18 de novembro — São Dionísio, Bispo († 265)
18 de novembro — São Dionísio, Bispo († 265)Extraído de uma edição de 1935 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1
ALEXANDRIA parece ter sido o berço de São Dionísio, onde nasceu de pais ricos e nobres. Dotado de belos talentos e animado de um grande desejo de estudar, fez rápidos progressos nas ciências. A leitura das epístolas de São Paulo fê-lo compreender a vaidade e maldade do paganismo, no qual tinha sido educado. O bispo Demétrio de Alexandria instruiu o jovem sábio na doutrina cristã e administrou-lhe o santo Batismo. A conversão de Dionísio foi tão radical, que renunciou a toda ciência que não conduz a Jesus Cristo e pediu admissão entre os discípulos de Orígenes. Ordenado sacerdote, foi nomeado mestre na escola catequética em Alexandria. Os grandes conhecimentos que tinha da Sagrada Escritura e da Tradição causaram admiração geral. Quando morreu o bispo Héraclas, foi Dionísio eleito sucessor em 246.
A paz de que os cristãos gozavam no governo do imperador Filipe, deu lugar a uma cruel perseguição, movida por Décio. Os decretos sanguinários desta perseguição apareceram em Alexandria, no ano de 250. Uma das primeiras vítimas deveria ser o bispo, mas os diocesanos, principalmente o bom povo do campo, o escondeu e defendeu com tanta habilidade e energia, que a perseguição não conseguiu apoderar-se de sua pessoa. Quando voltou para Alexandria, achou o rebanho perturbado pela heresia novaciana, cujo erro principal dizia que o poder da Igreja é limitado no perdoar todos os pecados. Dionísio empregou toda a energia para combater esta doutrina falsa e perniciosa.
A peste que em 253 dizimou a população do império romano, chegou também a Alexandria, e Dionísio prestou naquela ocasião grandes serviços a cristãos e pagãos. Notável foi a diferença no modo com que o flagelo foi recebido por uns e outros. Enquanto os pagãos se entregavam ao desespero, os cristãos sofriam com paciência, conformando-se sossegadamente com as determinações da vontade divina.
Outra grande perturbação foi causada pela crença que se tinha formado entre o povo, do império milenar de Cristo. Era opinião de muitos cristãos que Jesus Cristo reinaria aqui na terra mil anos antes do juízo final e para justificar esta doutrina, estribavam-se nas declarações do Apocalipse de São João. Dionísio opôs-se a esta doutrina, cujo maior propagandista era o Bispo Nepos, de Arsínoe.
Devido à intercessão de Dionísio junto à Santa Sé, foi evitada a excomunhão que o Papa Estêvão queria lançar contra São Cipriano e outros bispos africanos, que defendiam a necessidade da repetição do batismo dos que tinham abjurado a heresia e voltado ao seio da Igreja. Assim Dionísio trabalhava sempre com espírito conciliador, no interesse da conservação da paz na Igreja.
Quando em 257 foi decretada nova perseguição, desta vez pelo Imperador Valeriano, Dionísio foi intimado a abandonar Alexandria e dirigir-se para Kepfro, na Líbia. O tempo que lá passou, foi uma bênção para aquele povo, o qual, sendo pagão, quase na sua totalidade, abraçou a religião de Cristo, devido ao zelo apostólico que Dionísio desenvolveu.
Em 260 cessou a perseguição, e Dionísio pôde voltar para Alexandria, onde encontrou tudo a braços com grandes desordens.
Dionísio escreveu diversos livros, em que defende a doutrina católica contra Sabélio de Ptolemaida, que negara a diferença entre as pessoas divinas e escrevia contra a divindade de Jesus Cristo.
O estado de saúde abalada não lhe permitiu tomar parte no Concílio de Antioquia, que se realizou em 264. Dionísio morreu no ano de 265, no décimo sétimo do seu episcopado.
REFLEXÕES
São Dionísio tornou-se outro homem com a conversão ao cristianismo. A religião mostrou-lhe uma felicidade, que não é aquela a que os mundanos aspiram: prazeres, honras e riqueza. Está no homem o desejo profundo e inextinguível de ser feliz. Até hoje o mundo não cumpriu as promessas de dar felicidade a quem se lhe confia. As promessas são falsas e os bens enganadores. A riqueza gera a ambição, a inveja e a dissolução dos costumes; honras e glórias são as raízes do orgulho e de inimizades; prazeres ilícitos deixam na alma o tédio e a dor. É isto que o mundo oferece: uma felicidade efêmera, inconstante e falsa. O que o mundo não pode dar, em nós próprios encontramos. Tranquilidade e felicidade não andam tão longe como pensamos. "O reino de Deus está em vós", diz-nos Jesus Cristo. "Nossa glória — afirma o Apóstolo (II Coríntios 1, 12) — é o testemunho de nossa consciência", que de nada nos acusa. A felicidade de ser filho de Deus, herdeiro de Deus, coerdeiro de Jesus Cristo; a convicção íntima de ter procedido corretamente para com Deus e os homens; o consolo que temos no perdão dos nossos pecados, a esperança de uma feliz eternidade, o desprezo dos bens terrenos, a lembrança do nosso grande destino — eis as fontes da felicidade verdadeira. Feliz de quem as descobre em sua alma.
Santos do Martirológio Romano, cuja memória é celebrada hoje:
A consagração das basílicas dos príncipes dos Apóstolos em Roma. A de São Pedro foi consideravelmente aumentada e restaurada. A de São Paulo foi destruída em 1823 por incêndio. Pio IX mandou-a restaurar e consagrou-a em 10 de dezembro de 1854.
Em Antioquia, no tempo do Imperador Galério, o martírio de São Romão; que morreu enforcado no cárcere. No mesmo dia morreu decapitado Várula, carcereiro de São Romão.
Notas
- PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-ii ↩