20 de fevereiro — Santo Euquério, Bispo

20 de fevereiro — Santo Euquério, Bispo
, ,

Extraído de uma edição de 1928 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1

A França foi a terra deste grande Santo, que nasceu de pais virtuosíssimos, que deram a seu filho uma educação esmerada, sob a base de princípios cristãos.

Antes de dar à luz o menino, sua mãe já o dedicara a Deus. De boa inteligência, Euquério ocupou sempre um dos primeiros lugares entre os seus condiscípulos. Cedo se acostumou a ler um ou outro trecho da Sagrada Escritura. Certa vez leu as palavras de São Paulo, “O tempo é breve! O que resta é que, não só os que têm mulheres, sejam como se as não tivessem, mas também os que choram, como se não chorassem; e os que usam deste mundo, como se dele não usassem; porque a figura deste mundo passa” (I Coríntios 7, 29-31).

Impressionado e iluminado por estas palavras, conheceu a vaidade do mundo e resolveu a dizer-lhe adeus e a entrar numa Ordem religiosa. Fez-se religioso no convento de Jumièges, na diocese de Rouen. Chegou a um grau tão alto de virtude e santidade, que foi eleito sucessor do Bispo, quando este, seu tio do lado paterno, morreu. Os eleitores, prevendo que Euquério se recusaria aceitar esta dignidade, mandaram uma comissão a Carlos Martel, com o pedido de aprovar e dar seguimento a eleição. Carlos Martel, que conhecia o alto valor de Euquério, não só deu sua aprovação, mas mandou um mensageiro ao convento, onde Euquério estava, com a ordem terminante de trazê-lo à força, caso isto necessário fosse. Euquério, conhecendo bem os perigos que acompanham a dignidade episcopal, pediu que desistissem da sua eleição. Quando, porém, seus confrades lhe apresentaram as razões indubitáveis da vontade divina, Euquério obedeceu e aceitou a cruz episcopal.

Exemplaríssimo como religioso, também como Bispo havia de ser cumpridor dos seus deveres. Zelava pela dignidade dos templos, aos sacerdotes dava instruções sobre a vida clerical e aos diocesanos era Apóstolo e pai.

Com a maior pontualidade fazia as visitas pastorais, procedendo nelas com toda a prudência e energia. A maior parte dos seus bens distribuiu entre os pobres e necessitados. À bondade e condescendência sabia associar, se preciso era, energia e rigor, sem acepção de pessoas. Quando Carlos Martel, para poder continuar a guerra contra os sarracenos, quis lançar mão dos bens da Igreja, achou enérgica resistência da parte do Bispo. Este, convencido da justiça da sua causa, tomou a si as consequências do seu proceder e pouco se incomodou com as iras do poderoso mordomo. Como já conhecesse a inflexibilidade do antístite em negócios de direitos da Igreja, concebeu a ideia de removê-lo ardilosamente da diocese. Passando por Orléans, convidou o Bispo para que o acompanhasse na viagem a Paris. Chegados à capital, fez ao Bispo a comunicação que de Orléans seria transferido para Colônia. Como em Orléans, também em Colônia era venerado e querido pelos seus diocesanos, o que ainda foi causa da sua remoção para Liège. Seis anos viveu assim no desterro, sem que seus companheiros tivessem ouvido de sua boca uma só palavra de queixa ou censura dos seus inimigos.

Os últimos anos viveu no convento de São Trudon e teve uma morte santa aos 20 de fevereiro de 743. Suas relíquias, que repousam na Igreja do Convento, foram glorificadas por inúmeros milagres.

Reflexões

1. Desde os primeiros momentos de sua vida, Santo Euquério foi consagrado a Deus. Seus pais fizeram esta consagração, porque assim julgaram cumprir um dever, de dar ao filho uma sólida e santa educação. Pais conscienciosos assim procedem, porque sabem que uma boa educação é a raiz, o fundamento de uma vida feliz. Pais que educam cristãmente seus filhos, garantem-lhes a eterna salvação e salvaguardam sua própria responsabilidade, que é muito grande. Quantos são os meninos que, já na sua mais tenra idade, sorvem o veneno do vício, do pecado, da irreligião! Quantos são os entezinhos infelizes que, do bom exemplo que têm direito de esperar dos pais, deles recebem o incitamento para o mal! Terrível será o julgamento dos pais que, desconhecendo sua alta responsabilidade, em vez de educar seus filhos para Deus, os entregam ao demônio.

2. “A figura do mundo a cada instante muda”: Esta verdade fez com que Santo Euquério criasse em si um aborrecimento de tudo que era mundano e procurasse unicamente as coisas divinas. Tudo é vaidade e aflição de espírito. Todos devem se convencer desta verdade. Tudo é vaidade, menos servir a Deus e só a Ele amar. Vaidade é procurar e acumular riquezas. Vaidade é procurar honras e posições honrosas. Vaidade é viver só para este mundo e esquecer-se do outro. Vaidade é amar o que é passageiro e não procurar o que é duradouro. Sábio é aquele que observa a palavra de Nosso Senhor, que diz: “Procurai tesouros no céu, onde nem a ferrugem, nem a traça os destroem, e onde os ladrões não os desenterram, nem furtam” (Mateus 6, 20).

Notas
  1. PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-i_202312