16 de dezembro — Santa Adelaide, Imperatriz e Viúva
16 de dezembro — Santa Adelaide, Imperatriz e ViúvaExtraído de uma edição de 1935 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1
O biógrafo desta Santa foi Santo Odilon, que a conheceu pessoalmente. Da sua obra é tirado o que se segue:
Menina ainda, Santa Adelaide, princesa de sangue real, experimentou a amargura do caminho do sofrimento. Órfã com 6, enviuvou-se com 19 anos, tendo sido esposa de Lothario, Rei da Itália, envenenado pelo duque Berengario, como geralmente se crê. Obedeceu este ato ao plano de apoderar-se do trono da Itália e obrigar a jovem viúva a contrair matrimônio com o filho do duque, ao que Adelaide firmemente se opôs. Esta resistência custou-lhe a liberdade, pois determinou Berengario a apoderar-se da vítima indefesa e encarcerá-la num castelo do norte da Itália, onde sofreu não só as maiores e mais duras privações, como também os maus tratos da parte de Willa, mulher de Berengario, criatura de péssimos sentimentos.
Embora Adelaide se sujeitasse por algum tempo as condições tão indignas, aproveitou a primeira ocasião que se lhe oferecia, devido à valiosa cooperação do capelão Martinho, para, em companhia da fiel empregada, fugir da prisão. Era indicada a maior cautela, e assim passaram as fugitivas horas de angústias, receando cair novamente nas garras do algoz. Deus, porém, as protegeu. Um pescador apiedou-se delas e preparou-lhes uma refeição frugalíssima, mas saborosa, pois tinham passado um dia sem tomar alimento de espécie alguma. Enquanto estavam tratando de restaurar as forças, chegou o Margrave Appo com sua gente e, como Adelaide conhecesse a lealdade e os bons sentimentos deste príncipe, aceitou-lhe a generosa proposta e foi com ele ao Castelo de Canossa.
Era Othão, Imperador da Alemanha. Foi a ele que Adelaide se dirigiu, implorando proteção contra o injusto e incorreto procedimento de Berengario, que se tinha apoderado dos bens e a perseguira tenazmente. Como, ao mesmo tempo, o Papa lhe dirigisse igual pedido, de pôr termo à política nefanda de Berengario, na Itália, Othão resolveu transpor os Alpes e, à frente de um grande exército, atacar o criminoso usurpador. Berengario fugiu. O Imperador, servindo-se da fidelidade incondicional do Capelão Martinho, não só ofereceu, por intermédio do mesmo, a liberdade a Adelaide, mas pediu-a em casamento. Adelaide deu consentimento e assim do abismo de miséria, foi de um dia para o outro, elevada às culminâncias do poder e grandeza. Ontem maltratada nos subterrâneos de uma prisão lúgubre, acossada como um animal de caça, para inesperadamente ser colocada no trono, na qualidade de esposa do príncipe mais glorioso e poderoso daquele tempo. Passaram-se anos de mais perfeita felicidade e de uma vida virtuosíssima, ao lado do imperial esposo, quando este lhe foi arrebatado pela inexorável morte. Sucedeu-lhe no trono o filho Othão II. Enquanto se deixava guiar pelos sábios conselhos da santa mãe, tudo ia bem e o governo era por Deus abençoado. Isto, porém, mudou quando a mulher Theophania, princesa de origem grega, começou exercer grande influência sobre o coração do Monarca. Se bem que este a princípio resistisse, pouco a pouco deu crédito às acusações malsãs e suspeitas indignas que Theophania e respectivos partidários levantaram contra a venerável mãe, como se esta esbanjasse os bens da coroa, em doações a conventos e pobres. A campanha tornou-se tão forte, a atmosfera que se criou em volta de Adelaide era tão pesada e ameaçadora, que Othão se decidiu a exigir da mãe que se retirasse. Foi esta a vitória da nora ambiciosa e tirânica sobre a sogra humilde e caridosa. Adelaide procurou primeiro um abrigo na Itália, e depois na terra do irmão, na Borgonha. Se foram grandes os sofrimentos que lhe vieram da perseguição de Berengario e de Willa, a ingratidão do filho mais profundamente lhe feriu o coração maternal.
