixas são, às vezes, atribuídas ao mau gênio, quando na verdade, é o espírito de orgulho, de inveja, de vingança, de ambição o motivador das mesmas! Se todos cuidassem de se tornar dignos da graça do Espírito Santo, se cultivassem no coração o temor de Deus, a justiça, a moderação, a temperança e a fidelidade no cumprimento do dever, as coisas corriam muito melhor, e Deus seria seu pai, seu refúgio e consolador.

Notas
  1. PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-i_202312