25 de setembro — São Firmino, Bispo e Mártir

25 de setembro — São Firmino, Bispo e Mártir
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Extraído de uma edição de 1935 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1

O nome de São Firmino figura nas atas dos Mártires como o primeiro Bispo de Amiens e uma das mais nobres vítimas das perseguições do século terceiro.

Considerando, porém, a grande cópia dos trabalhos apostólicos, não só na diocese, mas em todos os pontos da França, do zelo ardentíssimo que desenvolvia pela causa da Santa Igreja, principalmente no tempo em que mais furiosa andava a perseguição, é de justiça conceder-lhe as honras de Apóstolo das Gálias. Natural de Pamplona, na Espanha, teve Firmino a ventura de pertencer a uma família rica e bem firmada nos princípios da religião. Os pais, Firmino e Eugenia, antes pagãos, deveram ao sacerdote Honesto a graça da admissão ao santo batismo. Esse exemplo fez com que outras famílias importantíssimas se aproximassem também da religião de Cristo e pedissem as águas do renascimento. Entre estes convertidos se achavam os senadores Faustino e Honorato, a quem a Igreja já concedeu a honra dos altares.

Firmino tantos progressos fez no conhecimento das verdades da fé, como na prática das virtudes, que o povo, edificado por este exemplo, desejou que fosse o seu guia, desde que Honesto, impedido pela idade avançada, não mais podia dirigir os destinos do rebanho. Em Tolosa, recebeu Firmino o santo sacramento da Ordem e a sagração episcopal, munido assim de jurisdição apostólica para pregar o Evangelho aos povos que ainda estavam nas trevas do paganismo.

Agen e Auvergne foram os lugares da França que primeiro tiveram a felicidade de serem evangelizados por São Firmino. Numerosíssimas foram as conversões que, pela palavra e mais ainda pelo exemplo de santidade, alcançou.

Não lhe faltou a contradição e a perseguição ardilosa e trêfega dos inimigos, principalmente dos sacerdotes da religião abandonada. Entre eles, merecem menção Arcádio e Rômulo que, tendo movido guerra tremenda contra o Apóstolo, acabaram curvando a cabeça perante a majestade de Jesus Cristo e aceitando-lhe a doutrina.

Da Auvergne, dirigiu-se Firmino a Angers e Beauvais, onde batizou muitos pagãos. A Igreja de Beauvais sofria cruel perseguição da parte do governador Valério, o qual ameaçou a Firmino com cruéis torturas e a morte, se continuasse a pregar a doutrina cristã. Firmino, porém, respondeu-lhe com firmeza, pelo que Valério lhe ditou apenas a pena de flagelação.

De Beauvais, Firmino passou a Amiens, metrópole do bispado recém-criado. Dentro de pouco tempo, se converteram em Amiens mais de 3.000 pessoas à fé cristã.

Alarmado com este movimento religioso, o governador romano deu ordem para que Firmino fosse metido na prisão. Temendo o povo, que muito venerava o santo Bispo, não ousou sentenciá-lo publicamente e deu ordem para que fosse decapitado no cárcere. Firmino morreu em 285 e o corpo descansa na catedral de Amiens.

Reflexões

“Quem perseverar até o fim, será salvo”, diz Nosso Senhor (Mateus 10, 22). São Firmino apresenta-se-nos como um homem constante, soldado de Cristo, fiel e dedicado, que defende a fé contra os mais terríveis inimigos. A perseverança no bem até à morte é a maior felicidade para o homem, porque lhe proporciona a posse do Supremo Bem. Uma vida inocente, passada no mais fiel cumprimento dos deveres, unida a Deus pela graça e pela mais perfeita amizade, é o que constitui a felicidade do homem na terra. Tudo o mais, que o mundo diz ser felicidade e alegria, é ilusão e engano. A perseverança é uma graça que nos garante o valor das nossas boas obras na eternidade.

Embora seja a perseverança uma graça que de Deus gratuitamente recebemos, facilmente a poderemos perder, se cometermos um pecado grave. Deus não permite que sejamos tentados acima das nossas forças, e sua graça é suficiente para vencermos todas as tentações. Quem, porém, procura o perigo, não deve mais contar com o auxílio divino. Evitar o pecado é, portanto, uma das condições indispensáveis para alcançar a graça final. Esta graça recompensa bem todo o sacrifício que fizermos, para nos manter na amizade de Deus. A morte é o eco da vida. “Sê fiel até à morte e dar-te-ei a coroa da vida” (Apocalipse 2, 10).

Santos do Martirológio Romano, cuja memória é celebrada hoje:

Em Emaús, o martírio de São Cléofas, discípulo de Nosso Senhor, um dos dois que o conheceram quando, em sua presença, partia o pão.

Em Anagni, as santas virgens Aurélia e Neomísia. Nativas da Ásia, visitaram os santos lugares na Palestina e vieram a Roma. Em Cápua, caíram nas mãos dos Sarracenos e conseguiram, porém, fugir, retirando-se para Anagni, onde morreram no sec. 11.

Em Roma, o martírio do soldado Santo Herculano. Sec. 2.

Notas
  1. PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-ii