27 de março — São Ruperto, Bispo

27 de março — São Ruperto, Bispo
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Extraído de uma edição de 1928 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1

São Ruperto, o grande Apóstolo da Baviera, viveu no século VI da era cristã. De sangue real, pertencia à família dos reis Francos. Favorecido por Deus, desde os verdes anos, seu espírito dirigiu-se às coisas santas, e pelo seu amor à oração, às virtudes e à penitência, era um modelo de perfeição cristã. Tudo isto, e seu profundo saber fizeram com que fosse eleito Bispo de Worms, sendo então rei da França Childeberto. Em Worms e sua redondeza existiam ainda muitos pagãos e hereges. Muitos deles atenderam à voz do Pastor que os chamava ao aprisco de Jesus Cristo. Outros, porém, moveram-lhe guerra atroz e conseguiram, pelas suas calúnias, que o Bispo fosse deposto e expulso da cidade.

Com isto não desanimou o Apóstolo da causa de Cristo; mesmo expulso, não abandonou a grei. De vez em quando visitava suas ovelhas, animando-as na luta contra a perseguição.

Era duque da Baviera Theodo, pagão, casado com Reginotrudes, cristã fervorosa. Embora idólatra, sentia-se inclinado para a fé cristã, devido às explicações que de sua esposa recebia sobre esta religião. Pelas informações que teve de Ruperto, enviou a este uma mensagem, convidando-o para pregar o Evangelho na Baviera. Ruperto aceitou o convite e dirigiu-se com alguns sacerdotes à Baviera. Theodo preparou-lhe uma recepção festiva em Ratisbona, e manifestou o desejo de ser instruído na religião cristã. Com ele muitos fidalgos e grande parte do povo abjuraram a idolatria e receberam o Batismo com grande solenidade. A missão do Apóstolo estendeu-se até Salzburgo. Por onde queria que fosse Ruperto, caíam os ídolos e os povos aos milhares entravam na Igreja de Cristo.

Em Theodo a nova Igreja teve um braço forte de defesa e um grande auxiliador. Sob seus auspícios ergueram-se templos e conventos em todo o país e, achando-se às vascas da morte, recomendou a seu filho Theodoberto a perseverança na fé, a propaganda e consolidação da religião cristã no ducado e obediência ao Santo Bispo Ruperto. Theodoberto cumpriu fielmente a palavra dada ao pai na hora da morte, e a obra da propaganda da fé progrediu extraordinariamente também no seu governo. Ruperto chamou ainda outros missionários e fundou um convento de religiosas em Salzburgo, nomeando superiora sua irmã Erentrudes. Deus suscitou muitas vocações religiosas, e depois de alguns anos estava a religião bem firmada e enraizada no ducado da Baviera.

A vida de Ruperto, tão trabalhosa e cheia de merecimentos, estava prestes a terminar. Deus revelou-lhe a proximidade da morte. Ruperto visitou ainda sua irmã, exortou-a à perseverança e pediu suas orações. A despedida das Irmãs foi sentidíssima. Erentrudes desejava obter de Deus a graça de morrer antes de Ruperto, mas este consolou-a com a vontade divina e prometeu-lhe pedir a Deus que a chamasse ao céu logo depois da sua morte. Os dias que se seguiram, o Santo passou-os em preparação para a morte. No dia da Páscoa celebrou sua última Missa, fez ainda uma alocução aos fiéis, pedindo-os que conservassem a fé, a caridade e a santa união. Poucos dias depois entregou o espírito a Deus. Suas últimas palavras foram: “Em vossas mãos, Senhor, encomendo o meu espírito.” Toda a Baviera chorou a morte do Santo Bispo e o único consolo do povo era, ter a certeza de no céu possuir um grande protetor. Algum tempo depois Ruperto apareceu à sua irmã e disse-lhe: “Vem, minha querida irmã, receber o reino de Cristo, para que tanto trabalhaste.” Erentrudes adoeceu gravemente e três meses depois da morte de seu irmão faleceu também.

Reflexões

1. Uma das virtudes mais difíceis para se praticar, é a da mansidão. A mansidão exige domínio absoluto da vontade sobre o nosso gênio. A mansidão não permite palavras ásperas, expressões de escárnio, de injúria. A mansidão detesta explosões de ira, de blasfêmia e de ódio. Ainda que seja difícil adquirir-se a mansidão, impossível não é. Prova disto temos na vida de São Ruperto, de São Francisco de Sales e de outros Santos. Com boa vontade e vigilância contínua sobre os movimentos do nosso gênio, e principalmente com o auxílio da divina graça, conseguiremos ser mansos. O modelo por excelência da mansidão é Nosso Senhor Jesus Cristo, que nos convida para praticar esta virtude, dizendo-nos: “Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração” (Mateus 11, 29). “Poder-se-á esperar, que Deus dê sua graça aos que jejuam, aos que vivem castamente, àqueles que dão esmola e praticam o bem? Sem dúvida lhes comunicará suas graças, mas os mansos receberão parte maior” (São João Crisóstomo).

2. A vida de São Ruperto foi apostólica no serviço de Deus pela salvação das almas. Que fazes tu, já não pergunto para salvar os outros, que fazes tu para salvar tua própria alma? Tens vontade séria de te santificar? Se é sério, teu desejo deve ser constante também, e não degenerar em simples veleidade. Para salvar a alma são necessários: o recolhimento, o trabalho, a paciência, a humildade, o espírito de sacrifício e de oração, o desprezo do mundo e de suas vaidades — não só hoje, não só uma ou outra vez, mas sempre: hoje, amanhã e todos os dias de nossa vida. O Céu é o reino de Deus, que se conquista só com sacrifício. “O céu padece força e só os que se esforçam nele entrarão”.

Notas
  1. PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-i_202312
27 de março — São Ruperto, Bispo — Padre João Batista Lehmann