18 de agosto — Santa Helena

18 de agosto — Santa Helena
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Extraído de uma edição de 1935 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1

Sobre a origem e a pátria de Santa Helena há divergências entre os historiadores. Segundo a opinião de uns, Helena era filha de uma família pobre de Drepanon, na Bitínia, quando outros nela reconhecem uma Princesa de sangue real de York, da Inglaterra.

Educada no paganismo, contraiu matrimônio com Constâncio Cloro, oficial do exército da nobre família do Imperador Cláudio II e Vespasiano. Dessa união nasceu Constantino, que mais tarde se tornou célebre na História, como primeiro Imperador cristão.

O Império Romano tinha dois imperadores. Estes (Diocleciano e Maximiano), depois de um governo de 20 anos, adotaram mais dois “Césares”: Galério Maximiano e Constâncio Cloro. A este, marido de Helena, coube a administração da Gália e Bretanha.

Quis a exigência política, que Constâncio Cloro repudiasse Helena, para casar-se com Teodora, enteada de Maximiano.

Constantino, para garantir a fidelidade do pai, foi retido como refém na corte do Imperador Diocleciano, onde, como segundo Moisés no meio do mundo pagão, viveu doze anos. Quando Galério conseguiu a renúncia dos dois velhos Imperadores, ambos célebres pela perseguição que fizeram aos cristãos, Constantino partiu para a Bretanha, onde o pai o apresentou ao exército como sucessor no trono.

Constâncio Cloro morreu, e Constantino foi proclamado Imperador. Helena voltou para junto do filho. Um dos primeiros atos do novo Imperador foi sustar a perseguição aos cristãos. Embora educado nas ideias do paganismo, Constantino já conhecia bastante o cristianismo, para votar-lhe estima e respeito.

Devendo abrir campanha contra Maxêncio, com um grande exército se dirigiu à Itália, na incerteza a que divindade devia invocar, para assegurar-se da vitória. Uma voz interior dizia-lhe que só ao Deus dos cristãos se devia confiar. Diz a lenda que, à luz do meio-dia lhe apareceu uma cruz no céu e com ela foram vistas estas palavras: In hoc signo vinces (Neste sinal terás a vitória). Na noite seguinte, uma visão que teve, deu-lhe diretivas ainda mais claras.

Confiante em Deus, Constantino arriscou a batalha contra o exército de Maxêncio, muito mais numeroso que o seu, e saiu vencedor.

Teve esta vitória como consequência vir Constantino a declarar-se abertamente protetor do Cristianismo.

A mãe, Helena, recebeu o batismo, preparando a conversão do filho. Com a mudança de religião, ela deu também à vida um cunho tão característico de cristã, que todos admiravam as virtudes que praticava, entre estas principalmente a caridade.

Constantino proclamou-a Imperatriz e em sua honra mandou cunhar moedas, com a sua efígie, as quais traziam a seguinte inscrição: “Flávia Helena”.

O exemplo da santa Imperatriz, a bondade, o zelo e dedicação ganharam-lhe os corações dos súditos. Faltava ainda destruir o último baluarte do paganismo, o que Constantino conseguiu pela vitória sobre Licínio, Imperador do Oriente. Derrubado este, pôde ser convocado o grande concílio de Niceia, em 325, cujo maior triunfo foram a defesa da divindade de Jesus Cristo, contra os Arianos, e o projeto de edificar-lhe um templo no monte Calvário.

Apesar dos seus 80 anos, a Imperatriz quis levar a efeito essa grandiosa ideia. Com esse fim, transferiu sua residência para Jerusalém e começou a obra.

Muitos prisioneiros cristãos no Oriente obtiveram a liberdade.

Helena teve a grande satisfação de encontrar o santo Lenho.

Tendo voltado a Roma, a piedosa Imperatriz fez-se servidora de donzelas que, em santa comunidade, viviam dedicadas a Deus. Considerava grande honra poder servi-lhes à mesa.

Sentindo aproximar-se a morte, deu salutares conselhos ao filho e aos netos, e em agosto de 328 entregou a bela alma a Deus. O enterro de Helena foi uma apoteose.

Mais tarde Constantino mandou erigir em Constantinopla um grande crucifixo, ladeado de duas estátuas, que representavam ele e sua santa mãe.

Helena era geralmente considerada o protótipo de mulher virtuosa, tanto que as Princesas reputavam grande honra serem chamadas segundas Helenas. Rufino chama incomparável sua fé, e Gregório Magno atribui à interferência de Helena o reerguimento do espírito cristão entre os Romanos.

Reflexões

O traço mais característico da vida de Santa Helena é a bondade e o amor do próximo, de que deu provas. Qualquer que seja tua posição, é possível também praticares esta virtude e terás a certeza de assim cumprir a lei de Jesus Cristo e merecer-lhe o agrado. “Aprendei a fazer o bem, procurai o que é justo, socorrei o oprimido, fazei justiça ao órfão, defendei a viúva, reparti vosso pão com quem tem fome, introduzi em vossa casa os pobres e peregrinos; quando virdes o nu, cobri-o e não desprezeis a vossa carne” (Isaías 1, 17; 58, 7). “Não impeças de fazer o bem àquele que o pode fazer; se podes, faze-o tu mesmo também. Não digas a teu amigo: “Vai e torna; amanhã te darei — quanto tu lhe podes dar logo” (Provérbios 3, 28). “Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia!” (Mateus 5, 7).

A Sagrada Escritura está cheia de elogios à caridade. São do Antigo Testamento as seguintes referências à caridade: “Abençoada será a posteridade do misericordioso” (Salmos 36, 26). “Faze esmola dos teus bens, e não voltes teu rosto a nenhum pobre; porque desta sorte sucederá que também não aparte de ti a face do Senhor. Da maneira que puderes, sê caritativo. Se tiveres muito, dá muito; se tiveres pouco, procura dar de boa mente esse pouco” (Tobias 4). Oxalá possas aplicar a ti a palavra do piedoso Jó: “Desde a minha infância cresceu comigo a comiseração; desde pequeno, era meu prazer socorrer os necessitados e oferecer-lhes meus préstimos” (Jó 31).

Santos do Martirológio Romano, cuja memória é celebrada hoje:

Em Praeneste, hoje Palestrina, o santo mártir Agapito, menino de quinze anos, que foi metido no cárcere, onde sofreu inauditas torturas. Finalmente foi atirado aos leões; como estes, porém, nenhum mal fizessem, a espada do algoz abriu-lhe as portas do céu.

Em Roma, no tempo da perseguição diocleciana, o martírio dos sacerdotes João e Crispo. A muitos corpos de santos mártires tinham dado enterro cristão, até que um dia se lhes abriu a porta da vitória por um glorioso martírio.

Na província Ilírico os santos mártires Floro e Lauro, escultores de profissão. Mortos seus mestres Próculo e Máximo, foram também eles submetidos a cruciantes tratos e atirados num poço. São padroeiros dos escultores.

Em Montefiascone, Santa Clara da Cruz, Virgem, da Ordem das Agostinianas, canonizada por Leão XIII. No seu coração foram encontrados estampados os instrumentos da Sagrada Paixão de Nosso Senhor. Corpo e coração da Santa estão bem conservados. 1308.

Em Metz (França) a memória de São Firmino, Bispo.

Notas
  1. PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-ii
18 de agosto — Santa Helena — Padre João Batista Lehmann