25 de outubro — Santos Crispim e Crispiniano, Crisanto e Daria, Mártires
25 de outubro — Santos Crispim e Crispiniano, Crisanto e Daria, MártiresExtraído de uma edição de 1935 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1
Célebres na Igreja da França são os nomes de Crispim e Crispiniano. Em meados do século terceiro partiram de Roma diversos homens apostólicos, chefiados por São Quintino, para pregar o Evangelho nas Gálias.
Entre eles se achavam São Crispim e São Crispiniano. Chegados a Soissons, lá fixaram residência. Diz a lenda que, embora de descendência nobre, ganhavam o pão como humildes operários. Durante o dia, eram missionários; trabalhavam de noite na pobre oficina de sapateiro. Passaram-se anos, quando foi a Soissons Maximiano Hercúleo, com ordens imperiais de aplicar medidas restritivas e proibitivas contra a religião cristã. Crispim e Crispiniano foram metidos no cárcere e entregues à jurisdição de Rictião Varo, inimigo acérrimo do nome cristão. Os dois irmãos, resistindo fortemente a todas as tentativas de fazê-los abandonar as crenças, foram condenados a penas crudelíssimas e finalmente à morte pela espada. No século sexto foi construída em Soissons, belíssima igreja em honra destes dois gloriosos mártires, cujas relíquias nela se acham depositadas.
Crisanto e Daria, cuja festa se celebra hoje, tinham vindo do Oriente para Roma. Embora casados, viviam em completa continência, para assim, aspirando à pureza do coração mais perfeita, poderem servir mais santamente a Deus. O zelo, as práticas piedosas do casal não podiam passar despercebidas. Os pagãos, desconfiando da sua religião, descobriram finalmente que eram cristãos. Bastou isto para serem processados e condenados a penas duríssimas. Em 237 coroaram a constância com o martírio. Vendo a fortaleza e dedicação dos mártires à religião, muitos pagãos se converteram ao cristianismo e, como Crisanto e Daria, morreram mártires.
São Gregório de Tours refere que os cristãos costumavam reunir-se na gruta onde estavam enterrados os corpos dos Santos. Em certa ocasião, quando muitos fiéis lá se achavam, o Prefeito da cidade mandou cercar o lugar e todos morreram pela fé. As relíquias de Crisanto e Daria foram descobertas na Via Salária, quando era Imperador Constantino, o Grande. Esta parte das catacumbas conservou por muito tempo o nome de Crisanto e Daria. O Papa Dâmaso deu ao túmulo dos dois mártires grande importância e distinguiu-o com um belíssimo epitáfio. Em 866 os corpos dos companheiros mártires de São Crisanto e Daria foram transportados pelo Papa Estêvão VI para a igreja lateranense e para a Basílica dos santos Apóstolos. As relíquias de São Crisanto e Daria passaram em 842 para a abadia de Prüm, na diocese de Tréveris e dois anos depois para o convento de São Nabor, na diocese de Metz.
REFLEXÕES
O grandioso exemplo dos mártires deve animar-nos na luta contra o pecado e seus encantos. Na hora da tentação a lembrança dos mártires é utilíssima, porque nos recorda sua felicidade, perseverança e fé, que prefere sofrer tudo a faltar à palavra dada a Deus. No combate contínuo contra o pecado também nós faremos a experiência de que a resistência é sempre recompensada por uma grande alegria íntima, ao passo que a concessão que se faz ao tentador, é sempre seguida de remorsos de consciência. Que consolo para nós, se, depois de fortemente tentados, pudermos dizer: Fui fiel com a graça de Deus, não sucumbi. A vitória sobre o pecado enche a nossa alma de confiança em Deus e dá-nos novo ânimo para prosseguir vitoriosos. Jesus Cristo, que combateu ao nosso lado, será o nosso companheiro também no futuro. É Ele que nos dará a palma da vitória, a coroa da vida eterna.
Santos do Martirológio Romano, cuja memória é celebrada hoje:
Em Roma, a morte de quarenta e seis mártires que pouco antes tinham recebido o batismo das mãos do Papa Dionísio. 269.
Em Florença, o martírio do soldado Minias, do exército imperial de Décio. 251.
Em Torres de Sardenha, o martírio de Proto e Januário. 303.
Notas
- PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-ii ↩