Com a saída da mãe, a benção do céu parecia ter se retirado da casa e do governo de Othão. Onde reinara a paz e felicidade, via-se o campo entregue à injustiça, à arbitrariedade, ao luxo, à leviandade e discórdia. Majolo, o santo abade de Cluny, estando a par dos acontecimentos, com franqueza apostólica abriu ao Imperador os olhos sobre o procedimento incorreto que tivera para com a mãe. Essas palavras moveram Othão ao arrependimento. Adelaide recebeu convite para ir a Pavia, com o fim de encontrar-se com o filho Imperador. Depois de uma separação de dois anos, mãe e filho se abraçaram com grande comoção. Estava restabelecida a paz, e Othão nunca mais se separou da santa mãe. Poucos anos viveu depois deste fato. Não tendo o filho, Othão III, a idade exigida pela lei para assumir o governo, a mãe Theophania assumiu a regência. Com a elevação de Theophania ao poder, recomeçou a Via Sacra para Adelaide. Para mostrar o desprezo, que votava à sogra, Theophania disse uma vez aos aduladores: “Se Deus me der mais um ano de vida, garanto-vos que o poder de Adelaide não será mais do que sobre um palmo de terra.” Não tinham passado quatro semanas e Theophania já não mais pertencia ao número dos vivos e Adelaide sucedeu-lhe na regência. Chegada ao poder, Adelaide nenhuma vingança praticou contra os inimigos. Que o coração da santa Imperatriz estava longe de ideias vingativas, prova a grande caridade com que tratou duas filhas de Willa, sua maior inimiga, as quais, tendo ficado órfãs de pai, foram por Adelaide convidadas a viverem em sua companhia e tratadas como filhas.
Como regente, soube Adelaide muito bem coordenar as obrigações políticas e religiosas. Partindo do princípio: que a felicidade e prosperidade de uma nação depende da benção de Deus, procurou implantar na alma do povo o santo temor de Deus, fazendo empenho para que fossem conservados fielmente os costumes e usos da vida cristã.
Pressentindo a aproximação da morte, Adelaide se retirou para o convento beneditino em Selz sobre o Reno, que fundara, onde passou o resto da vida no maior recolhimento e onde entregou o espírito ao Criador.
Reflexões
Na biografia de Santa Adelaide se lê o seguinte tópico: “No seio da família mostrava soberana amabilidade, no trato com estranhos era de uma fidalguia prudente e reservada; mãe dos pobres, era protetora das instituições eclesiásticas e religiosas; boa e humilde para os bons, era severa em castigar os maus e os ímpios. Humilde na prosperidade, paciente e conformada na adversidade, sóbria e modesta no comer e vestir, constante, na prática dos exercícios de piedade, penitência e caridade, era Adelaide o modelo de uma perfeita cristã. Colocada sobre o trono, o orgulho não lhe tomou posse do coração, e das virtudes nenhum reclame fez. A lembrança dos pecados não a entregou ao desânimo ou ao desespero, como também os bens deste mundo: honra, magnificência e glória, não conseguiram perturbar-lhe a paz da alma, porque em tudo se baseava sobre o fundamento de toda santidade: a humildade. Firme na fé, era imperturbável sua esperança”.
Oxalá Santa Adelaide encontre entre as mães de família, muitas imitadoras das virtudes e perfeições que a distinguiam. Mães de família desta têmpera são a segurança da religião e da pátria.
Santos do Martirológio Romano, cuja memória é celebrada hoje:
Os três jovens hebreus Ananias, Azarias e Misael, que foram educados na corte imperial da Babilônia, mais tarde atirados à fornalha ardente, porque se negaram a adorar a estátua de Nabucodonosor. Protegidos pelo Anjo do Senhor, saíram ilesos da fornalha e entoaram o célebre cântico "Benedicite", que é rezado diariamente pelos sacerdotes como ação de graças depois da Santa Missa.
Em Formia, o martírio de Santa Alvina, na perseguição de Décio.
Na Tunísia, na perseguição dos Vândalos, o martírio de muitas donzelas católicas.
Notas
- PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-ii ↩