26 de julho — Santa Ana, Mãe da Santíssima Virgem Maria
26 de julho — Santa Ana, Mãe da Santíssima Virgem MariaExtraído de uma edição de 1935 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1
Que tarefa mais difícil poderá haver, que escrever a vida de pessoa de quem há escassez extrema de notas biográficas! Eis o caso de difícil solução, para quem deseja esboçar a vida de Santa Ana, mãe de Maria Santíssima. Nos Santos Evangelhos palavra alguma faz menção dos pais da bem-aventurada Virgem. O pouco que deles sabemos, é tirado do protoevangelho de Tiago, livro antiquíssimo, que, pelo título, por muitos é considerado obra do Apóstolo São Tiago. Esta obra é citada em diversos trabalhos dos Padres da Igreja oriental (Epifânio, Gregório de Nissa) e de fato por eles era considerado como documento de alto valor.
Não tão boa acolhida achou o protoevangelho na Igreja ocidental. São Jerônimo e Santo Agostinho rejeitam em absoluto as obras apócrifas e com eles outras sumidades da hierarquia latina.
Essa reserva, que observamos nos livros dos Padres latinos, no Martirológio e no próprio Breviário romano, acerca do protoevangelho de Tiago, não pôde impedir que a devoção à Mãe de Maria Santíssima se divulgasse e se arraigasse no coração do povo católico. O culto público de Santa Ana, aprovado pela Santa Sé, data de 1378, ano em que o Papa Urbano VI o permitiu aos católicos da Inglaterra. Em 1584 foi confirmada essa aprovação e fixada a festa de Santa Ana para o dia 26 de julho. No Oriente, a devoção a Santa Ana é muito mais antiga.
As relíquias de Santa Ana, em 710, teriam sido transportadas da Palestina para Constantinopla. De lá foram distribuídas entre muitas Igrejas do Ocidente. Uma grande relíquia da mãe da Santíssima Virgem existe na Igreja de Santa Ana em Düren (Renânia).
Reflexões
Contam autores sacros do nosso tempo e do tempo antigo, que Santa Ana e seu esposo, São Joaquim, muito se entristeceram por Deus não lhes ter dado a bênção da prole ao matrimônio, e que Maria Santíssima, a Virgem bendita, a esperada dos séculos, era o fruto das orações e penitências do santo casal. Consolem-se os esposos, de quem Deus quer o mesmo sacrifício. O que Deus determina e faz, está bem feito. Tudo lhe obedece aos planos. Sabe Ele que a existência de filhos seria a perdição de alguns, como é certo que muitos pais se condenam pelos filhos, a quem não dão a educação necessária. Reza uma piedosa tradição, que os santos esposos Ana e Joaquim ofereceram a Deus a filhinha, quando esta tinha três anos apenas. Assim o maior cuidado dos pais devia ser educar os filhos para Deus e entregá-los ao seu santo serviço, quando neles se revelassem sinais indubitáveis de vocação religiosa ou eclesiástica. Santa Ana, de muito boa vontade, fez o sacrifício de separação da filhinha, sabendo que Deus a reservara para si. Por que pais cristãos não imitam este belíssimo exemplo da santa mãe de Maria, entregando a Deus o que de mais caro têm aqui na terra, se assim for a vontade divina? Grande é o pecado dos pais e grande a responsabilidade, quando contrariam os planos de Deus, opondo-se à vocação clara e provada dos filhos. Dizemos: à vocação clara e provada; porque sempre houve e há pessoas que entram no estado religioso e sacerdotal sem ser por Deus chamadas. Pais há que obrigam os filhos a abraçar o estado religioso, tendo para isto motivos meramente de interesse. Isto é dar os filhos, não a Deus, mas à perdição.
São Paulo recomenda muito o estado de virgindade, àqueles que sentem em si força bastante, para aceitar o jugo que este estado lhes impõe. Aos outros, porém, que não receberam a graça da continência, manda que se casem. "Quem não pode viver em continência, deve casar-se. É melhor que se casem, do que ardam em paixão".
Mais frequente ainda é a interferência dos pais, quando se trata da vocação sacerdotal ou religiosa. Muitas vocações se perdem, não se desenvolvem, não chegam a ser conhecidas, por causa dos pais que, não só não cultivam no lar o espírito religioso, mas antes o desprezam e oprimem. Essa frieza, essa indiferença, que muitas vezes degenera em antipatia e ódio contra a religião, prejudica não só as almas dos filhos, como também priva a Igreja de Deus de ótimos elementos, retarda a obra de Cristo na salvação das almas. Pais cruéis! Tiranos que sois de vossos filhos e filhas! No juízo de Deus eles contra vós se levantarão e chamarão por vingança. Vereis então as consequências terríveis do vosso egoísmo, da vossa ambição e tarde virá o vosso arrependimento.
Santos do Martirológio Romano, cuja memória é celebrada hoje:
Em Filipos o martírio de Santo Erasto, discípulo de São Paulo e por este nomeado bispo de Filipos.
Em Roma, na Via Latina, os mártires Sinfrônio, Olímpio, Teódulo e Exupéria, que pelo fogo ganharam a palma do martírio. 256.
No Porto Romano São Jacinto, que saiu ileso da fogueira e da água; morreu degolado por mandado do Cônsul Leôncio, sendo Imperador Trajano. 2 sec.
Notas
- PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-ii ↩