17 de setembro — Santa Hildegarda, Religiosa e Abadessa
17 de setembro — Santa Hildegarda, Religiosa e AbadessaExtraído de uma edição de 1935 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1
O Martirológio Romano registra hoje o nome de Santa Hildegarda, nobre descendente dos condes de Sponheim, do Palatinado.
Santa Hildegarda nasceu em 1098. De acordo com os costumes daquele tempo, os pais entregaram-na aos cuidados de freiras. Assim aconteceu que Hildegarda, tendo apenas oito anos, fosse entregue à abadessa do convento das Beneditinas, em Disibodenberg. A abadessa, senhora de alta aristocracia e muito santa, introduziu a discípula nos mistérios da vida interior, inoculando-lhe um forte e decidido desprezo pelo mundo e as vaidades.
Não era, pois, para admirar que Hildegarda, uma vez conhecendo e tornando-se apreciadora da vida religiosa, pedisse para ser aceita entre as religiosas da Ordem, no que foi atendida sem a menor dificuldade.
Era um cuidado especial que a superiora tinha, de introduzir as noviças no conhecimento dos salmos, cuja recitação era uma prática cotidiana.
Desde a entrada na Ordem, Hildegarda dava às companheiras o exemplo mais perfeito de como deve ser uma religiosa. Está documentado o fato de Deus ter-lhe dado o dom da profecia de uma maneira extraordinária e desde a idade de quinze anos.
Tendo morrido a abadessa, quiseram as Irmãs que Hildegarda lhe fosse a sucessora, como a mais digna, a mais virtuosa de todas. Superiora igual não poderia haver, porque Hildegarda lia os pensamentos das filhas, conhecia-lhes as faltas mais encobertas e, por isso, mais do que qualquer outra, estava em condições de levar à perfeição as irmãs de Ordem.
A alma de Hildegarda era qual uma harpa de acuradíssima afinação, de que o Divino Espírito Santo se servia para comunicar-lhe os arcanos da divindade. Obediente a uma ordem que recebera do Espírito Santo, escreveu tudo o que lhe fora revelado, embora a humildade dificilmente se lhe conformasse com este mandamento. Não podendo, porém, resistir às instâncias da divina vontade, sujeitou-se-lhe, escrevendo uma série de livros, quase todos em latim, obras de reconhecido valor ascético. São Bernardo, assíduo leitor desses escritos, admirava-lhes a sublimidade dos conceitos e o espírito profético que neles se revelava.
Grandes elogios recebeu a Santa da parte do Papa Eugênio IV, o qual, enaltecendo os dotes sobrenaturais que de Deus recebera, lhe deu sábios conselhos sobre a necessidade de conservar-se no espírito da humildade, visto que Deus resiste aos soberbos.
A fama da santa religiosa correu terras; Papas, Imperadores e Bispos dirigiram-se-lhe, pedindo conselho em questões de difícil solução.
Tão numerosos eram os pedidos que donzelas lhe dirigiam para obter a admissão na Ordem, que foi preciso abandonar o antigo convento e fundar outro nas proximidades da cidade de Bingen, sobre o Reno.
Ainda outro convento se fundou sob a direção de Hildegarda em Eibingen, onde lhe repousam as relíquias.
Deus permitiu que o fim da vida de sua serva fosse amargurado por uma série de sofrimentos, inclusive por calúnias e maledicências, filhas da inveja e do ciúme de espíritos medíocres e acanhados. Entre as próprias filhas espirituais, algumas houve que se insurgiram contra o rigor da santa Superiora. Todas essas vozes emudeceram, à vista dos estupendos milagres, com que Deus se dignou de glorificar o túmulo da santa abadessa.
Santa Hildegarda morreu em 17 de setembro de 1179, com a idade avançada de 82 anos.
Reflexões
Sofrer calúnias e maledicências é a sorte de todos os bons. O próprio Salvador foi vítima dessas armas prediletas do inferno, quando os inimigos o chamaram de revolucionário, pervertedor do povo, possesso do demônio, desrespeitador da lei, profanador do sábado, samaritano, apóstata, blasfemo, amigo e protetor dos pecadores. Santa Hildegarda, como esposa de Cristo, julgou grande honra poder compartilhar do sofrimento do divino Esposo e, imitando-lhe o exemplo, levou com a maior paciência a cruz por Ele imposta aos seus ombros. A conformidade com a vontade de Deus nos sofrimentos dessa natureza, é a última vitória do cristão sobre o amor próprio; é a pedra de toque da mais alta perfeição, como também o escolho mais perigoso para a virtude falsa e fingida. Quem se julga perfeito, apesar de se mostrar sensível quando ofendido por línguas caluniadoras, por aí deve conhecer que está longe da perfeição cristã e pode seriamente desconfiar da solidez das suas virtudes. Abandonar os bens por amor de Jesus é coisa fácil; dificílimo, porém, é abandonar a si próprio, banir sentimentos de vingança, de ódio e toda a má vontade. Não há mal nenhum em sentir o efeito natural da calúnia, experimentar tristeza, como o próprio Jesus a sentiu e experimentou. Quem o quer imitar, imite-o também na virtude de perdoar aos ofensores e rezar pelos inimigos e perseguidores.
Santos do Martirológio Romano, cuja memória é celebrada hoje:
No monte Alverne, na Toscana, a memória da estigmatização de São Francisco de Assis.
Em Saragoça, na Espanha, São Pedro de Arbués, primeiro inquisidor no reino de Aragão, membro da Ordem dos Agostinianos. Cumpridor dos seus deveres, Inquisidor que era, tornou-se alvo do ódio dos judeus, que o apunhalaram, quando na igreja entoava o Invitatório. Dois dias depois morreu em consequência dos ferimentos. Todas as acusações levantadas contra este Santo como Inquisidor, são tendenciosas e falsas. 1485.
Em Córdova, o martírio da santa virgem Colomba. 853.
Notas
- PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-ii ↩