17 de junho — São Francisco Régis, Confessor
17 de junho — São Francisco Régis, ConfessorExtraído de uma edição de 1928 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1
São Francisco Régis, oriundo de pequena aldeia da França, nasceu em 31 de janeiro de 1597. Seu amor às coisas de Deus, as práticas de piedade a que se entregava já na sua infância e principalmente o horror ao menor pecado, tudo isto eram sinais indubitáveis de uma vocação para coisas superiores e grande santidade. Estudante ainda num colégio, dirigido por sacerdotes da Companhia de Jesus, formou, com os melhores elementos entre seus colegas, uma espécie de irmandade, com o fim de poderem, embora vivendo no mundo, levar uma vida mais perfeita.
Sentindo-se com vocação à vida religiosa, entrou em 1616 na Companhia de Jesus.
Religioso exemplar que era, procurava comunicar também aos outros o espírito de Jesus Cristo, quer nas instruções de religião que fazia em companhia com os sacerdotes ao povo do campo, quer nas escolas que a Companhia dirigia.
Ordenado sacerdote, deu largas a seu zelo apostólico. Duas vezes, em 1630 e 1640, quando a peste fez rica colheita entre homens e animais, Francisco era incansável para assistir aos pobres doentes.
Seu desejo era, como missionário, ser mandado para o campo das missões estrangeiras, mas os superiores não lhe deram tal ordem. A obediência queria seu trabalho como missionário na França. Nesta qualidade desenvolveu uma atividade pasmosa: A seu zelo no púlpito, no confessionário, nos hospitais e cárceres unia grande santidade de vida, amor extraordinário à penitência e mortificação. Era de esperar que, assim sendo, fosse nas mãos de Deus um instrumento poderoso para levar muitos pecadores à conversão e à salvação. Bispos seus contemporâneos afirmaram, terem visto a conversão de aldeias e cidades inteiras em virtude das pregações e do exemplo do santo missionário.
Dez anos se passaram entre os trabalhos mais fatigantes de missionário, quando Deus fez a seu servo conhecer o fim da sua carreira. Francisco tinha avisado a abertura duma missão em Lalouvesc, povoação na diocese de Vienne. Antes de a inaugurar, dirigiu-se ao Colégio em Aniz, onde fez uma confissão geral de toda a sua vida. A missão começou em 22 de dezembro de 1640. Aos confrades que o perguntavam se no dia do Ano Bom podia estar de volta, para com a comunidade fazer a renovação dos votos, respondeu Francisco: "Meu companheiro virá, eu não". Assim aconteceu. A viagem para Lalouvesc, já por si trabalhosa e penosa, por causa das altas montanhas, naquela ocasião tornara-se mais difícil ainda, devido à estação invernal. Os caminhos estavam quase imprestáveis devido às grandes massas de neve e gelo que os cobriam. Francisco chegou em Lalouvesc doente e com febre. Não obstante, vendo a grande multidão que o esperava, abriu a missão. Nos dias seguintes, embora se achasse bem adoentado, pregou três vezes e passou horas e horas no confessionário. No dia de Santo Estêvão, sobreveio-lhe uma grande fraqueza. Depois de ter recebido o santo Viático, arrebatado em êxtase, exclamou: "Que felicidade! Que prazer poder morrer! Eu vejo Jesus e Maria virem ao meu encontro, para me conduzir à terra dos eleitos". Dirigindo os olhos ao céu, disse ainda: "Senhor Jesus Cristo, meu Deus e Salvador, a vós recomendo a minha alma, em vossas mãos eu a entrego". Foram estas as últimas palavras do grande apóstolo.
Enorme foi a afluência do povo que desejava ver o corpo morto do Santo e acompanhar seu enterro. Correram lágrimas de gratidão e Deus se dignou glorificar seu servo com grandes milagres.
O Papa Clemente XII proclamou, em 1737, a canonização de Francisco Régis.
Reflexões
Admirável foi a paciência de São Francisco Régis no meio de muitos trabalhos e cuidados do seu cargo. Fossem quais fossem as dificuldades que se lhe opunham, levantando-se contra ele as fúrias da perseguição, de sua boca não saía nenhuma palavra de queixa. À linguagem apaixonada dos seus perseguidores, Francisco respondia com orações. Só Jesus, cuja imagem o acompanhava dia e noite, era o único confidente das suas amarguras e sofrimentos. Os Santos sofrem assim! E nós? Qual é a nossa atitude na hora da provação? Não temos nós expressões duras e desapiedadas contra os nossos perseguidores e inimigos? Não levantamos o nosso protesto contra Deus? Se de fato nosso desejo e nosso ideal é entrar no céu, devemos, como os Santos, com paciência sofrer, com paciência levar a nossa cruz. É este o único caminho que todos devem trilhar para alcançar a felicidade eterna: o da cruz, do sofrimento. "É pelas tribulações que entramos no reino de Deus" (Atos 14, 22). A paciência e a resignação minoram a dor; a impaciência e o desespero a aumentam cada vez mais.
Notas
- PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-i_202312 ↩