16 de junho — São Bennone, Bispo

16 de junho — São Bennone, Bispo
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Extraído de uma edição de 1928 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1

São Bennone, filho do conde Frederico de Ballenberg, nasceu em 1010, em Hildesheim, na Saxônia. Na idade de cinco anos foi entregue aos cuidados de São Bernardo, seu parente, que era Bispo de Hildesheim. Educado na escola do convento de São Miguel, sob a direção do Prior Wigero, fez Bennone belos progressos, não só na ciência, como na virtude. De protegido, tornou-se íntimo amigo de seu parente e benfeitor, o qual, alquebrado pelo peso dos anos, não queria em sua companhia outra pessoa a não ser Bennone. Nas horas silenciosas que o jovem passava à cabeceira do velho Bispo, aprendeu muitas coisas utilíssimas para a vida prática cristã, que livro nenhum é capaz de ensinar.

Grande foi a dor que Bennone experimentou, por ocasião da morte do Santo Bispo. Tamanha tristeza lhe causou, que o mestre Wigero seriamente receou pela saúde de seu discípulo. Com um carinho excepcional tomou conta de Benonne, que, entretanto, também tinha ficado órfão de pai. Com consentimento de sua mãe, Bennone entrou no convento, onde tinha feito seus estudos. Mais do que nunca dedicou-se ao estudo da Sagrada Escritura, dos Santos Padres, à oração e aos exercícios da vida monástica.

Tendo trinta anos de idade recebeu a dignidade sacerdotal. Como sacerdote, entregou-se de corpo e alma aos trabalhos de seu alto ministério, sendo para todos um modelo perfeitíssimo, na fidelidade de cumprir as obrigações de seu estado. O modo de celebrar a Santa Missa era edificantíssimo, e na cura de almas o seu zelo não conhecia limites.

Quatro anos depois de sua ordenação sacerdotal, foi Bennone eleito, pela maioria de seus confrades, Abade do seu convento. Durante três meses ocupou este cargo, até quando, à insistência de seus pedidos, os religiosos consentiram na sua renúncia a favor de Sigeberto, que na eleição tinha obtido grande número de votos. Grande foi seu prazer em poder voltar às práticas da vida religiosa e no maior recolhimento trabalhar pela sua santificação.

Pouco durou este prazer. O imperador Henrique III, no desejo de ter um colégio formado pelos homens mais sábios da Alemanha, tinha fundado um instituto para cônegos regulares, em Goslar e, com o consentimento do Papa Leão IX, nomeou Bennone para ser seu primeiro diretor. Dezessete anos ocupou este cargo. O instituto gozou de grande reputação, e grande foi o número de homens célebres pelo saber e pela virtude, que em Goslar tinham feito seus estudos. Um dos discípulos de Bennone foi Hanno, que mais tarde ornou a sede arquiepiscopal de Colônia e pela morte de Henrique III, assumiu o cargo de governador do Império. Hanno, amigo íntimo de Bennone, pela sua alta posição e influência fez com que fosse ao seu mestre oferecida e conferida a dignidade de Bispo de Meissen. Bennone, na idade de 56 anos, recebeu a sagração episcopal das mãos de Werner, Arcebispo de Magdeburgo e irmão de Hanno.

Chamado por Deus para governar uma parte da Igreja de Cristo, Bennone deu provas de Bispo exemplar, tanto na administração material da sua diocese, quanto na cura de almas. Pela palavra e pelo seu exemplo, procurou implantar nos corações dos seus diocesanos o espírito de Cristo, o espírito da verdade e do temor de Deus. Nesse intuito distribuiu sua herança materna entre os indigentes, estabeleceu um cabido, composto de membros dignos e competentes, pregou contra os vícios predominantes e as práticas supersticiosas. Especial atenção dedicou ao culto divino, insistindo por toda parte para que fosse celebrado com toda dignidade e com devido esplendor.

Nas margens do Elba moravam os eslavos, que, nos tempos passados, convertidos ao Cristianismo, tinham em grande parte voltado para as superstições da sua antiga religião. Para salvar estes povos e reconduzí-los à verdade do Evangelho, Bennone empregou todos os seus esforços. Não sobreviesse uma tempestade inesperada, o trabalho apostólico teria sido coroado de brilhante êxito.

