28 de julho — Beatas Salomé e Judite

28 de julho — Beatas Salomé e Judite
, ,

Extraído de uma edição de 1935 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1

Salomé era parenta próxima de um rei da Inglaterra. A formosura era o reflexo das belas virtudes que lhe adornavam a alma. Indiferente ao mundo, era Deus seu amor, que a fez abandonar a corte real. Duas empregadas, muito dedicadas e fiéis, notando na senhora mudança muito grande, e querendo saber o motivo daquele recolhimento, um dia a interpelaram a este respeito e Salomé não só lhes respondeu com toda sinceridade, como também despertou nelas igual desejo de pertencer só a Deus e afastar-se do mundo. De comum acordo e sem se despedir de pessoa alguma, empreenderam uma viagem à Terra Santa, onde com muita devoção visitaram os Santos Lugares.

Salomé, que acompanhara o divino Esposo no caminho da dor, até o monte Calvário, teve de percorrer ainda outro caminho. Mais doloroso para ela. Na viagem de regresso perdeu, pela morte, as fiéis companheiras. Firme, porém, era-lhe o propósito de não voltar mais à corte real da Inglaterra e levar uma vida pobre e desconhecida no estrangeiro. Através de muitas dificuldades tinha chegado a Ratisbona, onde profundamente se aborreceu de alguns galanteios à sua formosura. Humilhando-se diante de Deus, em fervorosas preces pediu que lhe tirasse os atrativos tentadores. Esta oração foi ouvida. Acometida de uma enfermidade, em poucos dias perdeu a vista. Sem guia e orientação, aconteceu que caísse no Danúbio. A enérgica intervenção de dois pescadores conseguiu salvá-la do grande perigo de morrer afogada. Além da cegueira, mandou-lhe Deus uma doença, que se parecia com a lepra e que a atormentou por algum tempo. Hospedada em casa de uma piedosa senhora, lá poderia ter ficado, se o desejo insaciável de penitência não lhe tivesse reclamado constantemente uma vida mais retirada. O abade de Niederaltaich, tendo notícia da vida santa que Salomé levava, convidou-a a mudar de residência para perto do convento. Salomé obedeceu à ordem do seu diretor e foi ocupar a cela que o mesmo mandara construir para seu uso, nas adjacências do mosteiro. Lá ficou até a morte, para a qual se preparou com todo fervor.

O rei da Inglaterra, alarmado com a excessiva demora da parenta, fez repetidas pesquisas, para descobrir-lhe o paradeiro. A princesa Judite, sua filha, que tinha enviuvado, resolveu ir à Terra Santa, para onde levou grande equipagem, animada de esperança de encontrar a querida parenta. Na volta, passando pela Baviera, descobriu o lugar onde morava Salomé. Grande foi o contentamento de ambas. Mas em vez de voltar à Inglaterra, resolveram terminar os dias na solidão, servindo a Deus em oração e praticando penitência. A festa das beatas é comemorada em 29 de junho.

Reflexões

Se não podemos imitar essas duas Santas no heroísmo e sair também da nossa pátria, para no estrangeiro dedicar a Deus uma vida de sacrifícios e de oração, devemos admirar a prontidão com que seguiram a inspiração, que do céu lhes veio, de abandonar tudo e viver e morrer na solidão. Achando-nos, como nos achamos, a caminho da eternidade, cuidemos de não nos afastar do caminho reto e não nos perder, no meio de perigos e contrariedades. Louvável, se não sempre exequível, é o desejo de visitar os Santos Lugares da Palestina. Na Santíssima Eucaristia temos mais que os Santos Lugares. Cada Comunhão confere-nos maiores graças, que a visita aos lugares da Terra Santa. O Santíssimo Sacramento é Deus Nosso Senhor em pessoa; nele encontramos a Carne, o Sangue, a humanidade e a divindade, o corpo e a alma de Jesus.

Santos do Martirológio Romano, cuja memória é celebrada hoje:

Em Milão, no tempo da perseguição neroniana, o martírio de Nazário e Celso, tendo este doze anos apenas. Nazário tinha se retirado para a alta Itália e Gália, onde, com bom resultado, pregou o Evangelho. Na sua volta para Milão foi preso e decapitado. É invocado contra moléstias da vista, porque durante seu inquérito, o Imperador Nero ficou cego.

Na perseguição de Décio e Valeriano morreram muitos cristãos na Tebaida, porque se negaram a trair sua religião e sua consciência. Em vez de se contentar com a morte das suas vítimas, os pagãos as massacraram de muitas maneiras, cada qual mais bárbara e esquisita.

Notas
  1. PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-ii