18 de maio — São Félix de Cantalício, Confessor
18 de maio — São Félix de Cantalício, ConfessorExtraído de uma edição de 1928 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1
Era o encargo do frei capuchinho Félix pedir esmolas para o convento São Boaventura em Roma. Dia por dia passava ele pelas ruas da cidade eterna. Todos o veneravam. Príncipes e Cardeais o cumprimentavam respeitosamente e, onde quer que estivesse, o povo o procurava como a um grande santo. De fato, a Igreja inseriu seu nome no catálogo oficial dos Santos.
Que fez este pobre frade para merecer as honras dos altares?
Bom é o ator que representa impecavelmente seu papel, quer seja de rei ou de mendigo. Eis a chave do enigma da vida santa aqui na terra. Frei Félix, o pobre capuchinho, andando pelas ruas, saudava a todos com um alegre "Deo gratias". As crianças, sabendo que assim agradavam ao Frei Félix, corriam-lhe atrás, gritando: "Deo gratias, Frei Félix, Deo gratias". Muitas vezes reunia as crianças ao seu redor, cantava com elas ou ensinava-as rezar. Nestas ocasiões compunha pequenos versos que os pequenos, num instante, decoravam.
"Deo gratias" dizia o frade, quando lhe davam uma esmola para seu convento. "Deo gratias" era sua resposta também quando, em vez de esmola, recebia insultos e maus tratos. A todos, bons e maus, respondia com seu imperturbável e pacífico "Deo gratias". Em tudo louvava a bondade e misericórdia de Deus.
Quarenta anos ocupou Frei Félix seu posto de esmoleiro, sempre com a mesma dedicação, sempre com a mesma humildade. Todos o conheciam, pois era o espetáculo de cada dia ver o bom do Frade, descalço, trajando um hábito velho e roto, vergando um grande saco, tendo nas mãos o rosário, recolhido num profundo silêncio. Seu aspecto inspirava respeito. Quando velho e já alquebrado, passava pelas ruas, que durante quarenta anos o viram passar, veio-lhe de encontro um Cardeal, que o perguntou porque não pedia aos seus Superiores um descanso. Félix respondeu-lhe: "O soldado morre com as armas na mão e o burro sob o peso de seu fardo. Não permita Deus que eu dê repouso ao meu corpo, que outro fim não tem senão sofrer e trabalhar". Imitando a São Francisco, seu Pai espiritual, chamava seu corpo "o irmão burrinho", dispensando-lhe o tratamento correspondente a pão e água, e descanso numa dura tábua.
Pelo fim da vida sobreveio-lhe uma doença dolorosíssima que o fez sofrer muito. Frei Félix no meio das suas dores não perdia a paciência e alegria espiritual. Grato, aceitou tudo da mão de Deus para tornar-se cada vez mais semelhante a Jesus, seu divino modelo. Costumava dizer: "O sofrimento é uma graça de Deus; as dores são rosas preciosas. Quereis que as recuse e me prive da honra de sofrer por Jesus? Meu corpo preferiria não sofrer; porém, não o atendo. Ele há de fazer o que Deus quer".
Grande e ardente era o seu amor a Jesus crucificado e a Maria Santíssima. Noites inteiras passava-as ao pé do altar da Santíssima Virgem. Num amor ardente, estendia seus braços pedindo à divina Mãe, com toda simplicidade, que reclinasse o doce Menino Jesus nos seus braços, graça esta, que Maria Santíssima lhe concedeu muitas vezes.
Frei Félix teve uma santa morte. Morreu com 72 anos de idade, no ano de 1587. Uma visão celestial glorificou sua agonia. Numa indizível alegria, estendeu os braços e exclamou: "Oh, oh, oh!". À pergunta dos Irmãos, o que era, respondeu: "Eu vejo o que vós não podeis ver". Muitos milagres confirmaram sua santidade.
Reflexões
1. Duas coisas São Félix fazia aos pecadores ponderar: o perigo deles caírem em pecados ainda maiores e de morrerem em estado de pecado e se perderem eternamente. Realmente, quem caiu em pecados e deles não se livra por uma boa confissão, dificulta consideravelmente sua conversão, e está em sério perigo de permanecer no seu triste estado até à morte.
2. A jaculatória predileta e sempre usada de São Félix era: "Deo gratias" — "graças a Deus!" Como São Félix, cada um de nós tem muitos motivos para agradecer a Deus, que é o nosso maior e constante benfeitor. Tudo que somos e possuímos, a Deus é que devemos: criação, conservação da vida, Batismo, perdão dos pecados e inúmeras graças. É justo, pois, que lhe manifestemos a nossa gratidão, de acordo com o ensinamento do Apóstolo: "Graças rendei a Deus em todas as coisas, pois esta é a sua vontade". (I Tessalonicenses 5, 18).
Notas
- PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-i_202312 ↩