29 de abril — São Pedro de Verona, Mártir

29 de abril — São Pedro de Verona, Mártir
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Extraído de uma edição de 1928 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1

Pedro nasceu em Verona no ano de 1205, sendo filho de pais maniqueus. Não havendo em Verona outra escola senão a católica, seus pais o confiaram a mestres católicos, que além dos conhecimentos profanos lhe ensinaram a doutrina católica. Pedro desde menino teve uma grande aversão contra a heresia, negando-se até brincar com meninos hereges. Tendo sete anos, ao sair da escola, encontrou-se com um primo seu, maniqueu, o qual o perguntou o que tinha aprendido na escola. Pedro respondeu: "O símbolo: Eu creio em Deus Padre todo-poderoso." "Cala-te, disse-lhe o primo, e não ande a dizer tolices. Não foi Deus, mas o demônio o criador do mundo." Pedro, porém, não se deixou enganar e ao primeiro artigo da fé acrescentou os demais. O primo chamou a atenção do pai de Pedro sobre este fato, mas este não lhe ligou importância. De Verona passou Pedro para Bolonha com o fim de lá continuar seus estudos. Em Bolonha conheceu o fundador da Ordem Dominicana, o qual, a seu pedido, aceitou-o como sócio na sua nova instituição. Concluído os seus estudos, foi promovido ao sacerdócio e incumbido da missão de pregador. Nesta qualidade percorreu a Itália toda, deixando por toda a parte a fama do seu talento e de sua santidade.

Para aumentar os merecimentos do seu Servo, permitiu Deus que ele fosse vítima de uma vil calúnia. Inventaram alguns confrades que Pedro, contrário às regras da Ordem, tinha recebido em sua cela visitas de amigos e até de pessoas de outro sexo. Pedro rejeitou esta invenção como calúnia. Parecendo-lhe, porém, que sua atitude, aliás justa, ia de encontro aos ditames da humildade, preferiu calar-se, o que concorreu para prestigiar a asserção dos acusadores. Em seguida foi-lhe interdita a pregação e determinada sua remoção para outro convento. Pedro aceitou esta medida humilhante sem dizer uma palavra de queixa, confiando em Deus, que um dia seria patente sua inocência. Meses passaram e ainda pesava sobre a pobre vítima a nuvem da suposta falta. O desânimo começou a ralar seu espírito. Um dia, quando se sentia como esmagado e profundamente acabrunhado, lançou-se aos pés da imagem de Jesus crucificado e disse: "Meu Jesus, ignoras ser eu inocente? Por que deixas-me sofrer tanto? Por que não descobres a minha inocência? Sabes que nada fiz." A estas palavras veio a resposta de Nosso Senhor: "Que mal fizera eu, Pedro, quando me pregaram na cruz? Não desanimes. Aprende de mim a paciência nos teus sofrimentos, que não se comparam com os meus." Pedro, ao ouvir isto, sentiu sua alma invadida de uma grande vergonha; e, ao mesmo tempo, confortada e desejosa de sofrer ainda mais por amor de Jesus.

Deus pôs à luz a inocência de seu Servo. Pedro não só pôde voltar para Bolonha, mas teve a satisfação de ser recebido por seus confrades com os sinais da mais alta estima. Continuou a sua pregação, e Deus se dignou de corroborar por grandes milagres a palavra do santo missionário. Muitos pecadores fizeram penitência e grande número de hereges voltaram ao seio da Igreja.

Tudo isto não impediu, que ao demônio fosse dado o poder de inquietar e perseguir o Santo com graves tentações contra a fé. Pedro enfrentou-as com a máxima energia e recorreu à Maria Santíssima, como era costume seu, em todas as questões de importância. De fato, sua divina Mãe não o abandonou. Um dia, quando se achava em fervorosa oração aos pés de seu altar, ouviu Maria dirigir-lhe as palavras de Jesus Cristo a São Pedro: "Roguei por ti, Pedro, para que tua fé não desfaleça. Tu, porém, anima teus irmãos". Desde então não mais importunação alguma sofreu daquelas tentações.

Grande resistência encontrou ainda dos hereges, os quais, desesperados ao verem os grandes milagres e admiráveis profecias do santo missionário, procuraram de todos os modos desprestigiá-lo como enganador e embusteiro. Em determinada ocasião recorreram ao seguinte estratagema. Um deles havia de fingir-se doente, quando os outros iam chamar Pedro para que o curasse. Pedro, iluminado por Deus, disse ao suposto enfermo: "Jesus Cristo, cuja doutrina eu prego, te dê a saúde, se estiveres, na verdade, doente; caso, porém, que me queiras enganar, te dê ele uma doença verdadeira". Imediatamente o indivíduo foi acometido de febre fortíssima, confessou sua maldade e pediu perdão. Pedro não só lhe perdoou, mas restituiu-lhe a saúde e recebeu-o no grêmio da Igreja Católica.

Por revelação divina soube o Santo que estaria próximo seu fim e lhe esperaria a coroa do martírio. Numa prática que Pedro fez em Milão, disse ele textualmente: "Sei que os hereges empenharam muito dinheiro para se verem livres de mim. Sei que os assassinos já estão contratados. Saibam, porém, que maior felicidade não poderiam me proporcionar senão esta de poder dar a minha vida em testemunho de minha fé em Jesus Cristo. É esta a graça, que peço a Deus, há muito tempo, na Santa Missa. Nada ganharão com minha morte".

Quinze dias depois fez Pedro uma viagem de Como para Milão. No caminho foi de emboscada, agredido pelos assassinos. Um deles vibrou-lhe com a espada um golpe sobre a cabeça. O Santo caiu por terra e, molhando o dedo com seu sangue, escreveu no chão as palavras: "Eu creio em Deus Padre." Depois elevou os olhos ao céu dizendo: "Senhor, em vossas mãos encomendo o meu espírito" e exalou sua alma. Um dos assassinos cravou-lhe ainda o punhal no peito.

O corpo de São Pedro foi transportado em triunfo para Milão e depositado na igreja de Sant'Eustorgio. O assassino, de nome Carin, mais tarde confessou seu crime e entrou como penitente no convento dominicano de Forli. Pedro foi canonizado por Inocêncio IV. Seu túmulo foi glorioso pelos numerosos milagres que nele se observaram.

Reflexões

"Que fiz eu, Pedro, que me crucificaram?" — perguntou Cristo a Pedro, que se queixava de sofrer perseguição injusta. Lembra-te desta palavra quando te vires mergulhado nas amarguras da provação; quando vires tua honra ofendida, teu nome desrespeitado, ou quando sofreres qualquer perseguição injustamente. Por inocente que sejas, mais inocente era Jesus. E Jesus sofreu de tal maneira que todos os teus sofrimentos desaparecem comparados aos dele. Se, porém, sofreres pela justiça, tua própria consciência te acusando de graves faltas, nenhuma queixa devias fazer, mas, com o profeta, dizer: "De bom grado suportarei a ira do Senhor, porque contra Ele eu pequei." (Miquéias 7). A lembrança dos teus pecados fará com que mais conformado leves a tua cruz. É uma grande verdade que nos diz a Sagrada Escritura: "Deus nos castiga conforme os nossos pecados." (Jud. 7).

Por mais grave e mais doloroso que este castigo nesta vida seja, na eternidade seria maior.

Notas
  1. PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-i_202312