17 de agosto — São Jacinto de Cracóvia, Confessor

17 de agosto — São Jacinto de Cracóvia, Confessor
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Extraído de uma edição de 1935 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1

São Jacinto — uma das glórias da Ordem Dominicana — era da família dos Condes de Odravaz, da Silésia e nasceu em Kramien, na Arquidiocese de Breslávia, no ano de 1185. Observando-lhe o grande amor à virtude e a inclinação à piedade, os pais, gente piedosíssima, deram-lhe uma educação adequada, o que muito contribuiu para que o moço, nos anos dos estudos nas Universidades de Cracóvia, Praga e Bolonha, se pudesse conservar intacto dos maus princípios e péssimas influências do mundo.

Terminados os estudos, recebeu do Bispo de Cracóvia o cargo de Cônego da Catedral e nesta posição auxiliou efetivamente o Prelado, na difícil administração da Diocese.

Em companhia do Bispo, foi a Roma, e coincidiu esta viagem com a casual estada de São Domingos na Capital da Cristandade. Jacinto teve ocasião de conhecer o grande Fundador da Ordem, e sentiu-se-lhe atraído pela virtude e santidade. Tão grande veneração tinha por São Domingos, que se lhe apresentou e pediu admissão à nova Ordem. São Domingos atendeu ao pedido do jovem sacerdote e recebeu-o com mais três companheiros. São Domingos mesmo se incumbiu de introduzir os novos candidatos no espírito da Ordem e, tendo eles pronunciado os votos, mandou-os à Polônia, onde deviam trabalhar segundo o espírito do Fundador.

Jacinto começou então a missão de pregador e numerosos foram os pecadores que, movidos pela palavra apostólica do missionário, voltaram para Deus. Fundou em Cracóvia um convento dominicano. Como superior e religioso, dava a todos o exemplo mais perfeito, na prática das virtudes monásticas. Fazia jejuns rigorosíssimos e de todas as maneiras castigava o corpo, para obrigá-lo à penitência. Incansável no cumprimento do dever, como religioso e missionário, cultivava de um modo extraordinário a devoção ao Santíssimo Sacramento e à Maria Santíssima. Nenhum trabalho, de menor ou maior importância começava, sem fazer antes uma visita à igreja, para invocar o auxílio de Deus Nosso Senhor e da Santíssima Virgem. Na véspera da Festa da Assunção de Nossa Senhora, esta o honrou com uma aparição, na qual disse: “Asseguro-te, meu filho, que alcançarás tudo o que pedires a Jesus”. Estas palavras da divina Mãe animaram-no extraordinariamente a continuar na trabalhosa faina de Missionário. Depois de ter pregado em toda Diocese de Cracóvia, mandou os religiosos também para outros lugares. Foram missionados por ele e os companheiros a Prússia e Pomerânia, a Suécia, a Dinamarca, — países onde ainda existia o mais forte paganismo. Por toda parte os resultados eram esplêndidos e muitas almas foram ganhas para o céu. O zelo apostólico de Jacinto não se contentou com o que tinha alcançado até então. Dirigiu os passos para a Rússia e chegou até à Tartária. Grandes foram as conversões que pôde registrar, entre os próprios Príncipes, dos quais um, Columbano, depois de se ter convertido, retirou-se para o convento. Todas as viagens, entre as mais penosas, Jacinto as fez a pé. Consta que penetrou até ao Tibet e China.

Deus lhe deu o dom dos milagres; e foram tão numerosos esses milagres operados por São Jacinto, que lhe importaram o título de taumaturgo.

Havia 40 anos que trabalhava Jacinto, como Missionário, na vinha do Senhor, quando lhe foi revelado que o dia da glória de Nosso Senhor seria também o dia de sua entrada no céu. Na véspera da festa, no ano de 1257, fez a última alocução aos filhos espirituais e preparou-se para a morte. Depois de recebidos os Santos Sacramentos, entoou o Salmo 30. Quando chegou ao versículo: “Em vossas mãos entrego meu espírito” — exalou o último suspiro. Jacinto morreu na idade de 74 anos, tendo, até o fim da vida, conservado fielmente o estado da inocência batismal. Numerosos milagres celebraram-lhe o túmulo. Em 1524 foi canonizado por Clemente VIII e suas relíquias repousam em Cracóvia, na igreja que lhe traz o nome.

Reflexões

São Jacinto pôs a vida ao serviço de Deus, para salvar sua alma e a do próximo. O divino Mestre disse: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados” (Mateus 5). Tens esta fome, esta sede pela salvação de tua alma? Queres alcançar a felicidade eterna, mas o reino dos céus padece força e só aqueles que se esforçam o conquistam. A alma deve ter o verdadeiro desejo de alcançá-la. Não a apreciando, que desejo poderá ter? Que esforço fará para garantir-lhe a posse? As energias do homem pertencem ao objeto da sua aspiração. Geralmente este objeto ideal é a riqueza. Todos os esforços, inclusive os mais penosos, são poucos para realizarem o desejo de tornar-se rico. A riqueza, tão apreciada, tão cobiçada e desejada, nada é, em comparação com os bens eternos. Como devia, portanto, ser grande o nosso desejo de possuí-los? Se queremos ser um dia, efetivamente, os habitantes da celeste Jerusalém, é preciso que mantenhamos em nós aquela fome e sede de justiça, isto é, que trabalhemos decididamente pela nossa santificação, que não é coisa tão fácil assim. Trabalhar pela santificação, é empregar os meios para chegarmos a esse almejado fim; é remover todos os obstáculos, que se nos opõem nessa santa tarefa; é viver santamente, é viver no mundo, mas não com o mundo; é lutar contra as nossas paixões e combatê-las; é fugir das ocasiões de pecar e precaver-nos contra os atrativos do pecado. Tudo isso é luta. Sem luta nada se alcança. O céu é a coroa da vitória, é a recompensa do trabalho, é o tesouro escondido, é a terra prometida, cujo caminho passa por meio de terras áridas e inóspitas.

Que fazem os cristãos, para se assegurarem do prêmio eterno? Que fazes tu para merecer o céu?

Santos do Martirológio Romano, cuja memória é celebrada hoje:

Em Cartago os santos Mártires Liberato, Bonifácio, Servo e Rústico e mais companheiros, que após horríveis sofrimentos a que foram sujeitos pelos vândalos, passaram para a glória eterna.

Na Palestina, o Mártir São Paulo e sua irmã Juliana, que no governo de Valeriano morreram pela fé.

Em Cesareia, na Capadócia, a morte de São Mamede, martirizado no império de Aureliano.

Notas
  1. PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-ii