16 de novembro — Santo Edmundo († 1241)

16 de novembro — Santo Edmundo († 1241)
, ,

Extraído de uma edição de 1935 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1

SANTO EDMUNDO nasceu em Abington, perto de Oxford, na Inglaterra. O pai, homem piedosíssimo, querendo viver unicamente para Deus, retirou-se para um convento, onde terminou os dias e a mãe, matrona de altas virtudes, deu uma educação primorosa aos filhos — Edmundo e Roberto. Católica fervorosa, dava às vezes pequenos prêmios aos filhos, para dispô-los a jejuar em dias determinados e grande lhe era a satisfação de ver que os pequenos espontaneamente, todas as sextas-feiras, faziam jejum a pão e água. Quando mais tarde Edmundo foi a Paris, com o fim de continuar os estudos, recebeu da mãe um cilício, com o conselho de usá-lo duas ou três vezes por semana. Ordenou-lhe que evitasse os divertimentos profanos, fugisse das más companhias e tivesse sempre muita devoção à Santíssima Virgem. Edmundo, embora longe da mãe, obedeceu fielmente às ordens recebidas e conservou-se impoluto no contato com o mundo. À notícia da mãe ter enfermado gravemente, deixou Paris em demanda da casa paterna, para receber-lhe a bênção e os últimos conselhos.

Como ao mais velho dos filhos, coube a Edmundo tomar a si os negócios da família. Morta a mãe, muita preocupação teve com o futuro de duas irmãs, as quais, por serem de rara beleza, maior perigo corriam de serem vítimas da perversidade do mundo. Elas se resolveram à vida religiosa num convento, e Edmundo voltou a Paris, para concluir os estudos. Oração assídua, amor ao trabalho, mortificação e grande devoção a Maria Santíssima aparelharam-no bem, na luta contra os perigos que ameaçam a mocidade, nas escolas superiores. Santificando os estudos pela virtude, esta se consolidava cada vez mais, pelo ardor com que Edmundo se dedicava aos labores.

Tão extraordinários foram os resultados que alcançou nas ciências profanas e religiosas, que os próprios mestres, admirados do que viam e ouviam, lhe ofereceram o grau do doutorado e insistiram para que lecionasse teologia e se dedicasse à pregação da palavra divina. Edmundo recebeu o Sacramento da Ordem e como sacerdote desenvolveu um tão grande zelo pela glória de Deus e a salvação das almas, que em pouco tempo era o mais celebrado missionário da Inglaterra. A fama da santidade e dos trabalhos apostólicos atraíram-lhe a atenção do Sumo Pontífice, que lhe deu a incumbência de fazer pregação contra os Albigenses. Edmundo, embora com muito receio, dedicou-se também a esta tarefa e os esforços foram-lhe coroados de êxito. Depois do regresso para Inglaterra, lá o esperaram novas honras e distinções. Vaga a sede arquiepiscopal de Canterbury, foi Edmundo por Gregório XI nomeado arcebispo, nomeação que o Santo aceitou só depois de muito relutar. Sacerdote exemplaríssimo, missionário de uma dedicação sem par, como arcebispo Edmundo era o pai dos pobres e órfãos, defensor das viúvas, refúgio dos perseguidos, consolador dos aflitos e doentes, inimigo do vício, sob qualquer forma que este se revelasse. Para os pobres pecadores era pastor misericordioso e compassivo, e pela mansidão e caridade reconduziu muitos infelizes ao aprisco do Senhor. Não tardou que surgissem inimigos poderosos contra o santo arcebispo, cujo zelo pela causa do bem, cuja firmeza no combate do mal, cuja inflexibilidade na defesa dos direitos da Igreja, provocaram a ira dos elementos maus. O próprio rei Henrique III e muitos Grandes da nação, os mesmos que o tinham indicado para a dignidade episcopal, tornaram-se-lhe inimigos implacáveis. Tanta era a guerra que estes elementos poderosos moveram contra o arcebispo, que este, vendo que na sua terra nada mais podia fazer, se retirou para o convento de Pontigny, da diocese de Auxerre, na França, onde teve uma recepção honrosíssima. Sentindo já em si os germens de doença mortal, Edmundo, em procura de alívio para os sofrimentos, transferiu a residência para o convento de Sossac. As melhoras que se esperavam da mudança de ar, não apareceram e agravou-se o estado do doente dia por dia. Ele mesmo pediu o santo Viático e com os braços abertos, adorou a santa Hóstia com tanto fervor, que causou admiração aos que assistiam a este ato. Edmundo fechou os olhos para esta vida no dia 16 de novembro de 1241, sendo-lhe a morte glorificada por muitos milagres. Os restos mortais do santo arcebispo foram levados a Pontigny. Santo Edmundo, canonizado em 1245, goza de grande veneração entre os católicos da Inglaterra.

REFLEXÕES

Da piedosa mãe Santo Edmundo recebeu o conselho de evitar as más companhias. Não teve de arrepender-se da obediência escrupulosa ao conselho da progenitora. — Todo o homem, principalmente o jovem, deve fugir da companhia de maus amigos. É incalculável o mal que a má companhia produz. Quantos e quantos moços se perderam e se perdem por causa da má companhia que frequentam. "É assim mesmo, diz São João Crisóstomo, que um homem piedoso se perde na companhia dos maus, mas não se dá o contrário, que o bom converta os ímpios". São Bernardo afirma que o demônio se serve de homens perversos para fazer o mal, que ele próprio não está em condições de fazer. A experiência quotidiana confirma este conceito. Muitos, que valorosamente resistiram às tentações fortíssimas do demônio, fraquearam miseravelmente diante dos maus conselhos, das promessas e argumentações de péssimos companheiros. Quem quer viver piedosamente e santamente morrer, fuja das más companhias mais do que do próprio demônio.

Santos do Martirológio Romano, cuja memória é celebrada hoje:

Na África, o martírio de Rufino, Marcos e Valério.

Na perseguição de Juliano Apóstata o martírio de Elpídio, Marcelo, Eustácio e companheiros. Todos foram amarrados à cauda de cavalos bravos e arrastados até morrer.

No Japão, no ano de 1722, o martírio do jesuíta Paulo Navarro, que morreu queimado.

Notas
  1. PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-ii