25 de julho — São Tiago, Apóstolo

25 de julho — São Tiago, Apóstolo
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Extraído de uma edição de 1935 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1

O Apóstolo Tiago, chamado o maior, era natural da Galileia, filho de Zebedeu e Maria Salomé, irmão do Apóstolo e Evangelista São João. Estando um dia, com o pai e o irmão, a consertar redes, passou Jesus e disse-lhes: "Segui-me". João e Tiago obedeceram imediatamente; deixaram o pai e as redes, seguiram Jesus e ficaram-lhe fiéis discípulos, até os dias da sagrada Paixão.

Santo Epifânio afirma que Tiago viveu sempre em perfeita castidade. Incontestável é que São Tiago foi um dos Apóstolos mais íntimos de Jesus Cristo.

O Evangelho relata que, em ocasiões determinadas, Jesus se fazia acompanhar só de três Apóstolos: São Pedro, São João e São Tiago, como aconteceu na ressurreição da filha de Jairo, na Transfiguração no Monte Tabor e na Agonia no Horto das Oliveiras.

Jesus Cristo chama os dois irmãos, João e Tiago, Boanerges (que significa Filhos do Trovão), talvez para indicar que mais tarde seriam homens, cuja palavra abalaria os corações, movendo-os a aceitar a verdade da nova religião.

São Lucas narra um fato, que caracteriza bem a índole dos dois irmãos, como também sua dedicação ao Divino Mestre. Quando chegaram a uma cidade na terra dos Samaritanos, estes não os quiseram deixar entrar. João e Tiago viram nisto uma injúria feita ao Mestre e exprimiram a indignação nestas palavras: "Queres, Senhor, que mandemos cair fogo do céu sobre esta cidade, para consumi-la?" — Jesus repreendeu-os, por causa da irreflexão e disse: "Não sabeis de que espírito sois! Não veio o Filho do Homem perder, mas salvar as almas".

No Evangelho de São Mateus lemos que, um dia, a mãe destes dois Apóstolos veio pedir a Jesus que os colocasse no seu reino, um à direita e outro à esquerda. Evidentemente o pedido da mãe interpretava o desejo íntimo dos dois Apóstolos. Jesus repreendeu-os ainda e disse: "Não sabeis o que pedis. Podeis beber o cálice que hei de beber?" — Eles responderam resolutamente: "Podemos". De fato beberam o cálice do Divino Mestre, como prova a história da sua vida e morte.

Depois da Ascensão de Jesus Cristo, Tiago pregou o Evangelho em Jerusalém e em todo o país dos Judeus. Mais tarde foi à Espanha. Quanto tempo lá ficou e quantos se converteram à religião de Jesus Cristo, não o sabemos. Passados anos, voltou a Jerusalém e trabalhou na conversão dos Judeus. Muitos abraçaram o cristianismo. Outros, porém, declararam-se-lhe inimigos e tramaram contra a vida do Apóstolo. Herodes Agripa, criatura do imperador Calígula e rei da Palestina, embora não fosse Judeu, mostrou-se a favor do Judaísmo e encetou uma perseguição atroz contra os fiéis da Igreja de Cristo. São Tiago foi a primeira vítima da sua astúcia. Quando, em 43, de Cesareia foi a Jerusalém, para celebrar a Páscoa, Herodes ordenou que o prendessem e que fosse decapitado.

Eusébio diz que o próprio acusador de Tiago ficou tão comovido, pela firmeza e intrepidez do Apóstolo, que se declarou cristão e sofreu o martírio com o mesmo. Chegado ao lugar do suplício, prostrou-se aos pés de Tiago e pediu perdão da traição que lhe tinha feito. O Apóstolo fê-lo levantar, abraçou-o e disse-lhe: “A paz esteja contigo”. Ambos foram decapitados no ano 44, no mesmo dia que Jesus Cristo morreu no Gólgota. O corpo de Tiago achou descanso em Jerusalém; pouco depois, porém, foi pelos discípulos levado à Espanha e depositado em Iria Flávia, hoje Padrón, na fronteira da Galiza. As relíquias foram encontradas em princípio do século IX e, por ordem do rei Afonso, transladadas para Compostela, que é até hoje um santuário celebérrimo, para onde se dirigem milhares de peregrinações da península ibérica. Numerosos milagres glorificaram o túmulo do Apóstolo, cuja proteção à Espanha tem sido bem visível, no decorrer dos séculos.

O Arcebispo Payá y Rico descobriu novamente, em 1884, as relíquias do Santo, cujo jazigo tinha cabido em esquecimento.

Reflexões

Tiago seguiu imediatamente o chamamento de Jesus Cristo. Aprende do Apóstolo, que também tu deves seguir prontamente, quando a graça de Deus te chama para converter-te do pecado. Adiar a conversão e a penitência até a hora da morte, é expor a alma ao perigo de perder-se eternamente. Conheces as tentações horríveis, que o demônio te reserva e os ataques furiosos, que planeja contra tua alma, na hora da morte? Quem te garante que, na hora extrema, não te verás assaltado por tentações terríveis contra a fé, contra a misericórdia de Deus, e tua alma não se achará mergulhada em trevas horríveis, como só o pecado, o desespero e o orgulho as podem produzir? Quem te garante que terás o tempo necessário para fazer uma boa confissão e receber os Santos Sacramentos, nas disposições em que desejas recebê-los? Em que circunstancias se dará tua morte? Ninguém te pode dar resposta acertada a essa pergunta. A graça de uma boa morte é de todos os benefícios o maior, que de Deus esperamos que no-la conceda. Dos pecadores, porém, afirma a Sagrada Escritura, que má será sua morte. Por quê? Porque a regra é ser a morte o eco da vida. Qual vida, tal morte. Antíoco, aquele monstro vestido de púrpura real, o profanador do templo de Jerusalém, vendo-se ferido por Deus, e sem esperança de prolongar a vida, sob uma torrente de lágrimas, pede perdão a Deus. Com o protesto de dar-lhe a mais ampla satisfação, promete converter-se, promover a glória de Deus, proteger-lhe a santa religião e restituir os bens roubados. Dir-se-ia que o perdão de Deus não tardaria e Antíoco, o grande pecador, agora penitente, seria recebido na graça de Nosso Senhor. Mas, que diz a Sagrada Escritura? “O malvado gritou pelo Senhor, de quem não havia de esperar misericórdia”. Por quê Deus não se compadeceu? Porque a penitência de Antíoco era de aparência somente. Mais o afligia a horrível doença, do que o pecado, com que ofendera a Deus. — Antes de tudo, sinceridade também para com Deus. Sinceridade na família, na sociedade, sinceridade também na religião. Sinceridade principalmente na penitência, para que não nos seja aplicada a palavra da Sagrada Escritura: “Eu te chamei, mas não quiseste ouvir; agora rio-me da tua perdição”. Um coração sincero, humilhado e contrito Deus não rejeitará. Infinita é a sua misericórdia e pecador nenhum deve entregar-se ao desespero. Jesus perdoou ao bom Ladrão, para que te prevaleças de coragem. Em pecados deixou morrer o companheiro, para que não te entregues a uma falsa segurança.

Santos, cuja memória é celebrada hoje:

Na Palestina, o mártir São Paulo, no tempo do imperador Galério Maximiano.

Na Palestina o martírio da santa virgem Valentina. 307.

Na ilha Salsete, perto de Goa, o martírio do bem-aventurado Rodolfo Acquaviva e quatro companheiros seus da Companhia de Jesus. 1583.

Notas
  1. PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-ii