28 de novembro — São Leonardo de Porto Maurício († 1751)

28 de novembro — São Leonardo de Porto Maurício († 1751)
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Extraído de uma edição de 1935 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1

IMORTAL tornou-se o nome deste franciscano, missionário da Itália, que, por espaço de 44 anos, pregou 326 missões em 84 dioceses, apresentando-se assim como um instrumento escolhido pela Providência divina para a salvação de muitas almas. O resultado estupendo que lhe coroava os trabalhos de missionário, tem explicação na grande santidade deste humilde filho do Patriarca de Assis. São Leonardo de Porto Maurício é uma figura extraordinária, entre os grandes pregadores de penitência e dos missionários, que Deus tem dado à Igreja, um dos maiores. O grande orador sacro Barberini, homem de grande experiência e virtude, disse no relatório ao Papa Clemente XII, referindo-se à pregação de Leonardo, que nunca ouvira um pregador mais eloquente e zeloso, orador algum que o impressionasse tanto. Bento XIV assistiu a diversas missões dirigidas por Leonardo, para ouvir-lhe práticas. Nos lugares onde pregava, um dos seus cuidados era implantar na alma do povo a devoção ao Sagrado Coração de Jesus e da Sagrada Paixão de Nosso Senhor, a adoração perpétua do Santíssimo Sacramento e o culto de Nossa Senhora.

Um dos mais ardentes desejos que sentia, era ver proclamado o dogma da Imaculada Conceição.

Grande pregador, era também modelo perfeito de virtudes, que procurava implantar nos corações dos ouvintes. Possuidor do espírito de São Francisco, era Leonardo, como seu Pai espiritual, amigo apaixonado da pobreza. Andando sempre descalço, não usava hábito que não tivesse já servido a outros Irmãos da Ordem e bastante gasto. Presentes, que em quantidade lhe eram oferecidos, por ocasião das missões, Leonardo rejeitava-os, preferindo viver pobre, como o divino Mestre viveu e morreu.

O amor de Deus tinha deitado raízes fortíssimas na alma do santo missionário, que costumava dizer: “Mesmo se tivesse toda a certeza de parar no inferno, de todo o coração amaria a meu Deus”. Ou: “Feliz me consideraria, se com meu sangue pudesse evitar um só pecado mortal, que tanto desgosto causa a Deus e tão gravemente o ofende”.

Para ter diante de si a lembrança da Sagrada Paixão de Nosso Senhor, fazia todos os dias o exercício da Via Sacra e levava sobre o peito uma cruz, guarnecida de cinco pontas de ferro. Nas sextas-feiras mastigava ervas amargosas, para acompanhar o divino Mestre, a quem deram fel e vinagre a beber.

Devotíssimo de Maria Santíssima, saudava a divina Mãe, todas as vezes que ouvia bater horas. Os sábados e as vésperas de festas marianas eram-lhe dias de jejum. Nenhuma missão terminava, sem que tivesse recomendado aos ouvintes a devoção de Nossa Senhora, mostrando-lhes que esta devoção inclui o ódio ao pecado mortal.

Considerando o Santíssimo Sacramento o sol do Cristianismo, a alma da fé, o ponto central da religião cristã, Leonardo era adorador devotíssimo deste grande mistério, e com o maior recolhimento celebrava a santa Missa, preparando-se para a celebração pela confissão diária.

Amigo de Deus e trabalhador dedicadíssimo pelos interesses de Jesus, era grande o amor que dedicava ao próximo. Esta caridade teve a máxima expressão e exemplificação no confessionário. Os maiores pecadores encontravam nele um bom pai e caridoso médico. Admirável era-lhe a dedicação no confessionário, durante as missões. Foi observado que permanecia no tribunal da penitência durante 30 horas, sem tomar alimento e sem se permitir um descanso. Todos os sacrifícios, todas as fadigas as oferecia pelas almas do Purgatório. Admirável expressão de São Leonardo é a seguinte: “De boa vontade ficaria na entrada do inferno, suportando os maiores tormentos, se com meu corpo pudesse obstruir a passagem e impossibilitar que alguém lá entrasse”.

Verdadeiro Santo, era Leonardo amigo da penitência. O tempo lhe era precioso demais, para perdê-lo com conversações supérfluas. Só o serviço de Deus e o interesse pelas almas podiam-no levar a sair da cela. Durante as missões, o soalho que lhe servia de leito, e o corpo, macerado pelo jejum, e pelas mortificações, apresentava-lhe sinais inequívocos de cruéis flagelações.

Quando estudante, era modelo para os condiscípulos, e os mestres tinham-lhe grande estima, comparando-o com São Luís Gonzaga. Nunca abandonou os princípios austeros, adquiridos na mocidade, defensores e conservadores da santa pureza. "Quando um religioso — assim costumava dizer — precisa falar com uma pessoa do outro sexo, deve ter o procedimento de quem tem que se haver com um empesteado. Não podendo evitar o contato com tais doentes, leva consigo cheiros fortes, para evitar o contágio. O religioso, enquanto precisa falar com uma mulher, deve usar o incenso dos bons pensamentos, para não pôr em perigo a própria alma".

Era visível a graça e a proteção divina, que o acompanhavam nas missões. Como fossem numerosíssimas as conversões, não faltavam exemplos que mostravam como Deus castigava visivelmente os desprezadores dos salutares avisos divinos. Em todas as emergências conservava São Leonardo a conformidade e uma profunda humildade. “Tudo para Deus, nada para mim” — era sua divisa.

Leonardo morreu em Roma, no Convento de São Boaventura. Pio VI, que o conhecera em vida, conferiu-lhe o título de Bem-Aventurado. Pio IX inseriu-lhe o nome no catálogo dos Santos da Igreja e Pio XI deu-o por padroeiro aos missionários.

REFLEXÕES

Um dos maiores missionários que a Igreja possuiu, São Leonardo de Porto Maurício, senhor de uma eloquência arrebatadora e que sacudia impiedosamente as consciências dos ouvintes, não se cansava de aconselhar aos cristãos que observassem os mandamentos da lei de Deus. Da observância da lei de Deus depende a vida; desprezá-los é a morte certa. Muitos se iludem pensando que, levando ao pescoço uma medalha ou o escapulário, tendo o nome inscrito em uma irmandade, a salvação é a coisa mais garantida, embora se permitam as maiores liberdades no desprezo da lei de Deus. Que engano, que ilusão! A lei de Deus não conhece e não admite exceção. E como Deus ordena que a Igreja seja ouvida e obedecida, as leis da Igreja nos obrigam da mesma forma que as do decálogo. Grava bem fundo no teu coração esta verdade e lembra-te da palavra de Nosso Senhor, que diz: “Se queres entrar na vida, observa os mandamentos” (Mateus 19, 17), assim como da afirmação do Salmista: “Malditos aqueles que se desviam dos vossos mandamentos” (Salmo 118).

Santos do Martirológio Romano, cuja memória é celebrada hoje:

Em Corinto, a morte de São Sóstenes, discípulo de São Paulo.

Na Tunísia, os bispos Papiniano e Mansueto, mortos na perseguição dos vândalos.

No século VI, a memória dos santos Bispos Valeriano, Urbano, Crescente, Eustrácio, Crescónio, Cresconciano, Félix, Hortulano e Florenciano.

Notas
  1. PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-ii