25 de janeiro — Conversão de São Paulo, Apóstolo

25 de janeiro — Conversão de São Paulo, Apóstolo
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Extraído de uma edição de 1928 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1

Grande é o Senhor. Ele dirige os corações, como torrentes d’água. Se quer que pobres pastores sejam os primeiros a prestar homenagens ao Menino Deus, Ele os convida por vozes angélicas; se quer que reis de terras longínquas venham adorar o Menino no presépio de Belém, Ele chama-os e guia-os por uma estrela maravilhosa; quando precisa de operários para a sua vinha, Ele diz aos pobres pescadores do lago Tiberíades: “Segui-me”; se quer dar um grande Apóstolo aos gentios, Ele despedaça o coração irrequieto do jovem Saulo e transforma-o em coração de dedicado discípulo de Cristo, a ponto de fazê-lo exclamar: “Eu vivo, porém, não eu, mas Cristo vive em mim!”.

Saulo, natural de Tarso, na Cilícia, filho da tribo de Benjamim e ao mesmo tempo cidadão romano, possuía talentos extraordinários, bons e nobres sentimentos, aliados a uma força de vontade inquebrantável. No tempo em que Jesus Cristo pregava o Evangelho na Palestina, Saulo, assentado aos pés do célebre Gamaliel, estudou as ciências dos Santos Livros. Seus belos talentos, sua aplicação, e sobretudo seu zelo ardente pela lei de Moisés e as tradições do seu povo, chamaram a atenção dos fariseus.

O crescimento rápido da Igreja de Jesus de Nazaré, o aumento espantoso do número dos discípulos de Cristo crucificado fizeram com que no coração de Saulo se incendiasse um ódio mortal aos cristãos, por ele considerados traidores da causa pátria. Qual lobo voraz, tinha sede pelo sangue dos mesmos, e quando o primeiro mártir morreu, vítima do ódio dos fariseus, os algozes depositaram suas vestes aos pés de Saulo. Mas o jovem diácono vingou-se do jovem fariseu, alcançando sua conversão, através de suas orações.

Incitado constantemente pelo ódio dos fariseus, Saulo foi ao Sumo Sacerdote e pediu-lhe cartas para a sinagoga de Damasco, com poderes para trazer presos para Jerusalém todos os partidários de Jesus, homens e mulheres. Em caminho, já perto de Damasco, de repente reluziu em torno dele uma luz, vinda do céu. Caiu por terra e ouviu uma voz, que lhe dizia: “Saulo, Saulo, por que me persegues?” Ele respondeu: “Quem sois vós, Senhor?” O Senhor disse: “Eu sou Jesus, a quem persegues.” Tremendo e todo assustado, disse: “Senhor, que devo fazer?” O Senhor respondeu-lhe: “Levanta-te e entra na cidade; lá se te dirá o que tens que fazer”. Os homens do seu séquito estavam estupefatos; ouviam muito bem a voz, mas não viam pessoa alguma. Saulo levantou-se, abriu os olhos, e não enxergava mais. Tomaram-no pela mão e levaram-no para Damasco. Ele passou três dias sem ver, e não comeu nem bebeu. Havia em Damasco um discípulo, chamado Ananias. O Senhor, numa visão, disse-lhe: “Levanta-te e vai à rua Direita; procura na casa de Judas um homem de Tarso, chamado Saulo. Neste momento ele ora” (e Saulo, numa visão, via um homem, chamado Ananias, entrar e impor-lhe as mãos para recobrar a vista). Ananias respondeu: “Senhor, tenho ouvido falar muito desse homem e do mal que fez aos santos em Jerusalém. Aqui mesmo ele tem plenos poderes dos príncipes dos sacerdotes para prender a todos aqueles que invocam vosso nome”. Porém, o Senhor disse-lhe: “Vai, este homem é um instrumento de minha escolha, para levar o meu nome às nações e aos reis, assim como aos filhos de Israel. Vou lhe ensinar, quanto tem de sofrer por meu nome”. Ananias foi. Entrou na casa, impôs as mãos a Saulo e disse-lhe: “Paulo, meu irmão, o Senhor Jesus, que te apareceu no caminho, manda-me para te restituir a vista, e encher-te do Espírito Santo”. No mesmo instante, caíram de seus olhos como que escamas, e ele pôde recuperar a vista. Ele levantou-se e fez-se batizar. Paulo ficou ainda alguns dias em Damasco com os discípulos; e logo pregou nas sinagogas, que Jesus é filho de Deus.

Os seus ouvintes ficaram admirados e diziam: “Não era ele, que em Jerusalém queria matar a todos que invocam este nome? E não veio aqui, com a determinação de levá-los amarrados aos príncipes dos sacerdotes?” No entanto, Paulo ganhava de mais a mais, e levava a confusão no meio dos judeus em Damasco, provando que Jesus é o Messias.

Depois de passar três anos na solidão da Arábia, Paulo voltou a Damasco. Então os judeus decidiram matá-lo. Paulo teve aviso da conjuração. Os judeus vigiavam as portas da cidade dia e noite, para não o perderem. Porém, os discípulos aproveitaram-se da noite, e desceram-no num cesto pelo muro.

Chegando a Jerusalém, Paulo procurou achegar-se aos discípulos, mas todos temiam, não acreditando na sua conversão. Então Barnabé tomou-o e levou-o aos Apóstolos. Contou-lhes que o Senhor tinha aparecido a Paulo em caminho, que tinha lhe falado, e da coragem com que Paulo se tinha declarado, em Damasco, em favor do nome de Jesus. Desde então Paulo ia e vinha com eles em Jerusalém, e falava com toda a liberdade no nome do Senhor.

Paulo, antes inimigo do nome de Cristo, tornou-se seu maior defensor. Ele que recebia cartas com ordens para destruir as Igrejas e aprisionar os cristãos; como Apóstolo, escreveu muitas epístolas para suma edificação dos fiéis, epístolas cheias de sabedoria e do Espírito Santo. Conhecendo o mal que fizera, conhecendo a gravidade dos seus pecados, empenhou toda sua energia na propaganda da doutrina e religião de Jesus Cristo.

Reflexões

Conversões como a de São Paulo há poucas. De grande pecador que foi, e inimigo declarado de Cristo e de sua obra, por uma graça excepcional São Paulo transformou-se em Apóstolo da religião cristã; como tal trabalhou com uma dedicação admirável, arrostou os maiores perigos e atrozes perseguições, das quais morreu vítima, selando com o sangue a sua amizade a Cristo e a fé em sua divina palavra. Esta conversão tão extraordinária põe em evidência a possibilidade da conversão do maior pecador, e ensina-nos que para os pecados mais graves há perdão, e não se deve nunca desesperar da misericórdia divina, que é infinita. É preciso, porém, que a conversão dos pecadores seja sempre objeto das nossas súplicas, diante do trono de Deus. Como a oração, o sacrifício, o martírio de Santo Estêvão alcançou para Saulo a conversão, assim a oração constante dos fiéis é um fator eminente na história da conversão dos pecadores. Os pecadores, por sua vez, aprendam da conversão de São Paulo, que como fez este grande Apóstolo depois de ter sido tocado pela graça divina, obedeceu incondicionalmente às ordens de Deus, apresentando-se ao sacerdote, assim também eles devem abrir o coração à voz divina, romper os laços que os prendiam ao pecado, e começar uma vida santa e agradável a Deus.

Notas
  1. PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-i_202312
25 de janeiro — Conversão de São Paulo, Apóstolo — Padre João Batista Lehmann