18 de fevereiro — São Simeão, Bispo e Mártir

18 de fevereiro — São Simeão, Bispo e Mártir
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Extraído de uma edição de 1928 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1

Em São Simeão saudamos um parente próximo de Nosso Senhor Jesus Cristo. Seu pai, Cléofas, era irmão de São José, e sua mãe, Maria, parente muito chegada da Santíssima Virgem. O Apóstolo São Tiago Menor era seu irmão, amigo muito dedicado de Nosso Senhor, testemunha ocular de Sua Paixão e Ressurreição. Com os demais Apóstolos, Simeão recebeu o Espírito Santo no dia de Pentecostes, e quando estes procuraram cada um o campo de sua ação evangélica, Simeão ficou em Jerusalém, com seu irmão Tiago, primeiro Bispo daquela cidade. São Tiago sucumbiu à sanha feroz dos judeus e morreu mártir. São Simeão, por ordem do Conselho dos Apóstolos, continuou a obra de seu irmão, sucedendo-lhe como Bispo de Jerusalém. Com um zelo verdadeiramente apostólico, pregou a doutrina de Cristo a judeus e pagãos, e pelo seu exemplo edificou a jovem Igreja jerusalemita. Sob seu governo cumpriu-se a terrível profecia de Nosso Senhor sobre Jerusalém. Os judeus, em vez de ouvir os conselhos dos Apóstolos, correram atrás de falsos profetas e levantaram-se contra os romanos, o que foi sua perdição. Antes, porém, do imperador Vespasiano cercar e atacar a cidade, os cristãos, por um aviso que receberam do céu, tiveram tempo de providenciar o seu êxodo. Simeão, obedecendo à voz de Deus, retirou-se para a cidade de Pela, onde, com toda a calma, pôde se dedicar ao seu múnus apostólico, enquanto em Jerusalém não ficou pedra sobre pedra. Mais de um milhão de homens morreram de fome, de miséria, vitimados por doenças ou crucificados pelos romanos; cem mil judeus foram levados à escravidão. Tendo terminado o terrível castigo, com que Deus profligou a cidade deicida, os cristãos voltaram e, por entre os escombros e ruínas, construíram suas casas e continuaram a viver em paz, servindo a Deus Nosso Senhor. Muitos judeus, vendo os grandes milagres que o Apóstolo fazia, converteram-se ao Cristianismo. O demônio, o inimigo de todo o bem, observou com maus olhos o progresso da religião de Cristo na capital da Judeia. Não lhe sendo possível causar maiores males, semeou cizânia, que medrou produzindo várias heresias, que São Simeão pôde logo abafar.

Trajano era imperador de Roma. Na perseguição que decretou contra os cristãos, visou principalmente evitar que a família e os descendentes daquela estirpe pudessem conceber a ideia de restaurar o Reino Davídico ou de se proclamar um novo Messias, e levar os judeus a uma grande rebelião. Foi bastante esta preocupação do monarca para os judeus e hereges de Jerusalém denunciarem o nome de Simeão, que realmente era da família de Davi.

Simeão, ancião de 120 anos, recebeu ordem de prisão e intimação de prestar homenagem aos deuses. “Nunca, nunca — foi a resposta do venerável Apóstolo — nunca jamais farei tal coisa, negando e traindo assim meu Mestre e Senhor. Teus deuses têm sido entidades infames e ímpios; Jesus Cristo, porém, é Deus verdadeiro”. — No meio da cruel flagelação, a que o desumano governador o sujeitou, Simeão louvou e bendisse o nome de Deus e o de Jesus Cristo. Vendo que nada conseguia, o governador condenou-o à morte da cruz. Honra maior não lhe poderia ser dispensada, e por isso Simeão, ouvindo esta sentença, exultou de alegria. Ele próprio se estendeu sobre o instrumento do martírio e ofereceu aos algozes suas mãos e seus pés. Do alto da cruz ainda confessou o nome do divino Mestre, rezou pelos seus inimigos e entregou o espírito a Deus.

Reflexões

1. Em testemunho da fé, São Simeão foi crucificado. Não é este martírio que Deus de ti exige; mas muita ocasião se te apresenta de crucificar tua carne; e esta crucificação é necessária para tua salvação. “Aqueles que pertencem a Cristo — diz São Paulo — crucificaram sua carne, com seus apetites” (Gálatas 5, 24). Segundo Santo Anselmo, a crucificação da carne consiste na prática do jejum e de outras mortificações corporais. Santo Agostinho chama crucificação da carne a guerra contínua contra as más inclinações e paixões. Os Santos Padres veem na crucificação da carne mortificação exterior dos sentidos, que não devem ter aplicação abusiva para não ofender a Deus. Se queres, pois, crucificar teu corpo, observa os dias de jejum e abstinência, embora te custe um pouco. Fecha teu ouvido a conversas inconvenientes, inúteis e maldizentes. Guarda tua língua de palavras que ofendem a Deus. Não profane tua boca com beijos ilícitos. Afasta tua mão de toda a impureza e não a estendas para o bem injusto. Não permita a teus pés, que te levem a lugares que importam perigo para tua alma. Resiste aos ímpetos da ira, da vaidade, da ambição e domina tuas más inclinações. Desta maneira, crucificando tua carne, serás crucificado com Cristo e pertencerás ao teu Senhor e Deus.

2. São Simeão morreu na idade de 120 anos, e sua morte foi gloriosa. Que idade tu alcançarás? Ninguém o sabe. Como será tua morte? Santo Agostinho responde a esta pergunta, dizendo: “Não pode ter morte má, quem viveu piedosamente”. Não será provável alcançares a idade de São Simeão; tua esperança, entretanto, é chegar a um bom número de anos. Quais são as razões, que justificam essa esperança? Tua mocidade? Teu vigor e tua saúde? Muitos há que morreram mais moços; muitos morreram quando pareciam ter força e saúde para cem e mais anos. O rico do Evangelho também embalava a doce esperança de viver muito, e a morte o colheu inesperada e prematuramente. Não contes com o futuro, como com uma coisa garantida, e toma em consideração as palavras da Imitação de Cristo: “Louco, porque contas com vida longa, não tendo seguro nenhum dia? Quantos que, pensando em viver muito, viram-se enganados e morreram imprevistamente? Faze agora o que está ao teu alcance, pois não sabes quando a morte te chamará”.

Notas
  1. PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-i_202312
18 de fevereiro — São Simeão, Bispo e Mártir — Padre João Batista Lehmann