19 de dezembro — São Timóteo e Santa Maura, Mártires

19 de dezembro — São Timóteo e Santa Maura, Mártires
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Extraído de uma edição de 1935 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1

Timóteo e Maura é o glorioso casal que no quarto século, em 19 de dezembro, recebeu as palmas do martírio. Timóteo era natural de Perapa, na Tebaida e recebeu dos pais uma educação esmeradamente cristã. Era o tempo das perseguições religiosas e bem implantadas deviam ser as máximas da religião no coração da criança, que haveria mais tarde de defendê-las e sustentá-las na luta contra a heresia. Desde bem cedo existiu na alma de Timóteo o desejo do martírio, aspiração esta que depois teve plena satisfação. Apareceu em Perapa, Ariano, governador pagão daquela região, com o intuito de exterminar o cristianismo. Foi dado aos cristãos um prazo, dentro do qual haveriam de abandonar a religião e oferecer incenso aos ídolos. Timóteo foi um dos primeiros chamados à presença do governador. Declarando que preferia morrer antes do que se tornar apóstata, negou também a entrega dos livros de religião, dizendo a Ariano: “os livros são meus queridos filhos; monstro seria o pai que entregasse os filhos aos inimigos.” Esta resposta enfureceu ao tirano de modo tal, que deu ordem que, as orelhas de Timóteo fossem furadas com ferro em brasa. No meio desta tortura, Timóteo continuou a louvar a Deus em alta voz. Ariano, ainda mais excitado, ordenou então que o mártir fosse pelos pés pendurado numa coluna e amarrada ao pescoço uma pedra pesada.

Houve quem suscitasse em Ariano a lembrança de Maura, jovem esposa de Timóteo, que, sem dúvida, teria grande influência sobre o mártir e com facilidade o moveria à renúncia da fé. Chamada Maura, esta, de fato, prometeu ao governador envidar todos os esforços para conservar a vida do marido. Maura era cristã, mas faltava-lhe a coragem de sofrer alguma coisa pela fé; além disto, tinha um grande amor ao marido, com quem estava casada havia três semanas apenas. Vendo Timóteo em tão miserável estado, fugiram-lhe as forças. Apenas voltando a si, deram-lhe ocasião de falar então ao marido, que tinha sido tirado da coluna. Impressionada pelo que vira, esqueceu-se Maura das obrigações de cristão, e entre soluços e lágrimas, começou a insistir com Timóteo, para que se poupasse e obedecesse às ordens do governador. Timóteo, porém, indignado com o modo da esposa, disse-lhe: “Maura, já não te conheço! És então pagã ou cristã? É esta a linguagem de uma esposa educada na religião? Em vez de animar-me, ajudar-me a levar a cruz, vens para me desviar? Queres que perca minha alma, em troca de um prazer passageiro, que me livre de um curto martírio, para sofrer penas eternas?”

Reconhecendo Maura o erro, prostrou-se aos pés do marido, pediu-lhe perdão e conselho sobre o que devia fazer. “O que deves fazer? — respondeu Timóteo. — Vai ao governador e dize-lhe que, longe de demover teu marido, estás resolvida a acompanhá-lo no martírio e morrer com ele”. Maura assustou-se com estas palavras, mas Timóteo animou-a, despertando na alma da esposa, a confiança em Deus e mostrando-lhe o exemplo de tantas outras Senhoras da mesma idade, que prontamente se sujeitaram às atrocidades do martírio. Ajoelhados ambos, em oração fervorosa, pediram a Deus força e graça para a luta. Enquanto rezavam, desfizeram-se os temores na alma de Maura. Resoluta levantou-se, dirigiu-se ao governador e comunicou-lhe que, em vez de dissuadir o marido, pronta estava a compartilhar com ele as dores do martírio. Ariano mandou que lhe fossem arrancados os cabelos, cortados os dedos e o corpo queimado com enxofre e piche. A sentença final, porém, foi que Maura, como o marido, fosse crucificada e os patíbulos colocados de maneira que um visse os sofrimentos do outro.

Assim morreram os dois esposos, unidos pelos laços do matrimônio e unidos na morte por um glorioso martírio.

Reflexões

Maura quis sugerir ao marido uma apostasia disfarçada, aconselhando-lhe que fingisse sujeição às ordens do governador. O exemplo de Eva, que mal aconselhou ao marido no Paraíso, tem sido imitado e, ainda o é presentemente por muitas mulheres. Jezabel deu ao Rei Acabe o conselho de apoderar-se da vinha do pobre Nabote. Da mulher, o piedoso Jó recebeu o conselho de abandonar a Deus, de amaldiçoá-lo e procurar a morte. Adão seguiu o conselho mau de Eva, caiu e foi castigado. Acabe aceitou as insinuações da mulher e foi castigado. Mais prudente foi Timóteo que, em vez de aceitar a proposta de Maura, convenceu-a do erro, despertou-lhe no coração os sentimentos de verdadeira contrição. É o exemplo que deve ser imitado por todos os maridos mal-aconselhados pela mulher. Mas também as mulheres olhem para o exemplo de São Timóteo, quando o marido as quer seduzir para um ato que a lei de Deus proíbe. Perante o tribunal divino não vinga a desculpa: “foi meu marido que me aconselhou e eu lhe segui o conselho”. Adão desculpou-se dizendo: “A mulher, que me deste por companheira, deu-me a fruta daquela árvore e eu comi”. Deus, porém, sem atender à desculpa, respondeu: “Porque destes ouvidos à voz da mulher e comeste daquela árvore, de que eu tinha proibido que comesses, a terra seja maldita por tua causa e em teu trabalho” (Gênesis 3, 12). Deus castiga ao mau conselheiro e a quem lhe dá ouvido.

Santos do Martirológio Romano, cuja memória é celebrada hoje:

Em Alexandria, no Egito, o mártir São Nemésio. Foi crucificado na perseguição de Décio.

Em Gaza, na Palestina, a morte de Meuris e Thea, virgens mártires, ambas muito veneradas no Oriente. Sec. 4.

Em Roma, Santa Fausta, mãe de Santa Anastácia, igualmente distinta pela sua caridade, como pela nobreza de seu sangue.

Notas
  1. PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-ii
19 de dezembro — São Timóteo e Santa Maura, Mártires — Padre João Batista Lehmann