18 de abril — Santo Apolônio, Mártir
18 de abril — Santo Apolônio, MártirExtraído de uma edição de 1928 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1
Apolônio, senador romano, no tempo do imperador Cômodo (108), gozava de elevadíssima reputação na cidade dos Césares, devido à sua cultura intelectual, sua admirável eloquência e finíssimo trato. A leitura da Sagrada Escritura, a audição da palavra explicada e as conferências que teve com o Papa Eleutério, levaram-no a abandonar as superstições de uma religião falsa e pedir o Santo Batismo. Uma vez cristão, tornou-se instrumento valioso de propaganda da religião de Cristo entre seus compatrícios. Seu exemplo e a palavra conduziram muitos ao redil do divino Pastor.
Se bem que Cômodo não perseguisse os cristãos, até lhes desse provas de simpatia, existia em vigor uma lei anterior, segundo a qual era condenado à morte o cristão que, acusado de sua religião, se negasse a abandoná-la. Achou-se um escravo de Satanás que, incomodado pelo incremento que o catolicismo tomava, se lembrasse de denunciar a Apolônio. O juiz, Perennis, penalizado por ver arrastado ao tribunal membro tão distinto da sociedade, nem por isto podia deixar de convidar a Apolônio para abjurar o cristianismo. Apolônio, por sua vez, aproveitou a ocasião, para proferir belíssima defesa de sua religião no fórum, mostrando à assembleia numerosíssima a falsidade do paganismo e a impiedade do culto idólatra. Suas palavras calaram profundamente nos espíritos dos assistentes e ninguém teve um gesto de réplica. Perennis, porém, temendo qualquer reação ou protesto, se absolvesse o denunciado, propôs a Apolônio, de por mera formalidade, renunciar às doutrinas cristãs, garantindo-lhe toda a liberdade de consciência em tal assunto. Apolônio, atirou para longe tal conselho. “Admiro-me — disse ao juiz — tendo tu ouvido minha argumentação irrefutável, como podes fazer-me tal insinuação. Sou cristão, não só de palavra, mas desejo sê-lo de fato e maior desejo não nutro, a não ser este, de derramar o meu sangue em testemunho de minha fé”.
Ainda em termos eloquentes e persuasivos, exortou ao juiz e aos senadores a aceitarem a religião cristã, única e verdadeira, capaz de abrir as portas da eterna felicidade.
Suas palavras foram ouvidas com grande comoção, mas caíram em terra dura. Perennis, tendo ouvido a opinião dos demais senadores, condenou a Apolônio à pena da morte pela espada. Ao ouvir esta sentença, Apolônio deu graças a Deus em alta voz, confessando-se publicamente cristão, que, como tal, queria viver e morrer. Apelou ainda a todos, para que seguissem seu exemplo e tratassem da salvação de sua alma.
Sua morte ocorreu em 186.
Reflexões
A conversão de Santo Apolônio foi o fruto da leitura da Sagrada Escritura, do estudo da religião e das conversações com o Santo Papa Eleutério. Uma vez convencido da verdade da santa religião, tendo recebido o Batismo, tratou com toda energia adquirir as virtudes cristãs. A leitura espiritual e a audição da palavra de Deus são dois meios poderosos, não só para conhecer a verdade da religião, como também para subordinar-lhe a vida e se santificar. O Batismo abre-nos apenas os tesouros da graça, fazendo-nos filhos de Deus. Pelas virtudes é que devemos agradar a Deus. Duas coisas Nosso Senhor mandou aos Apóstolos que fizessem: Batizar os povos e ensinar-lhes a cumprir tudo o que ele mandou. O amor de Deus se manifesta pela observação dos seus mandamentos. São Paulo ameaçou os Gálatas com o inferno, se não começassem a levar uma vida segundo a fé. “Que adianta, meus irmãos, se alguém disser que tem a fé, e não a praticar. A fé sem as obras é uma fé morta”.
Notas
- PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-i_202312 ↩