24 de setembro — São Gerardo Sagredo, Bispo e Mártir

24 de setembro — São Gerardo Sagredo, Bispo e Mártir
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Extraído de uma edição de 1935 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1

O Santo Bispo Gerardo, que segundo o testemunho do martirológio romano, merece o título de Apóstolo da Hungria, era natural de Veneza, onde nasceu, filho de pais ilustres e piedosos.

Educado numa escola beneditina, recebeu, além da instrução científica, ensinamentos sólidos na ciência de Deus e dos Santos. Foi no contato com sábios e santos mestres, que se lhe comunicou o amor pelas coisas divinas e aquele zelo pela salvação das almas, que mais tarde o habilitou a ser um digno sucessor dos Apóstolos.

Grande desejo nutria de visitar os santos lugares da Palestina, o que lhe foi dado satisfazer. Voltando do Oriente, passou pela Hungria, onde teve fidalga recepção do santo Rei Estêvão, o qual, descobrindo no hóspede dotes extraordinários, que o habilitavam para trabalhos apostólicos, pediu-lhe e insistiu para que não mais saísse da Hungria, e que cooperasse na grande obra a que se propusera o santo monarca — de converter ao cristianismo todos os súditos.

Gerardo anuiu ao pedido do Rei, e com o fim de habilitar-se para tão importante missão, retirou-se com os companheiros para a solidão, em que passou um espaço de tempo, entregue exclusivamente à prática de exercícios espirituais. Terminado o retiro, atirou-se ao trabalho apostólico, com a energia e dedicação próprias do seu caráter e fé.

Pouco depois faleceu o Bispo de Csanád. Indicado pelo Rei, Gerardo foi-lhe nomeado sucessor, embora tudo fizesse para seu nome não aparecer na lista dos apresentados. Em obediência à Santa Sé, aceitou o pesado cargo e a admirável administração que deu ao Bispado, justificou largamente as esperanças nele colocadas. Não só procurou destruir os últimos restos da idolatria, como também consolidar os fiéis na fé. Para alcançar uma e outra coisa, recorreu ao poder maternal de Maria Santíssima, cuja veneração mui calorosamente recomendava ao clero e ao povo.

Muito caridoso, destacava-se-lhe a caridade para com os pobres e doentes. Convidava leprosos para sua casa, onde lhes dispensava o mais caridoso trato, a ponto de ceder-lhes a própria cama, enquanto repousava deitado no chão. Sendo um pai para os pobres e infelizes, para si próprio reservava exercícios da mais dura penitência.

Ajudado pela graça divina, ganhou muitos pagãos para o grêmio da Igreja.

A morte do rei Estêvão deu início a múltiplas perseguições da parte dos sucessores. Tanto o Rei Pedro, que foi expulso por causa da sua requintada crueldade, como o usurpador Abas, declararam-se inimigos do santo Bispo. Pedro voltou, para ser novamente expulso, e Abas morreu sob os golpes do algoz. A coroa foi oferecida a André, filho de Ladislau, parente próximo de Estêvão, que a aceitou, apesar da condição infamante de restabelecer no reino o regime pagão com o culto dos deuses. Gerardo, com mais três Bispos, pôs-se a caminho de Stuhlweissenburg, para junto ao Rei se empenharem pela conservação da religião Católica como oficial. Chegados a Giod, Gerardo, após a Missa por ele celebrada, disse aos companheiros: “Nós todos ainda hoje, com exceção do Bispo de Benethe, seremos mártires pela fé”. Transpuseram o Danúbio, e mal tinham chegado à outra banda do rio, foram agredidos por um grupo de soldados do Duque de Vatha, um dos mais aferrados idólatras e ferrenho inimigo de Estêvão. Gerardo foi apedrejado e por fim mortalmente ferido por uma lançada. Dois outros Bispos, Bextardo e Buld, morreram na mesma ocasião. No meio da confusão do morticínio, apareceu o Rei, que pôde ainda arrancar o quarto Bispo das mãos dos verdugos. Ele mesmo se declarou a favor do Cristianismo, continuou a obra encetada por Santo Estêvão e reinou com muita felicidade.

O martírio de São Gerardo teve lugar em 24 de setembro de 1046, e as relíquias estão guardadas em Veneza, na igreja de Nossa Senhora de Murano.

Reflexões

São Gerardo deu um exemplo de caridade extraordinária para com os pobres, doentes e até com os inimigos, rezando por eles, como fizera Santo Estêvão — o protomártir. Esta caridade aplicada aos outros correspondia a um rigor fortíssimo contra si próprio. O corpo era-lhe continuamente objeto de penitências, jejuns e mortificações. Não permitia a si próprio o prazer lícito que dão divertimentos honestos e bons. É este um modo de pensar e proceder muito comum nos Santos, porque na prática da caridade e da penitência enxergavam o caminho mais certo para o céu. Há muitos católicos que não são caridosos e muito menos amigos da penitência e da mortificação. A utilidade, o interesse e o egoísmo são suas únicas diretivas. Que os outros sofram, que os mandamentos da lei de Deus e da Igreja sejam escandalosamente transgredidos, pouco se lhes dá, sendo muitas vezes os primeiros a desprezarem as leis divinas e humanas, contanto que nada lhes falte, que não sejam incomodados com pedidos importunos. Os que assim pensam e vivem, têm maior amor ao corpo do que à alma, amam mais o mundo que a Deus. Quem quer bem à sua alma, mortifique o corpo. Do corpo mortificado diz São Paulo que “ressuscitará em poder e glória” (Coríntios 15, 43).

Santos do Martirológio Romano, cuja memória é celebrada hoje:

A festa de Nossa Senhora das Mercês. Fundada a sua Ordem por São Pedro Nolasco em 1223, para a libertação dos escravos cristãos, foi generalizada esta festa na Igreja em 1696.

Em Calcedônia, a memória de quarenta e nove mártires no tempo do Imperador Diocleciano.

No Egito, o martírio de São Pafúncio e sete companheiros. 303.

Notas
  1. PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-ii