21 de janeiro — Santa Inês, Virgem e Mártir

21 de janeiro — Santa Inês, Virgem e Mártir
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Extraído de uma edição de 1928 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1

Entre as heroínas da Igreja Primitiva, que derramaram o sangue em testemunho da fé, é Santa Inês aquela a que os Santos Doutores da Igreja tecem os maiores elogios. São Jerônimo em referência a esta Santa, escreve: “Todos os povos estão unânimes em louvar a Santa Inês, porque vencendo a fraqueza de sua idade e a crueldade do tirano, coroou sua virgindade com a morte do martírio”. De modo semelhante se exprimem Santo Ambrósio e Santo Agostinho. Com Maria Santíssima e Santa Tecla, Santa Inês é invocada para obter-se a virtude da pureza.

Inês nasceu em Roma, descendente de família nobre. Quando soube avaliar a excelência da pureza virginal, ofereceu-a a Deus num santo voto. A sua riqueza, formosura e nobre origem fizeram com que diversos jovens, de famílias importantes de Roma, a pedissem em casamento. A todos eles Inês eles respondeu que seu coração já pertencia a um esposo invisível a olhos humanos. Do amor ao ódio é só um passo.

Às declarações de amizade e afeto dos pretendentes seguiu-se a denúncia, que arrastou a donzela ao tribunal, para se defender contra a acusação de ser cristã. A maneira como o juiz a tratou, para conseguir que ela abandonasse sua religião, obedeceu ao programa costumeiro em tais ocasiões: elogios, desculpas, galanteios e promessas. Experimentada a ineficácia destes recursos, entravam em cena, imposições, ameaças, insultos, brutalidades. O juiz fez a Inês saborear todos os recursos da força inquisitorial da justiça romana. Inês não se perturbou. Mesmo quando lhe mostraram os instrumentos de tortura, cujo simples aspecto era bastante para causar espanto ao homem mais forte, Inês os olhou com indiferença e desprezo. Arrastada com bruteza ao lugar onde se achavam imagens de deuses e intimada a queimar incenso, a donzela levantou suas mãos puríssimas ao céu, para fazer o Sinal da Cruz. No auge do seu furor, vendo baldados todos os seus esforços, e posta ao ridículo sua autoridade, o juiz teve uma inspiração diabólica de mandar a donzela a um prostíbulo. Inês respondeu-lhe: “Jesus Cristo vela sobre a pureza de sua esposa, e não permitirá que lha roubem. Ele é meu defensor e abrigo. Podes derramar o meu sangue. Nunca, porém, conseguirás profanar o meu corpo, que é consagrado a Jesus Cristo”.

A ordem do juiz foi executada, e daí a pouco Inês se achava no lugar da casa de prostituição. Dos diversos rapazes que lá estavam, só um teve o atrevimento de se aproximar de Inês, com malignos intuitos. No momento, porém, em que ia estender a mão contra ela, caiu por terra, como fulminado por um raio. Os seus companheiros, tomados de grande pavor, tomaram o corpo do infeliz e levaram-no para outro lugar. Não estava morto, como todos supuseram no primeiro momento, mas aos seus olhos faltou-lhes a luz. Inês rezou sobre ele e a cegueira desapareceu.

O juiz, sentindo-se profundamente humilhado com esta inesperada vitória da Santa, deu ordem para que fosse decapitada.

Ao ouvir esta sentença, a alma de Inês encheu-se de júbilo. Maior não pode ser a satisfação e a alegria da jovem noiva, ao ver aproximar-se o dia das núpcias, que foi o prazer que Inês experimentou quando ouviu dos lábios do juiz o convite para as núpcias eternas com Jesus Cristo, seu celeste esposo. O algoz tinha recebido ordem para, antes de executar a sentença de morte, convidar a Inês para prestar obediência à intimação do juiz. Feito pela última vez este convite, pela última vez Inês com firmeza o rejeitou. Ajoelhando-se, inclinou a cabeça, ao que parecia para prestar a Deus sua última adoração aqui na terra, quando a espada do algoz deu-lhe o golpe de morte. Os circunstantes, vendo este triste e ao mesmo tempo grandioso espetáculo, soluçavam alto.

Santa Inês completou seu martírio aos 21 de janeiro de 304, tendo apenas a idade de 13 anos. No tempo do imperador Constantino foi construída em Roma uma Igreja dedicada à gloriosa mártir.

Reflexões

1. Admirável em Santa Inês é a fidelidade com que guardou o voto de castidade. Pessoas há que, pressurosas fazem promessas, principalmente quando se acham em dificuldades e tribulações. Com a mesma facilidade delas se esquecem, ou pouco empenho fazem em cumprir o que a Deus prometeram. Com a facilidade que prometem, pedem ao confessor comutação ou dispensa. Ninguém é obrigado a fazer uma promessa. Uma vez feita a promessa, deve antes pensar, se lhe convém tomar um tal compromisso, e se estará em condições de solvê-lo. Melhor é nada prometer, do que não cumprir o que se prometeu. “Quando tiveres feito algum voto ao Senhor, teu Deus, não tardarás em o cumprir; porque o Senhor, teu Deus, te pedirá conta dele, e se te demorares, ser-te-á imputado o pecado” (Deuteronômio 23, 22). “Se fizeste algum voto a Deus, trata de o cumprir logo; porque é desgraçada a promessa infiel e imprudente; mas cumpre tudo o que tiveres prometido. Muito melhor é não fazer voto algum, do que depois de o fazer, não cumprir o prometido” (Eclesiastes 5, 3-5).

2. Santa Inês defendeu heroicamente a virtude da pureza, e Deus protegeu-a visivelmente. O impuro experimentará a ira de Deus. Sirva este aviso para te afastar da impureza.

Santa Inês preferiu a morte ao pecado, e não ligou importância nem a ameaças, nem a promessas. Se queres conservar a virtude da pureza, fecha teus ouvidos às vozes acariciadoras do mundo e foge das ocasiões. Onde estaria Santa Inês, se não tivesse heroicamente resistido à tentação? Onde tu estarás na eternidade, se não imitares o exemplo desta gloriosa virgem e desprezares firmemente os incitamentos do tentador? “Combate o bom combate da fé, e trabalha para ganhar a vida eterna” (I Timóteo 6, 12).

Notas
  1. PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-i_202312