24 de março — Santa Catarina da Suécia, Virgem
24 de março — Santa Catarina da Suécia, VirgemExtraído de uma edição de 1928 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1
Os pais de Catarina foram Ulphon e Santa Brígida. Nasceu com ela, por assim dizer, o amor à santa pureza. Colocada no colo de uma ama, pessoa de má reputação, a criança começou a chorar e por maneira nenhuma quis aceitar o peito da mesma. Com sete anos Catarina foi entregue às freiras de Risberg, que continuaram a obra educativa, tão auspiciosamente principiada em casa. Mais tarde, se bem que não fosse de encontro a seu ideal, mas para contentar a vontade dos pais, casou-se com Edgard, jovem fidalgo e muito religioso, com o propósito, porém, de permanecer virgem. Confiando em Deus e na proteção de Maria Santíssima, entrou no estado do matrimônio e alcançou do marido, não só a promessa de respeitar o seu voto, mas ele mesmo, por um voto igual, se obrigou à virgindade perpétua.
Tendo morrido Ulphon, Santa Brígida fez uma viagem a Roma, para visitar o túmulo dos Santos Apóstolos. Pouco tempo depois Catarina, desejando imitar o exemplo de sua mãe pediu e obteve o consentimento do marido para fazer a mesma romaria. Chegando à Capital da cristandade, não encontrou mais sua mãe, que já tinha partido para Bolonha, Catarina se dirigiu para lá e ambas voltaram para Roma. Foi nessa ocasião que receberam a notícia da morte de Edgard e então a filha ligou-se a sua mãe, a fim de levarem uma vida santa, só para Deus. Logo que se espalhou a notícia da viuvez de Catarina, não faltaram pretendentes a sua mão; ela, porém, não os atendia. Entre os homens que desejavam o enlace com a princesa, achava-se um conde, que levou o atrevimento ao ponto de querer pela força apoderar-se da Santa. Baldados foram seus esforços, porque Deus protegia sua serva de modo visível, e o conde pagou caro sua audácia, pois, quando se dispunha a preparar o assalto, Deus lhe tirou a vista, a qual só recuperou, prostrando-se aos pés de Brígida e Catarina.
A vida que Catarina levava, em Roma, obedecia em tudo às regras da santidade. Ela dedicava quatro horas, todos os dias, à meditação da Sagrada Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo; além desta prática, rezava os sete salmos penitenciais e o Ofício de Nossa Senhora. O resto do tempo aproveitava para visitar os pobres e doentes nos hospitais ou venerar as relíquias dos Santos, nos Santuários de Roma. No exterior, parecia mais mulher do povo que fidalga. O leito que possuía, era um colchão de palha, e o jejum, era o seu alimento. Caluniada e perseguida de diversos modos, conservava sempre a tranquilidade de espírito. O inimigo de todo o bem não a poupou, importunando-a com grandes tentações, das quais a mais perigosa foi de lhe inspirar desejos de voltar para sua terra e abandonar a mãe. Apesar de ter feito cientes desta tentação a mãe e o confessor, os quais reconheceram nisto ciladas do demônio, não voltava-lhe a paz. Deus se compadeceu então de sua serva, e uma noite Catarina teve um sonho que muito a impressionou. Parecia-lhe estar no meio de grande fogo, em que as chamas a rodeavam de todos os lados, não lhe deixando outro lugar senão aquele onde se achava. Nesta aflição, invocou o auxílio de Maria Santíssima e, elevando os olhos ao céu, viu a celeste Mãe, que lhe disse: “Que poderei fazer, visto não quereres obedecer a tua mãe e a teu confessor?” Depois deste sonho, Catarina prometeu conformar-se com a vontade da mãe e ficou na companhia da mesma, em Roma; mais tarde, acompanhou-a numa viagem a Jerusalém e não se separou mais dela. Santa Brígida morreu em Roma e seu corpo, com muitas outras relíquias, foi levado pela filha para a Suécia e depositado na Igreja de um convento.
Numerosos foram os milagres que Deus fez, por intercessão de Santa Brígida. O rei, de acordo com seus conselheiros civis e eclesiásticos, resolveu então requerer da Santa Sé a canonização da falecida, e pareceu-lhe que ninguém mais apto poderia ser encontrado, para entregar a petição, que a filha da grande Santa. Catarina de fato foi a Roma, mas não conseguiu o que desejava, devido a circunstâncias desfavoráveis da época, e só mais tarde viu a canonização de sua mãe. Catarina voltou para o convento, dedicando-se unicamente às obras de piedade e caridade. Seu organismo, depauperado pela penitência, pelo jejum e pelas viagens fatigantes começou a reclamar o merecido descanso. Catarina, notando o desfalecimento das forças, preparou-se para a chegada do divino Esposo. Embora não tivesse cometido falta grave em toda a vida, fez uma confissão geral, com sinais de profunda contrição. A Comunhão não lhe foi possível receber, por causa dos vômitos. Privada deste consolo, pediu que lhe trouxessem o Santíssimo Sacramento, para que o adorasse pela última vez e assim fizesse a Comunhão Espiritual.
Catarina morreu em 1381, tendo 49 anos. Seu nome e o de sua mãe foram pelos Papas inseridos no catálogo dos Santos.
Reflexões
Entre católicos fervorosos existe o louvável costume de fazer mensalmente o piedoso exercício da boa morte. Para isto escolhe-se um dia, em que se possa tratar, detalhadamente, dos negócios da alma. Medita-se sobre a morte, examina-se a consciência, como se fosse para, em breve, se comparecer perante o eterno Juiz; faz-se uma confissão mais minuciosa e, recebe-se a Sagrada Comunhão, se for possível. É utilíssima esta prática e considerada como uma das mais acertadas para termos uma santa e tranquila morte. A Santa cuja festa hoje comemoramos, era muito dada a esse exercício e grande lucro espiritual dele auferia. De fato, como deve ser doce e suave morrer, quando se tem a certeza de estarem em ordem os negócios da alma! É impossível que a morte nos apanhe de improviso, se nos acostumamos a fazer o exercício mensal da boa morte. Se ainda não o fizeste até agora, faze-o doravante e verás o grande bem que te virá desta piedosa prática.
Notas
- PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-i_202312 ↩