21 de julho — São Vítor de Marselha, Mártir
21 de julho — São Vítor de Marselha, MártirExtraído de uma edição de 1935 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1
O imperador Maximiano, cujas mãos ainda gotejavam do sangue da legião tebana e de muitos outros mártires, pelo fim do século terceiro, chegou a Marselha, onde existia uma florescente comunidade de cristãos. Essa chegada fez aos fiéis preverem dias de terror. Vítor, oficial do exército, estacionado em Marselha, aproveitando-se das horas da noite, visitou todas as casas onde sabia que moravam cristãos e animou-os a perseverarem na fé, ainda que fosse preciso fazer o sacrifício supremo.
Tal atividade não podia passar despercebida às autoridades e assim aconteceu, que um dia Vítor fosse levado à presença dos Prefeitos Astério e Eutíquio, para vir a juízo. Sem ligar a mínima importância às objeções, argumentações e ameaças dos juízes, Vítor defendeu seu modo de pensar cristão, mostrando aos pagãos a insânia do culto dos deuses. Por ser Vítor pessoa de destaque, do tribunal dos Prefeitos foi levado à presença do Imperador. As ameaças não puderam influir na conduta do oficial, que francamente declarou ao tirano querer mais obedecer a Deus que aos homens. Maximiano ordenou que, atado de mãos e pés, fosse arrastado pelas ruas da cidade, e exposto à fúria do populacho.
O plano de enfraquecer o ânimo do mártir, fracassou inteiramente. Vendo-se novamente diante dos juízes, disse-lhes: “Aos vossos deuses só posso votar desprezo. Creio em Jesus Cristo; sejam quais forem os tormentos a que me queirais condenar, dar-lhe-ei fidelidade”.
Astério condenou-o em seguida ao ecúleo, sobre o qual o mártir ficou estendido longo tempo. Os olhos dirigidos ao céu, Vítor pediu a Deus força, para sofrer até o fim. Jesus Cristo apareceu-lhe, com uma cruz na mão e disse-lhe: “A paz seja contigo, Vítor. Sou eu, que na pessoa dos meus Santos sofro desprezo e dor. Estou ao teu lado com minha proteção e, uma vez alcançada a vitória, serei tua recompensa no céu. Age virilmente e tem ânimo!” Esta aparição confortou-o maravilhosamente. Na noite seguinte viu uma luz fortíssima iluminar o cárcere, onde se achava. Anjos vieram e cantaram louvores a Deus. A sentinela, composta de três soldados, ao verem tais coisas, prostraram-se diante do Santo, pedindo-lhe perdão e a graça do santo batismo. Vítor instruiu-os na religião (à medida que a estreiteza do tempo permitia), mandou chamar um sacerdote, que ainda na mesma noite os batizou. Estes três convertidos eram Alexandre, Longino e Feliciano.
O Imperador, tendo conhecimento do ocorrido, deu ordem para que Vítor e os três companheiros fossem na praça pública expostos ao ludíbrio e à sanha do povo. Em eloquente discurso, Vítor animou os recém-convertidos à firmeza na fé cristã. Tão operosa neles se verificou a graça divina, que preferiram o martírio à liberdade. Todos os três foram condenados à morte pela espada. Vítor, novamente sujeito a bárbaros tratos, foi reconduzido ao cárcere.
Três dias depois foi citado perante o tribunal imperial. Maximiano exigiu que prestasse homenagem a Júpiter, cuja estátua se achava sobre um altar, ereto de propósito naquele lugar. Vítor, de passo firme, se adiantou até o altar e com um forte pontapé derrubou a armação toda, junto com a estátua. O imperador encolerizou-se sobremodo e, deixando-se levar pelo furor, mandou que decepassem a Vítor o pé, com que cometera tão horrível sacrilégio. Executada esta ordem, Maximiano quis que o mártir fosse amarrado numa roda de moinho em movimento. A roda imediatamente o fez em pedaços e, horrivelmente mutilado, foi tirado o corpo de Vítor. A espada pôs-lhe termo aos sofrimentos. No momento em que lhe rolou a santa cabeça, ouviu-se uma voz do céu: “Tua é a vitória, Vítor bem-aventurado”. O corpo do Santo, junto com os cadáveres dos companheiros, foi lançado ao mar. Como aparecessem em outro lugar da praia, os cristãos recolheram-nos e deram-lhes honrosa sepultura, na cavidade de uma rocha.
Reflexões
São Vítor preferiu sofrer os mais cruéis tormentos, a negar a fé. Pela firmeza ganhou mais três companheiros, que juntamente com ele foram martirizados em testemunho da fé. Confessar a fé em Nosso Senhor Jesus Cristo, é dever de todos nós. Se não temos de defender a nossa fé perante os tribunais dos imperadores de Roma e ouvir as mais terríveis ameaças contra a nossa vida e nossa fortuna, pelo menos obrigação nossa é dar ao mundo o exemplo de católicos praticantes, isto é, de praticar as virtudes cristãs, evitar o pecado e edificar o próximo pelo bom exemplo. Essa fidelidade à nossa religião exige de nós que defendamos a nossa fé, quando vil e covardemente atacada ou ludibriada. Ser cristão de fato é não dar ouvidos a intrigas, maledicências, conversações imorais e murmurações contra a autoridade. Ser cristão, em verdade, quer dizer desprezar o respeito humano, e seguir sua convicção religiosa sempre e por toda parte, embora isto nos traga situações desagradáveis e humilhantes. Quantas vezes, para agradar ao mundo, negaste a Cristo e violaste tua consciência! Lembra-te da palavra de Jesus, que diz: “Quem se envergonhar de mim e de minhas palavras, dele o Filho do Homem se envergonhará, quando vier em sua majestade, rodeado de glória e dos Anjos” (Lucas 9, 26).
Santos do Martirológio Romano, cuja memória é celebraria hoje:
Na Babilônia, o profeta Daniel, da tribo de Judá, o quarto entre os grandes profetas. No ano de 605 antes de Cristo, acompanhou seus patrícios para o grande cativeiro de Babilônia; foi educado na corte imperial de Nabucodonosor, onde gozava de grandes privilégios. Não obstante as maquinações dos seus inimigos conseguiram sua condenação. Daniel foi lançado na caverna dos leões, que nada lhe fizeram. Daniel salvou a casta Susana, interpretou a inscrição enigmática, que aparecera na parede, e profetizou as 70 semanas de 7 anos cada uma. É padroeiro dos mineiros.
Em Estrasburgo o bispo Santo Argobasto.
Notas
- PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-ii ↩