20 de abril — Santa Inês de Montepulciano
20 de abril — Santa Inês de MontepulcianoExtraído de uma edição de 1928 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1
Inês de Montepulciano nasceu em 1247, filha de pais abastados. Muito criança ainda, Inês manifestava uma grande inclinação à oração, de que todos se admiravam. Quando chegou o tempo da menina aprender a rezar o Padre-Nosso e a Ave Maria, era coisa muitas vezes observada, que a menina se separava dos outros, se ajoelhava num canto da sala, para rezar estas orações. Se lhe perguntava o que fazia, sua resposta era: “estou aprendendo minha lição”. Olhar para o crucifixo ou ver uma imagem de Nossa Senhora, causava-lhe um prazer muito grande. Seis anos não tinha completos ainda, quando manifestou a seus pais a vontade de ser religiosa. Este amor ao estado religioso aumentava nela com a idade. Os pais não fizeram oposição nenhuma a esta aspiração de sua filha e entregam-na bem cedo às religiosas de São Domingos.
Como religiosa, tanto se distinguiu na prática das virtudes, principalmente pelo amor à oração, e pela obediência, que uma abadessa visitadora não hesitou em elogiá-la publicamente e dizer que de sua filha esperava não ser uma glória menor para a Igreja, que a grande mártir Santa Inês. Ainda não contava dezesseis anos, quando as religiosas de Proceno, tendo conhecimento de sua extraordinária santidade, pediram que lhes fosse dada por superiora. O Papa Nicolau VI, anuindo ao pedido das freiras, ratificou a eleição e Inês foi sendo superiora daquela comunidade.
Sabendo Inês que a superiora de uma comunidade religiosa deve ser modelo de perfeição para suas irmãs, uma vez com este cargo, redobrou seus esforços na aquisição das virtudes, principalmente da penitência, da humildade e do recolhimento religioso. O jejum era sua prática constante; o pavimento era o leito de seu descanso; uma pedra servia-lhe de travesseiro. As flagelações a que sujeitava seu corpo, eram tão repetidas e duras, que os confessores se viram obrigados a lhe impor severa moderação. A oração era sua ocupação predileta, e sempre lhe parecia pouco o tempo que dedicava a estes colóquios de sua alma com Deus. Sua aparência e seus modos tinha algo de angélico, que a todos atraía e encantava.
Em Montepulciano havia uma casa, ocupada por mulheres de mau procedimento. O desejo de Inês era, então, que essa casa fosse transformada em Convento. O que ninguém ousava esperar que se realizasse, realizou-se, devido à grande influência de Inês. As pecadoras se converteram; a casa transformou-se em convento, onde Inês soube implantar ordem e virtude.
As contínuas e cruéis penitências que se infligia, muito concorreram para o rápido enfraquecimento do seu organismo. Uma doença dolorosa foi a anunciação do desenlace, que ia levar sua alma aos páramos da eterna glória. Inês se preparou com o maior cuidado para o dia de sua morte, e, embora fossem cruciantes as dores que sofria, em seu semblante se lia o contentamento e alegria. Inês morreu na idade de quarenta anos. Uma das últimas recomendações que deixou para suas religiosas, foi esta: “Minhas filhas, amai-vos umas às outras; pois a caridade é o sinal dos Filhos de Deus”. — A morte de Inês foi conhecida na cidade pela boca das crianças, que exclamavam: “Morreu Inês, a Santa!” Seu túmulo foi glorioso. Registraram-se muitos benefícios extraordinários, que Deus se dignou de conceder aos fiéis por intercessão de Inês. Curas milagrosas de doentes, a ressurreição de uma criança que tinha morrido afogada, a conversão de grandes pecadores, são fatos que mais ainda provaram e confirmaram a santidade da grande serva de Deus.
Reflexões
Bom sinal de futura santidade é, se a criança é amiga da oração. A oração é a vida da alma. Pela oração é garantida a assistência da graça divina, em todas as circunstâncias. Quem pode prescindir do auxílio divino? Tolos, pois, são aqueles que desprezam a oração, julgando-a supérflua. — De Santa Inês diz sua biografia, que se aplicava sempre ao maior recolhimento quando fazia as suas orações. Em toda sua aparência exterior predominava aquele recolhimento, que São Paulo tanto recomendava aos cristãos de seu tempo. A modéstia, é uma virtude que agrada a Deus e aos homens. “Nos nossos atos — diz Santo Agostinho — nada deve haver que possa escandalizar ou razoavelmente desgostar ao próximo.” A modéstia cristã é um baluarte contra a dissipação, com o cortejo das suas más consequências. A oração une-nos a Deus, fazendo descer sobre nós suas graças.
Notas
- PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-i_202312 ↩