27 de setembro — Santos Cosme e Damião, Mártires

27 de setembro — Santos Cosme e Damião, Mártires
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Extraído de uma edição de 1935 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1

Os Santos Cosme e Damião eram irmãos, descendentes de nobre e piedosa família da Arábia. A mãe, Teodata, deu aos filhos uma educação muito boa e fez com que os belos talentos se lhes pudessem desenvolver sob a direção de sábios mestres. Fazendo os estudos na Síria, especializaram-se em medicina.

Pelo preparo científico e não menos pela pureza de costumes, mereceram a estima e a admiração de todos, até dos próprios pagãos. Aproveitando-se desta última circunstância, de preferência procuraram exercer a profissão de médico entre as famílias pagãs, para deste modo terem ocasião de ganhá-las para o Catolicismo. Deus abençoou-os de tal maneira, que não parecia haver doença que lhes resistisse à sua medicação. Era visível esta proteção sobrenatural.

A admiração e o pasmo dos pagãos crescia ainda mais, vendo que os médicos cristãos não aceitavam a mínima gratificação. Eram outras riquezas que os atraíam. Era a conversão das almas, que viviam nas trevas do paganismo, o objeto principal de toda sua atividade. Realmente conseguiram deitar a semente da doutrina cristã em muitos corações, e numerosas foram as conversões de pagãos ao Cristianismo.

Assim viveram alguns anos, como médicos missionários em Egeia, na Cilícia. Essa atividade havia de chamar a atenção das autoridades, como de fato chamou. Tendo recebido ordens terminantes do governo imperial de Diocleciano com referência à religião cristã e seus adeptos, uma das primeiras medidas coercitivas do governador Lísias, quando apareceu em Egeia, foi a prisão dos dois médicos, que lhe foram indicados como inimigos acérrimos das divindades pagãs.

Citados perante o tribunal de Lísias, este os interpelou sobre sua pátria e profissão. Deram as informações exigidas, declarando que eram naturais da Arábia, e exerciam gratuitamente a ciência médica. Protestaram contra a denúncia de entregarem-se às práticas da feitiçaria.

— Curamos as doenças — disseram ao governador — mais em nome de Jesus Cristo, do que pelo valor da nossa ciência.

Lísias bradou:

— É preciso que adoreis aos deuses, sob pena de cruel tortura!

Responderam eles:

— Teus deuses nenhum poder têm; adoramos ao Criador do céu e da terra.

Para fazê-los mudar de convicção, Lísias mandou aplicar-lhes tormentos bárbaros. Vendo, porém, que eram inúteis esses processos, deu ordem para que fossem decapitados. Cosme e Damião morreram mártires em 303. Os corpos foram transportados para Ciro, na Síria, e depositados numa igreja que lhes recebeu o nome. O mesmo imperador, que era Justiniano I, ao ver-se favorecido após ter sido acometido de uma grave doença, construiu em Constantinopla uma igreja em honra destes padroeiros. Parte das relíquias chegaram no século VI a Roma e a Munique (Baviera), onde repousam no altar-mor da igreja de São Miguel. Deus glorificou com muitos milagres o nome dos seus dois servos.

Reflexões

A riqueza em si não constitui impedimento nenhum para a santidade, como mostra a vida dos Santos Cosme e Damião. A riqueza bem empregada, para mitigar o sofrimento do pobre, para suavizar a triste sorte do necessitado, atrai a bênção de Deus. O mau rico, que fecha o coração e a bolsa aos pobres, às pobres viúvas e órfãos e abusa da riqueza para mais livre e desembaraçadamente se entregar aos caprichos, vícios e pecados, corre grande perigo de se perder eternamente. O exemplo dos Santos Cosme e Damião confundirá os ricos no dia do juízo final. Se bem que tarde, compreenderão que é um grande engano pensar, como pensaram, que a piedade, a prática da virtude é só para o pobre, para o homem do povo, para o sacerdote, a freira e o eremita.

Santos do Martirológio Romano, cuja memória é celebrada hoje:

Em Roma, o martírio de Santa Epícaris, esposa de um senador, morta na perseguição de Diocleciano.

Em Córdova, os santos irmãos Adolfo e João, que morreram mártires na perseguição dos Árabes.

Em Biblos, na Fenícia, o bispo Marco, que no Evangelho de São Lucas é chamado João.

Notas
  1. PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-ii