16 de agosto — São Roque

16 de agosto — São Roque
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Extraído de uma edição de 1935 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1

São Roque, o grande padroeiro contra a peste, nasceu em Montpellier, na França, no ano de 1295 aproximadamente. Há escritores que lhe põem a data do nascimento em época mais recente. Roque era filho dum nobre fidalgo de nome João. A mãe, Libéria, conhecendo no menino um dom de Deus, fruto de longas e continuadas orações, esmerou-se muito em lhe dar uma educação aprimorada. A virtude e santidade da mãe parecia ter-se comunicado ao filho; pois este, desde os mais tenros anos, achava gosto nas práticas de piedade e de penitência. Quando, na idade de vinte anos, perdeu os pais, dispôs da rica herança, distribuindo todos os bens móveis entre os pobres. Os bens imóveis ficaram entregues aos cuidados dum tio e Roque em condições de pobre peregrino, dirigiu-se a Roma. Quando chegou a Acquapendente, na Toscana, grassava lá a peste e Roque ofereceu-se prontamente para tratar dos pobres doentes no Hospital. De Acquapendente seguiu para Cesena e Rimini e por toda parte onde aparecia, ia diminuindo a peste, como se esta terrível epidemia fugisse com a chegada do Santo. Em Roma, porém, a caridade de Roque achou um novo campo de ação, dedicando-se, durante três anos, ao tratamento dos pobres doentes. Depois voltou aos lugares onde já tinha estado, e seu zelo escolhia entre os doentes os mais abandonados, nutrindo o desejo ardente de poder oferecer a Deus o sacrifício da vida. Doente por muitas vezes, Deus conservou-lhe a vida, no que todos conheceram uma proteção especial divina.

Restabelecidas as forças, Roque seguiu para Piacenza, onde a peste dizimava a população. Com uma abnegação, que lhe era particular, dedicou-se ao serviço de enfermeiro no hospital, sendo atingido também pelo horrível mal. Após um sono profundo, foi acometido duma febre violenta e atormentado por uma dor lancinante no lado esquerdo. Roque aceitou a doença, como uma graça especial divina. As dores, porém, chegaram a tal ponto, que o fizeram chorar e gritar, e muito tempo não se passou e Roque se viu em completo abandono. Para não ser molesto a ninguém, a custo se arrastou a um bosque próximo, onde havia uma choupana ao abandono. Aí se estabeleceu, até que a Deus prouvesse dar-lhe a saúde, sem que fosse preciso implorar a caridade humana. Todos os dias vinha um cão trazer-lhe um pão, que tirava da mesa do dono. Gottardo, — era o nome do dono do animal, trazido pela curiosidade, um dia seguiu os rastos do cão e assim veio a saber do paradeiro do Santo, cujas virtudes tanto o comoveram, que tomou a resolução de abandonar o mundo e viver na solidão.

Roque ficou algum tempo em companhia de Gottardo e, sentindo-se já bastante forte, voltou para sua terra. A França achava-se em guerra, e assim se explica que Roque, lá chegando, fosse tomado por espião. O próprio tio, que exercia o cargo de juiz, sem reconhecer o sobrinho, condenou-o à prisão. Roque aceitou essa humilhação, sem protesto algum e sofreu muitas injustiças, oferecendo-as a Deus pela salvação de sua alma. Cinco anos ficou detido no cárcere, sem que a autoridade dele se tivesse lembrado. Acometido de grave doença, no cárcere recebeu os santos Sacramentos e morreu em 1327, na idade de 32 anos apenas. Se teve morte humilde e desconhecida do mundo, Deus glorificou-o por muitos milagres. O corpo de São Roque foi, com grandes honras, sepultado em Montpellier e mais tarde trasladado para Veneza, onde os devotos lhe erigiram um templo. Assegura-se que, por intercessão de São Roque, muitas cidades foram poupadas da peste, entre elas Constança, na ocasião em que dentro dos muros se lhe reunia o grande Concílio, em 1414.

O povo católico vota muita confiança a São Roque e venera-o como poderoso padroeiro contra doenças epidêmicas.

Reflexões

Para alcançar a vida eterna é necessária a prática da virtude. Sem virtude ninguém agradará a Deus. Sem virtude não pode haver santidade. Em São Roque temos o modelo de homem virtuoso de fato. A virtude impõe-se a todos, como uma coisa nobre e apreciável, mas sua prática exige sacrifício, força de vontade, energia. Por este motivo a virtude é tão rara de encontrar-se neste mundo. Vontade de possuir a virtude talvez não falte, mas falta a força da execução. Muitos querem ser mansos, mas a primeira tentação da ira fá-los esquecer-se dos bons propósitos. Outros desejam ser caridosos, mas na hora de praticar a caridade, falta-lhes a coragem. Ser amável, enquanto tudo vai como se deseja, não é virtude; não custa mostrar-se grato a Deus, quando as coisas correm ao nosso contento; é fácil fazer penitência, quando as circunstâncias assim o exigem. De nada vale o desejo de um dia entrar na eterna felicidade, quando a vontade se não decide a empregar os meios necessários para obtê-la. As virtudes podem ser adquiridas só pela prática. Não esperemos que Deus no-las dê gratuitamente.

A Sagrada Escritura, referindo-se a esta verdade, diz: “Os desejos matam o preguiçoso, porque suas mãos não querem trabalhar” (Provérbios 21, 25).

Santos do Martirológio Romano, cuja memória é celebrada hoje:

A memória de São Joaquim, pai da Santíssima Virgem. Os santos Evangelhos nada dizem sobre os pais de Nossa Senhora. Da tradição da Igreja, porém, sabemos que eram São Joaquim e Santa Ana. São Joaquim, que era sacerdote, teria morrido na idade de 80 anos, quando Maria Santíssima era menina de 11 ou 12 anos. Até lá teria sido aluna do colégio do Templo de Jerusalém. Pela morte do pai, porém, teria se transferido para Nazaré, onde São José morava. Três anos depois teriam se realizado os esponsais com a restrição de ambos observar perfeita castidade, até que a vontade de Deus se revelasse claramente, como de fato se manifestou. Nada se sabe se São Joaquim morou em Nazaré, em Belém ou em Jerusalém. Há uma tradição, que afirma o nascimento de Nossa Senhora em Jerusalém. Assim se explicaria facilmente o oferecimento de Maria no templo, quando contava três anos e sua educação no colégio do Templo. O Protoevangelho de Tiago, atribuído ao Apóstolo São Tiago, o Menor, apresenta São Joaquim como pai de Maria Santíssima. A arte cristã mostra-o trazendo a menina Maria nos braços, ou tendo nas mãos um cestinho com 2 pombas. São Joaquim é padroeiro dos casados.

Notas
  1. PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-ii
16 de agosto — São Roque — Padre João Batista Lehmann