17 de março — Santa Gertrudes de Nivelles, Abadessa

17 de março — Santa Gertrudes de Nivelles, Abadessa
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Extraído de uma edição de 1928 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1

Entre os Santos de que o martirológio romano faz menção, vemos Santa Gertrudes. Gertrudes nasceu no ano de 631. Seus pais eram o duque Pepino, mordomo do reino da França e sua mãe, chamava-se Itta. Sua educação nada deixou a desejar. A criança ainda não sabia formular uma palavra e já sabia fazer o Sinal da Cruz. Segundo o costume daquele tempo, meninas ainda crianças eram prometidas em matrimônio. Assim aconteceu que Gertrudes, tendo apenas dez anos de idade, foi prometida pelo pai ao filho do duque da Austrásia. Gertrudes, sabendo deste contrato, assustou-se e declarou ao pai: "Já escolhi um Esposo imortal para mim e a ele prometi fidelidade; não posso aceitar um esposo mortal e abandonar o outro". Quando Pepino morreu, a viúva Itta retirou-se com Gertrudes para o convento de Nivelles. Houve protestos contra esta resolução da parte dos parentes, Gertrudes, porém, não se deixou influenciar. Aconteceu que muitas outras donzelas de famílias nobres seguiram seu exemplo e, em pouco tempo, o convento de Nivelles encheu-se de nobres e dedicadas servas de Deus. Quando Itta morreu, Gertrudes foi eleita abadessa da comunidade. Nesta posição, deu provas de grande virtude e santidade. Enorme era a sua caridade para com as irmãs e para com os pobres, para estes e para os doentes, mandou construir um hospital contíguo ao convento. Orava constantemente, dia e noite, e o jejum, abstinência e outras penitências corporais eram seus exercícios cotidianos. Não perdia tempo, estando sempre ocupada em coisa útil. Grande era seu zelo pela observação da Regra e às religiosas aconselhava com empenho as práticas de penitência e mortificação. Tendo 31 anos, renunciou o cargo de Superiora para poder se dedicar melhor à preparação para a morte. Por revelação divina, conhecera o dia e a hora do seu trânsito. Gertrudes morreu em 659. A Santa, cuja vida passara tão sossegadamente e desconhecida do mundo, foi por Deus glorificada por muitos milagres.

Reflexões

1. Pessoas há, e não as precisamos procurar nas rodas antirreligiosas e anticlericais, que, sem considerar isto sacrifício, passam grande parte da noite em divertimentos, ora em jogos, ora em bailes ou no teatro. Não só não lhes é nenhum sacrifício, como sacrifício lhes seria, se, por qualquer motivo, se vissem impedidas de comparecer em tais divertimentos. Receberiam com o mesmo agrado um convite para fazer uma hora de adoração noturna diante do Santíssimo Sacramento? O colóquio com Deus, Nosso Senhor Sacramentado, seria-lhes tão agradável e fácil como estar na companhia de bons amigos em boa e alegre palestra ou divertindo-se nos salões de um clube ou de um cinema?… É provável que não, e como é triste fazer-se esta observação entre os católicos! Santa Gertrudes passava horas em adoração noturna perante Jesus Sacramentado e daí tirava as consolações mais doces para sua vida cheia de lutas. — Se não a queres imitar neste espírito de oração; se não te achares com força e disposição para rezar muito, não deixes pelo menos de fazer tua oração da noite. É pouco o que reservas para Deus, mas este pequeno tributo de oração a Deus deve fazer parte indispensável do teu programa cotidiano.

2. Apesar das múltiplas e continuadas obras de penitência que fez, Santa Gertrudes teve medo da morte, o que não é o caso esporádico na vida dos Santos. — Tua vida em tudo é bem diferente da vida desta grande Santa, e nenhum receio tens da morte. Como se explica isso? Não será, por que não ligas bastante atenção à morte e ainda não te compenetraste da importância que teu trânsito tem para a eternidade? Da morte depende a eternidade, que será feliz ou desgraçada, conforme o juízo que Deus de ti fizer. O medo da morte é útil e vantajoso, porque nos mantêm no santo temor de Deus, é salutar, porque faz com que nos conservemos no caminho da virtude e da retidão.

Notas
  1. PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-i_202312