26 de outubro — Santos Luciano e Marciano († 250)

26 de outubro — Santos Luciano e Marciano († 250)
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Extraído de uma edição de 1935 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1

Tenebrosa e nada edificante foi a vida dos dois jovens Luciano e Marciano, antes da conversão ao cristianismo. Nascidos no paganismo, foram educados segundo os princípios do mesmo; mas, em vez de seguirem o exemplo de bons cidadãos, afastaram-se tanto do caminho da virtude e honradez, que eram o horror das matronas e donzelas honradas. Entregues às práticas da feitiçaria, gabavam-se das suas relações com os maus espíritos e do poder que deles recebiam. Em certa ocasião empregavam todas as artimanhas para enredar uma donzela cristã; para este fim invocaram os maus espíritos, obtendo dos mesmos a confissão de serem impotentes contra os filhos de Deus. Esta declaração fê-los pensativos e, na mesma hora, tomaram a resolução de render culto a um Deus tão poderoso. A graça de Deus operou neles com tanta insistência e eficácia, que de vez largaram o torpe ofício e pediram admissão entre os catecúmenos. Queimaram publicamente os livros cabalísticos e declararam-se discípulos de Cristo. Ao povo, que com razão disto se admirava, disseram: “O Senhor esclareceu o nosso entendimento; libertou-nos das sombras da morte, em que até agora nos achávamos e conduziu-nos à salvação. Até agora estivemos debaixo da influência perniciosa dos demônios, e o nosso saber era vão. Agora, porém, reconhecemos em Cristo o Deus verdadeiro e nele pusemos toda a nossa esperança.

Tendo recebido o santo batismo, abandonaram as famílias e os bens, e procuraram um lugar solitário, onde se entregaram a obras de mais rigorosa penitência. Tinham por alimento pão e água e da solidão só saíam para assistir à santa Missa, ocasião em que faziam acusação pública dos pecados da vida passada.

De feiticeiros e ministros do demônio, transformaram-se em Apóstolos intemeratos da doutrina de Jesus Cristo e esclareceram os pagãos, dizendo-lhes que a religião pagã era vã e errônea. Ouvindo-os falar deste modo, o povo muito se admirou, dizendo: “É possível que os mesmos que ontem nos ensinaram as artes mágicas, hoje andem pregando o Crucificado, a quem antes perseguiam?”

Os dois novos Apóstolos, porém, responderam-lhes: “Ficai certos disto, irmãos, se tivéssemos reputado boa nossa vida anterior, nunca nos teríamos convertido a Cristo; por isto convertei-vos também vós, para que salveis as vossas almas”.

Os pagãos, porém, não se conformaram com estas exposições; ao contrário, encolerizaram-se, prenderam os dois jovens e conduziram-nos perante o tribunal do governador Sabino.

Este dirigiu a Luciano esta pergunta: “Como te chamas e qual é a tua procedência?”

Luciano respondeu: “Antes era perseguidor da lei santíssima; hoje sou indigno pregador e propagador da mesma”.

“Com que direito fazes a tua pregação?” — continuou Sabino no inquérito.

“Todo aquele, — respondeu Luciano, — que aceita esta lei, tem o direito de ganhar seu irmão e livrá-lo do erro, para que se firme na graça e liberte o irmão das ciladas do demônio”.

Dirigindo-se Sabino a Marciano, fez-lhe as mesmas perguntas, indagando-lhe o nome, a família e a profissão. Depois repreendeu a ambos, por terem abandonado os deuses e rendido culto a um homem morto e crucificado, que nem pôde salvar a si mesmo.

Marciano respondeu: “Foi ele mesmo que perdoou os nossos pecados e, como a São Paulo, deu-nos a graça de nos transformarmos em seus defensores, nós que éramos seus inimigos”.

Sabino novamente os exortou a que voltassem ao serviço dos deuses e assim fazendo, com a graça do Imperador, conservassem a vida. Luciano respondeu: “Loucura é o que nos dizes. Longe de voltarmos à abjeta idolatria, damos graças a Deus, que na sua misericórdia nos tirou das trevas da morte e nos manifestou sua magnificência”. A outras objeções respondeu Marciano: “Os cristãos põem a honra em desprezar as coisas desta vida terrestre, a única que conheces; mas, em recompensa, esperam a glória da vida eterna. É nosso desejo que Cristo te dê a mesma graça e te faça compreender a grandeza e bondade com que recompensa àqueles que nele creem”. O governador prosseguiu: “Que graça vos deu, vemos agora, tendo-vos entregue em minhas mãos”, ao que Luciano respondeu: “Já te dissemos uma vez que a honra dos cristãos e a promessa de Cristo consistem unicamente em alcançar a vida eterna, após uma luta constante e vitoriosa contra o demônio e o desprezo das coisas deste mundo”. — “Deixa estas parvoíces, — interrompeu o governador, — oferecei sacrifícios aos deuses, obedecei às ordens do Imperador, para que me não veja obrigado a condenar-vos”. Marciano respondeu: “É justamente o que desejamos que nos faças. Preferimos mil vezes sofrer as penas do martírio que, negando a Deus vivo e verdadeiro, sermos precipitados no fogo inextinguível do inferno, que Deus preparou para o demônio e seus servos”. Ouvindo isto, Sabino terminou o julgamento, pronunciando contra eles a sentença de morte pela fogueira.

Chegados ao lugar do suplício, longe de se mostrarem abatidos, deram graças a Deus, dizendo: “Graças vos damos, Senhor Jesus Cristo, que nos tirastes do erro da idolatria! Graças vos damos, porque nos achastes dignos de sofrer por causa do vosso Santo Nome! A Vós sejam dadas honra e glória! A Vós recomendamos as nossas almas!” Entre cânticos e louvores a Deus, subiram à fogueira, onde completaram o holocausto.

O martírio de Luciano e Marciano teve lugar no ano de 250 aproximadamente, sob o governo do Imperador Décio. O martirológio romano comemora-lhes a morte no dia 26 de outubro.

REFLEXÕES

Uma vez convertidos ao cristianismo, Luciano e Marciano procuraram ganhar para a religião de Cristo os amigos e companheiros de pecado. Muito bem podem fazer os que provocam boas conversações. Uma boa palavra, um aviso, uma salutar advertência pode contribuir muito para que determinados pecados não se cometam. Se todos se convencessem da grande eficácia do apostolado da palavra, quanto bem não se faria à sociedade e às almas, que tantas e tantas necessidades sofrem! No entanto, vemos e observamos por toda a parte o mau efeito da má palavra. As epístolas de São Paulo estão cheias de exortações aos fiéis, para que se abstenham da má conversa. “Palavra má nenhuma deve partir da vossa boca, mas falai só o que é bom e seja de edificação na fé” (Efésios 4, 29). “Afastai para longe de vós todo o azedume, rancor, ódio, gritaria e maledicência, como toda a sorte de malícia”.

Santos do Martirológio Romano, cuja memória é celebrada hoje:

Em Roma, a memória do martírio do Papa Evaristo, no tempo do Imperador Adriano. 121.

Em Salerno, o santo bispo Gaudioso. Sec. 7.

Na África, os Santos Mártires Rogaciano, presbítero, e Felicíssimo. Sec. 3.

Notas
  1. PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-ii
26 de outubro — Santos Luciano e Marciano († 250) — Padre João Batista Lehmann