19 de agosto — São Luís de Tolosa, Bispo

19 de agosto — São Luís de Tolosa, Bispo
, ,

Extraído de uma edição de 1935 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1

São Luís, filho de Carlos II, Rei de Nápoles e Sicília, e Maria, filha de Estêvão V da Hungria, nasceu em 1273. A educação esmerada que recebeu dos pais, aliada à graça divina, fizeram com que Luís fosse na mocidade um modelo de todas as virtudes cristãs. Entre estas, mais realçava a santa pureza, por ele guardada com tanto cuidado, que na corte era chamado o Anjo da casa.

A mocidade de Luís foi amargurada pela infeliz campanha do pai contra o rei de Aragão. Carlos, feito prisioneiro em Barcelona, somente pôde obter a libertação a troco da liberdade dos três filhos e 50 fidalgos, que ficam como reféns nas mãos do vencedor.

Sofrendo as asperezas da prisão, Luís consolava e animava os companheiros de infortúnio, fazendo-lhes ver que, cumprindo a vontade de Deus na desgraça, mais meritório e salutar é para a alma do que viver na opulência e felicidade. Durante o tempo da prisão, não abandonava as práticas de piedade, antes as aumentava. Além disto, aproveitava o tempo para dedicar-se ao estudo de ciências necessárias, tomando por mestres os religiosos da Ordem de São Francisco, aos quais se ligara em estreita amizade.

Embora gozasse de relativa liberdade, suas visitas eram exclusivamente aos hospitais e às igrejas. O comportamento do jovem na igreja era de tal modo, que a todos edificava.

Por ocasião de uma grave doença, fizera o voto de entrar na Ordem de São Francisco, voto que depois não lhe foi possível cumprir, devido à resistência que encontrou, por parte do pai.

Decorrido o tempo da prisão, o pai manifestou o desejo de Luís aceitar a mão da irmã do Rei de Aragão e, para garantir-se do seu assentimento, prometeu-lhe o reino de Nápoles. Luís, porém, opôs-se ao plano paterno, ficando firme no propósito de abandonar o mundo e de servir a Deus na solidão dum convento.

Após muito pedir e insistir, conseguiu licença do pai para realizar seu ideal, e foi receber as ordens sacerdotais. Aconteceu que, pouco depois, morresse o bispo de Tolosa, e o Papa Bonifácio VIII nomeou a Luís sucessor. Para se furtar das responsabilidades deste cargo espinhoso, Luís não poupou esforços. Se não conseguiu a revogação das decisões da Santa Sé, obteve licença de cumprir antes o voto de tomar o hábito de São Francisco. Bonifácio VIII mesmo quis ser o sagrante do jovem Bispo.

Luís entregou-se com grande zelo aos trabalhos do múnus episcopal, fazendo, porém, empenho em ter a vida simples e pobre de frade. Um especial cuidado dispensava aos doentes pobres, aos quais assistia com conselhos e esmolas. A simplicidade e pobreza observadas na vida particular, permitiam-lhe a distribuição de muitas esmolas. Em sua companhia comiam diariamente 25 pobres, aos quais ele mesmo servia. A leprosos lavava os pés e beijava-os. Pelo zelo apostólico, no púlpito e na cura particular das almas, tornou-se um forte sustentáculo da fé para os católicos, e muitos hereges abandonaram os erros.

Na alma lhe estava profundamente enraizado o desejo de terminar a vida na cela do convento. Em 1297 fez uma viagem a Roma, com o fim de pedir o consentimento do Papa, para a realização desse desejo.

Chegando a Brignoles, sua terra natal, caiu gravemente doente. Era a festa da Assunção de Nossa Senhora, e Luís recebeu com muita devoção os Santos Sacramentos, preparando-se assim para a morte. Longe de se entristecer, encheu-se de alegria por estar perto da união eterna com Deus. "Dou graças a Deus — dizia muitas vezes — que tira dos meus ombros o peso do episcopado. As funções episcopais só me distraem e não permitem que me entregue com sossego ao serviço de Deus e à salvação de minha alma. A dignidade episcopal, se é uma grande honra, é uma cruz ainda maior”.

Acometido de grande fraqueza, rezava com muita devoção: “Senhor Jesus Cristo, a vós adoramos e bendizemos, porque pela vossa cruz remistes o mundo. Senhor, não vos lembreis dos pecados de minha mocidade, e esquecei a minha ignorância”.

De quando em vez recitava a saudação angélica. Perguntado porque assim rezava, dizia: “Daqui a pouco morrerei, e a bem-aventurada Virgem Maria assistir-me-á”.

Luís morreu em 19 de agosto de 1297, tendo apenas 24 anos de idade.

Foi em 1317, e a mãe ainda vivia, quando o Papa João XXII o inscreveu no catálogo dos Santos.

Reflexões

O voto de entrar na Ordem franciscana impedia a São Luís de contrair matrimônio. Embora tivesse muito motivo de pedir dispensa deste voto, o santo Príncipe não a requereu. — Voto é uma promessa livremente feita a Deus de praticar uma coisa útil e boa, a que por outros motivos não sejamos obrigados. Ninguém é obrigado a fazer votos; mas uma vez feito, é dever cumpri-lo fielmente. Daí se segue que não se devem fazer votos, sem para isto ter sérios motivos. Antes de se tomar o compromisso de um voto, é prudente ouvir a opinião do confessor, e pedir-lhe licença. "Se tiveres feito algum voto ao Senhor teu Deus, não tardarás em cumpri-lo; porque o Senhor teu Deus te pedirá conta dele; e se te demorares, ser-te-á imputado a pecado" (Deuteronômio 23, 21). — "Se fizeste um voto a Deus, trata de cumpri-lo logo; porque não agrada a promessa infiel e imprudente; mas melhor é não fazer voto nenhum, do que depois de o fazer, não cumprir o prometido" (Eclesiastes 5, 3). Não carecem de explicação estas palavras do Espírito Santo. Acrescentamos que o voto pessoal feito pelos pais não obriga os filhos.

Santos do Martirológio Romano, cuja memória é celebrada hoje:

Em Roma o martírio do senador Júlio, do tempo do Imperador Cômodo.

Na Ásia Menor a morte de Santo André, oficial do exército, e seus companheiros do estado militar. Tendo alcançado uma brilhante vitória sobre os Persas, todos se converteram ao cristianismo. Acusados desta sua deserção do paganismo, o Imperador Maximiano ordenou o aniquilamento destes bravos soldados de Cristo nos desfiladeiros do Tauro.

Na Palestina, São Timóteo, na perseguição de Diocleciano.

Na França, o sacerdote São Donato. 522.

Notas
  1. PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-ii