16 de outubro — São Galo († 646)
16 de outubro — São Galo († 646)Extraído de uma edição de 1935 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1
São Galo, este grande abade e confessor da fé é irlandês de origem e nasceu no século VI. Menino ainda, sua educação foi confiada a São Columbano, Superior do Convento de Bangor. Este santo homem, possuído de espírito missionário, tinha resolvido deixar a pátria e pregar o Evangelho em outros países. Para esse fim, escolheu alguns companheiros, entre os quais se achava Galo, como um dos primeiros.
Da Irlanda foram à Inglaterra, da Inglaterra à França. Cordialmente recebidos pelo rei Sigeberto, estabeleceram-se entre Toul e Besançon, onde construíram uma igreja e um convento. Columbano deu aos confrades uma regra, como base da vida religiosa. Galo foi o primeiro a aceitá-la, reconhecendo nela um meio excelente de santificar-se, como de fato, pela observação fiel dessa regra, se tornou modelo de virtude e santidade.
Poucos anos os missionários tinham passado no lugar por eles mesmos escolhido, quando as maquinações, intrigas e perseguições de Brunhilda, mulher irrequieta e ambiciosa, os obrigaram a abandonar completamente o convento. Protegidos pelo Rei Teodeberto, facilmente obtiveram licença para continuar a obra em outra parte.
Columbano escolheu uma região perto do lago de Constança, que era habitada por um povo idólatra e bárbaro. Galo empenhou-se por mostrar aos idólatras a falsidade do seu culto e a impotência dos deuses. Em prova disso, atirou umas imagens pagãs ao lago e quebrou outras. Os pagãos enfureceram-se contra o missionário, e só a fuga o salvou da morte. Na fuga, chegou a Arbona ou Arbon, onde se encontrou com o sacerdote Willimar, que lhe ofereceu um terreno, onde se achava um templo dedicado a Santa Aurélia, o qual tinha sido profanado pelos pagãos.
Galo procurou pôr-se em contato com os ministros da idolatria e apresentou-lhes a doutrina de Cristo como única e verdadeira. Muitos deles se converteram ao Cristianismo. O Duque Cuniberto, dando ouvido às queixas e reclamações que os chefes pagãos lhe dirigiram, intimou Galo para que se retirasse imediatamente do país.
Era plano de Columbano dirigir-se à Itália e com ele devia ir também Galo. Este, porém, acometido de grave doença, deixou-se ficar e, depois de restabelecido, procurou novamente o sacerdote e amigo Willimar, que desta vez lhe deu uma morada nas montanhas da Suíça, ao sudoeste de Arbon.
Foi aí que construiu uma igreja e doze celas para os discípulos. Foi este o começo da Abadia de São Galo, que mais tarde adquiriu tanta fama.
Com os discípulos, que, como ele, observavam a regra de Columbano, começou a cristianizar o povo e com tão bom resultado, que é chamado o Apóstolo daquelas regiões. Numerosos milagres que lhe acompanharam a missão, fizeram com que os pagãos mais se inclinassem à verdadeira religião. Galo livrou a filha do duque Cuniberto dum mau espírito, que muito a atormentava. Para demonstrar gratidão, Cuniberto ofereceu-lhe ricos presentes e a Diocese de Constança. Galo nada quis aceitar e continuou com maior zelo ainda a pregação entre os pagãos. Apesar dos seus 95 anos, acompanhava a comunidade em todos os atos e práticas de devoção e penitência.
São Galo morreu no dia 16 de outubro de 646. O corpo do Santo achou o último repouso na igreja por ele construída, sendo o túmulo objeto de muitas romarias.
REFLEXÕES
São Galo não observou só os mandamentos da lei de Deus; para chegar às culminâncias da perfeição, viveu segundo os conselhos evangélicos. Observar os mandamentos é obrigação de todos os cristãos. Oxalá os observassem! Oxalá se convencessem de que o jugo do Senhor é suave e leve a sua carga e não o sacudissem! A transgressão dos Mandamentos é uma desobediência a Deus, que não poderá ficar impune. Imprudente é o cristão que se nega a curvar-se debaixo do jugo de Deus. Se a certeza do prêmio eterno não o incita a obedecer, o horror do inferno devia então afastá-lo da senda do pecado. A Deus se deve absoluta obediência, porque é Nosso Senhor. Não somos nós que podemos impôr a nossa vontade, o nosso capricho. O servo fiel receberá a recompensa, que será abundante; o mau servo herdará o reino de Satanás e será eternamente infeliz. "Bem está, servo bom e fiel, pois que foste fiel em poucas coisas, colocar-te-ei sobre muitas; entra no gozo de teu Senhor". Ao servo inútil, porém, dirá: "Lançai-o nas trevas exteriores: ali haverá choro e ranger de dentes" (Mt. 25, 23).
Santos do Martirológio Romano, cuja memória é celebrada hoje:
Em Bourges o Bispo de Cahors, Santo Ambrósio, de 770.
Os Santos Martiniano e Saturiano com mais dois irmãos, que sofreram o martírio em 459.
Notas
- PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-ii ↩