Rebentou uma guerra atroz, entre o imperador Henrique e os Saxões. Bennone, ponderando bem todas as razões, julgou prudente observar a mais estrita neutralidade, no que o imperador reconheceu um crime de lesa-majestade. A cidade de Meissen recebeu inesperadamente a visita insólita de tropas imperiais, que se apoderaram da pessoa do Bispo e destruíram a catedral. Bennone foi detido na prisão, durante um ano. Neste ínterim ficou a cidade de Meissen entregue às arbitrariedades de Burkhardo, homem cruel e sanguinário.

Bennone voltou e restaurou a Igreja. Sobreveio então a luta entre Henrique IV e o Papa Gregório VII. O imperador convocou a Dieta de Worms, com o intuito de, pela cooperação dos bispos da Alemanha, conseguir a deposição do Papa. Este, por sua vez, convidou os Bispos alemães e o imperador para um sínodo em Roma, querendo assim obrigar Henrique a responder às acusações contra ele levantadas. Bennone assistiu ao sínodo, que lançou a excomunhão contra o imperador e seus partidários. Antes da sua partida, entregou as chaves da catedral a dois cônegos, com a ordem expressa de atirar com elas ao Elba, caso o imperador fosse excomungado. Os cônegos, tendo depois notícia da excomunhão e, obedecendo à ordem recebida, fecharam a catedral e lançaram as chaves ao rio.

Para se esquivar à manifestações ruidosas, Bennone, voltando a Meissen, entrou na cidade como forasteiro, pedindo hospedagem num hotel. Na mesma hora vieram dois homens trazendo um grande peixe, apanhado no Elba, em cujas entranhas foram encontradas as duas chaves da catedral. Desta maneira foi descoberta a chegada do Bispo, e o povo lhe fez uma recepção jubilosa.

Bennone recomeçou seus trabalhos apostólicos, entre estes a evangelização dos eslavos. Não mais sendo molestado em seu santo ministério, teve a satisfação de ver a conversão em massa dos idólatras. Grandes milagres, que Deus fez por intermédio do seu Apóstolo, corroboraram a verdade da doutrina pregada aos infiéis.

Para não ser alvo de elogios e assim perder seu mérito, Bennone se retirou para a solidão, e dela só saia quando negócios urgentes exigiam sua presença.

Bennone tinha alcançado a idade de 96 anos, quando Deus o chamou para o descanso eterno. A santa vida terminou com uma santa morte em 16 de junho de 1106.

O Papa Adriano VI, em 1523, honrou a memória do santo Bispo, inserindo o nome de Bennone no catálogo dos Santos. As relíquias de São Bennone se acham na Igreja de Nossa Senhora em Munich. São Bennone é padroeiro da Baviera e invocado contra a peste e doenças contagiosas.

Reflexões

São Bennone, procurou com muito interesse conhecer a vocação, a que Deus o destinara. Não havendo mais dúvida sobre a vontade de Deus a seu respeito, deu logo os passos necessários para o cumprimento da mesma e cumpriu pontualissimamente as obrigações que seu estado lhe impunha. A escolha, ou por outra, o conhecimento da vocação é coisa de grande monta, na vida do cristão. É verdade que todos os estados são bons, e profissão não há, em que seja impossível santificar-se. Como, porém, os talentos e as aptidões são diferentes e cada indivíduo apresenta suas inclinações e qualidades, é necessário que cada um escolha o estado cujo caráter mais se adapta ao seu, e em que, com mais facilidade, pode aplicar e desenvolver seus talentos. Da escolha do estado depende, em grande parte, a felicidade aqui na terra e quase sempre também a salvação da alma. Sendo, pois, a escolha do estado uma escolha de grande importância para a vida e para a morte, é de toda conveniência que se procure, com todo o zelo, saber qual se deva fazer. São três meios, de que ninguém pode prescindir, para se garantir um bom êxito: primeiro, a oração; segundo, o conselho do confessor ou de pessoas sérias e práticas da vida e terceiro, a opinião, o conselho e a bênção dos pais. Quem estiver empenhado em conhecer e escolher sua vocação, faça a escolha que na hora da morte desejará ter feito. Um bom filho, uma boa filha, não dispensará a bênção dos pais, e estes não lhe negarão seu bom conselho, sem, entretanto, se atrever a contrariar a vocação, uma vez conhecida como por Deus mandada.

Notas
  1. PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-i_202312