16 de janeiro — Santo Honorato de Arles, Bispo

16 de janeiro — Santo Honorato de Arles, Bispo
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Extraído de uma edição de 1928 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1

A família de Honorato pertencia à alta nobreza da antiga Roma, era pagã e contava vários cônsules entre seus ascendentes. Honorato recebeu uma educação adequada à posição social de seus pais e foi instruído em todas as ciências das escolas do seu tempo. Tendo chegado ao conhecimento da Igreja de Jesus Cristo, abandonou o culto dos deuses e, sem que seus pais disto tivessem conhecimento, recebeu o Santo Batismo. A mudança na vida de Honorato não ficou escondida ao pai do mesmo. Para demover ao filho das ideias cristãs, proporcionou-lhe toda a sorte de divertimento, e vendo que nada alcançava, recorreu à força brutal. Honorato, porém, ficou inflexível e fiel às suas convicções. O seu exemplo determinou a seu irmão, Venâncio, a abraçar o cristianismo. Ambos se desafiaram, então, na prática de boas obras, em exercícios de piedade e penitência. Pela morte dos pais, distribuíram sua grande fortuna entre os necessitados e retiraram-se para a Grécia. Venâncio morreu pouco tempo depois. Honorato voltou para Itália, onde recebeu o presbiterato das mãos do Bispo Leôncio, e fundou um convento na ilha inóspita de Lérins. Em pouco tempo, foi transformada a ilha, que até então era habitada só por animais bravios. Numerosos eram os pedidos de admissão naquele convento, de que Santo Hilário dizia: “Quem procura a Cristo, vai a Honorato, e quem achou Honorato, achou Cristo”.

Honorato era um verdadeiro pai para os monges do seu convento e, todos se sentiam bem sob sua direção suave e carinhosa. Seu princípio era: “Quem é virtuoso, não precisa estar triste”. No convento de Honorato reinava uma alegria e felicidade tais que a ilha de Lérins ficou sendo chamada a “feliz”.

Não é para admirar que a fama de sua santidade passasse além das fronteiras da sua terra. Estando sem bispo a diocese de Arles, o abade Honorato foi convidado, com grande insistência, para tomar a direção da mesma. Do modo que se desempenhou desta missão, dá testemunho seu sucessor Santo Hilário, que escreve: “Caríssimos! Vós mesmos fostes testemunhas do seu cuidado e de sua vigilância; vós mesmos vistes o fervor da sua devoção, a alegria do seu espírito, a formosura do seu semblante, que refletiu a pureza do seu coração. Vós mesmos observastes a concordância completa do seu proceder com sua doutrina, e experimentastes os eflúvios de sua grande caridade. Se fosse preciso representar alegoricamente a caridade, retratava a efígie de Santo Honorato”.

Só quatro anos levou o pesado período do episcopado. Prestes a morrer, na presença das autoridades da cidade, disse estas belíssimas palavras: “Olhai para mim, e convencei-vos, de que é caduca a nossa morada. De qualquer degrau, por mais alto que estejamos, a morte nos arrebata. É a sorte de todos: dos poderosos e ricos, dos justos e pecadores, dos soberbos e humildes. Muito devemos a Jesus Cristo, que pela sua Ressurreição, deu vida a nossa sepultura pela esperança de nossa ressurreição. Dando-nos Ele a vida eterna, removeu os horrores da morte. Vivei, portanto, de tal modo que não devais tremer diante do fim, e possais saudar a morte como a passagem para uma vida melhor. Não seria castigo a morte, se não causasse dor. Dura é a separação do corpo da alma; mais dura, porém, será a coabitação de ambos nas chamas eternas do inferno, se durante a nossa existência aqui na terra não tivermos guardado bem a nossa dignidade e, declarado guerra ao corpo e aos seus apetites desordenados. Fazei isso! É esta a herança que vos deixa o vosso Honorato, e com o último hálito vos convida para tomar parte na herança celeste”.

Santo Honorato morreu em 16 de janeiro de 430 e sua morte foi pranteada pelos seus diocesanos, que lhe tinham veneração de Santo.

Reflexões

Santo Honorato, que contra a vontade de seus pais abraçara o cristianismo, um dia será o acusador de tantos que nasceram na religião verdadeira e depois levaram uma vida de pagãos. O exemplo de Santo Honorato ensina-nos que, tratando-se da obediência a Deus, outras considerações devem ceder. O Evangelho de Cristo não deixa a mínima dúvida sobre o nosso destino, que não é este mundo, mas o Reino dos Céus. A maior parte dos homens, porém, vive de uma maneira como se a sua verdadeira pátria fosse o mundo, e o céu e o outro fossem quimeras. Assim sendo, natural é que põe os bens terrestres em primeiro lugar e a eles pertencem todas as atenções. Este apego às coisas do mundo é devido à aversão, a dificuldade que temos na prática das virtudes. O tempo presente nos empolga, o futuro, a eternidade deixa-nos indiferentes. Para que a morte não nos surpreenda como o ladrão que vem à noite, é necessário que nos ocupemos mais detidamente com verdades da nossa religião e, principalmente, com a eternidade, a morte, o céu e o inferno. Estas meditações nos preservam do pecado, fazem o nosso espírito se desapegar cada vez mais das coisas fúteis do mundo e dão à nossa alma um doce pressentimento da felicidade no céu. A meditação sobre a eternidade deu aos Santos força nos sofrimentos e nas lutas, e elevou-os ao mais alto grau de perfeição.

Notas
  1. PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-i_202312
16 de janeiro — Santo Honorato de Arles, Bispo — Padre João Batista Lehmann