21 de agosto — Santa Joana Francisca de Chantal, Viúva

21 de agosto — Santa Joana Francisca de Chantal, Viúva
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Extraído de uma edição de 1935 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1

Filha de pais pobres, nasceu Joana Francisca em Dijon, em 23 de janeiro de 1572. Criança ainda, não deixava dúvida de ser destinada a uma vida de extraordinária santidade. Aos cinco anos, foi testemunha de uma disputa do pai com um nobre calvinista, sobre a presença real no Santíssimo Sacramento. Sem rodeios, a pequena declarou ao herege: “Senhor, Jesus Cristo está presente no Santíssimo Sacramento, porque ele mesmo o disse. Se pretendeis não acreditar no que ele falou, fazeis dele um mentiroso”.

Para ser agradável, o calvinista deu-lhe um pequeno objeto de presente. Joana Francisca meteu-o no fogo, dizendo: “Assim se queimarão no inferno os hereges, que não acreditarem no que Jesus Cristo disse”.

Tendo perdido sua mãe muito cedo, todos os dias se recomendava à proteção de Maria Santíssima, sua divina Mãe.

Uma senhora, que a irmã lhe dera como companheira, desgostosa com as práticas de piedade que Joana Francisca exercia, procurou infiltrar-lhe no espírito ideias mundanas, não perdendo ocasião de dar-lhe maus conselhos. Maria Santíssima, porém, velava pela filha, cuja alma nenhum dano sofreu. A dama teve de abandonar a casa.

Inimiga de tudo que é do mundo, o único anelo da donzela era procurar a Deus e servi-lo do modo mais perfeito.

Com a idade de 20 anos, contraiu núpcias com Celse-Bénigne de Rabutin, barão de Chantal. Com todo o escrúpulo, cumpriu as obrigações do próprio estado. Dedicada ao esposo, carinhosa para com os filhos, atenciosa e justa para com os empregados, era de todos querida e sumamente amada. Fez o voto de nunca negar esmola a quem lha pedisse em nome de Jesus Cristo.

Um triste acidente fê-la mudar de vida, no sentido de entregar-se ainda mais ao serviço de Deus. Numa caça, o esposo foi vítima de um desastre e morreu em consequência de grave ferimento, causado pela arma de um dos companheiros e amigos.

Vendo-se livre dos laços do matrimônio, Joana ofereceu a Deus o voto de castidade. “Rompestes, Senhor, os laços que me ligavam a meu esposo; ofereço-vos o sacrifício de minha vida”.

Profunda era a dor que lhe dilacerava o coração, mas com a graça de Deus, adquiriu a conformidade e a coragem de perdoar ao homem que, involuntariamente, causara a morte do senhor de Chantal, e aceitar o convite de ser madrinha de uma filha do mesmo.

Ocupando-se unicamente com os trabalhos de casa, sempre voltava à oração e afastou de seus cômodos tudo que era de luxo, reservando para si só o necessário. Casamentos vantajosos, que se lhe ofereceram, recusou-os. Para se lembrar sempre do voto de castidade, que fizera, com um ferro em brasa gravou no peito as letras do nome “Jesus Cristo”.

De dia para dia o coração se lhe incendiava mais no fogo do amor de Deus e do próximo. Pobres e doentes achavam abrigo em sua casa. Quanto mais asquerosa era a doença dos protegidos, tanto mais carinho lhes dedicava, e esse heroísmo chegava a ponto de beijar as úlceras dos leprosos e lavar com as próprias mãos as roupas e feridas dos pobres doentes.

Filha espiritual de São Francisco de Sales, a este santo homem confiou cegamente a direção da alma. A conselho dele abandonou o pai e os filhos, para se encerrar num convento, em Annecy, fundado por ela própria. O nome da Ordem era “Visitação de Maria”. O filho tudo fez para retê-la, mas Joana Francisca permaneceu inflexível. Na sua ânsia e dor, atirou-se o rapaz sobre a soleira da entrada do convento, para assim impedir a passagem à mãe. Embora extremamente comovida com esse gesto de quase desespero, Joana Francisca não se perturbou e passou por cima do corpo do filho. Como religiosa, foi modelo a todas as irmãs. De todas as virtudes monásticas, acatava mais a da pobreza, sentindo-se feliz quando, de vez em quando, lhe faltava o necessário. No desejo de em tudo agradar a Deus, fez o voto de, em todas as circunstâncias, proceder sempre do modo mais perfeito.

Joana Francisca chegou à idade de 70 anos e morreu, como viveu, santamente, em 13 de dezembro de 1641.

O corpo da Santa achou o último descanso no convento de Annecy. Os numerosos milagres, que lhe glorificaram o túmulo, promoveram-lhe a canonização, feita por Clemente XIII, em 1767.

Reflexões

Em Santa Joana Francisca temos a figura da mulher forte, de que Salomão fala nos Provérbios. Em todas as circunstâncias da vida deu prova de grande fortaleza de ânimo e de extraordinário espírito de mortificação. São estas as virtudes consideradas indispensáveis aos cristãos, se, aliás, querem honrar este nome. “Quem quer seguir-me, renuncie-se a si próprio, tome a sua cruz e siga-me” — disse Nosso Senhor. Para Santa Joana Francisca de certo não foi pequeno o sacrifício que fez quando, contra a vontade do pai e do filho, se resolveu a entrar para o convento, para em tudo ficar semelhante ao divino Esposo. Quem se ligar a Jesus, pelos laços mais íntimos, com Ele há de subir o monte das Oliveiras; por Ele acompanhado, há de sofrer a coroação de espinhos, a duríssima flagelação e mil outros tormentos e provações. Tudo isso é indispensável a quem, com Cristo, quer entrar na eterna glória.

Santos do Martirológio Romano, cuja memória é celebrada hoje:

Em Roma, no Campo Verano, a santa viúva e mártir Ciríaca. Durante a perseguição de Valeriano pôs sua pessoa e seus bens à disposição dos cristãos. Chamada ela própria para responder aos juízes da iniquidade, sacrificou sua vida a Cristo, Nosso Senhor.

Na França, Santo Anastácio, funcionário do Tribunal. Fortemente impressionado pela firmeza de Santo Agapito no meio de tantas torturas que sofria, converteu-se ao cristianismo. Esta mudança de convicções religiosas importou-lhe a coroa do martírio.

Na Sardenha o martírio de Lussório, Cisello e Camerino na perseguição diocleciana.

Em Odessa, na Síria, o martírio de Santa Bassa com seus três filhos Teógnio, Agápio e Pístio. Testemunha ocular dos sofrimentos de seus filhos, os animava para que perseverassem na fé. Ela mesma foi decapitada.

Notas
  1. PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-ii