15 de setembro — Santa Catarina de Gênova, Viúva

15 de setembro — Santa Catarina de Gênova, Viúva
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Extraído de uma edição de 1935 do livro “Na Luz Perpétua — Leituras religiosas da Vida dos Santos de Deus, para todos os dias do ano, apresentadas ao povo cristão” 1

Da nobre família dos Fieschi nasceu em 1447 Catarina, que, como Santa da Igreja Católica, é conhecida pelo nome de Catarina de Gênova, que lhe foi dado por lhe ser Gênova a cidade de origem.

Quando tinha oito anos apenas, a menina já dava sinais bem claros de futura santidade. Contam os biógrafos que, ao ver a imagem do Crucificado, era tal seu amor a Deus, que seu único desejo parecia poder sofrer com Jesus.

Assim rejeitava o leito macio, substituindo-o por uma tábua, procurava sempre mortificar o corpo. Na idade de 13 anos manifestou o ardente desejo de ser religiosa, no que não foi atendida, por ser menina ainda. Dezesseis anos tinha Catarina, quando os pais a casaram com Juliano Adorno, jovem fidalgo, cuja vida em tudo contrastava com a de Catarina. O modo de tratá-la, já no dia do casamento, era um triste presságio para o futuro do casal. De maneiras grosseiras, destituído por completo de ideias nobres, Juliano procurava o bem-estar no jogo e nos prazeres. A antipatia tomada contra a esposa no dia do casamento, foi se transformando em ódio.

Catarina tudo fazia para abrandar o gênio do marido; nada, porém, conseguiu. Apoderou-se-lhe então do ânimo tamanha tristeza que, retraindo-se por completo da sociedade, não mais saía do aposento.

Cinco anos passou nesse retraimento, quando alguns amigos, interessados pelo seu estado de saúde, lhe recomendaram que saísse da solidão e procurasse o convívio da sociedade, que não se negasse a tomar parte em divertimentos lícitos. Catarina aceitou o conselho, por lhe parecer bom.

Outros cinco anos se passaram, no fim dos quais se sentiu tão enfastiada dos prazeres do mundo, que resolveu abandoná-lo por completo. Tamanho desânimo se lhe apoderou da alma, que não mais sabia para quem recorrer. Nessa quase desesperação procurou a irmã, Limbania, que era religiosa num convento. Esta a aconselhou a revelar ao confessor da comunidade o estado de sua alma.

Não foi sem grande sacrifício que Catarina se decidiu a ajoelhar-se aos pés do sacerdote. Mal, porém, se achava no confessionário, quando uma luz divina a iluminou de tal maneira que, no reconhecimento da bondade de Deus e da própria culpa, caiu por terra, exclamando: "Senhor, nada mais quero do mundo, nada mais do pecado! Basta de pecar, basta de pecar!"

Voltou para casa, com o propósito de preparar-se para uma boa confissão geral. Uma dor tão forte dos pecados apoderou-se-lhe então da alma, que receou seriamente não mais poder resistir. Parecia-lhe ver Jesus em frente, levando a pesada cruz, derramando copioso sangue e dizer-lhe: "Eis o meu sangue derramado por ti e pela extinção dos teus pecados".

Pode-se fazer ideia do que se passou no coração de Catarina. A uma especial intervenção da divina misericórdia deve-se atribuir o fato de não ter morrido de arrependimento e amor. "Oh, amor! — exclamava — oh, amor! Nada de pecado! Nada de pecado, oh, amor!"

Após um meticuloso exame de consciência, fez a confissão geral na véspera da festa da Anunciação de Nossa Senhora. No dia da festa recebeu a santa Comunhão e, desde então, desejava receber o mais vezes possível o santo Pão dos Anjos.

Não contente com a simples confissão dos pecados, e para satisfazer inteiramente a justiça divina, impôs a si própria grandes obras de penitência. Tinha por regra rejeitar alimentos gostosos. Durante vinte e três anos, nos grandes jejuns da Quaresma e do Advento, outra coisa não tomava senão água misturada com sal e vinagre.

A recepção cotidiana da santa Comunhão era a chave do enigma da conservação de sua vida durante esse tempo todo. Embora, por comunicação sobrenatural, tivesse certeza absoluta sobre o completo perdão dos seus pecados, não abandonou a prática das penitências.

A virtude da caridade era-lhe objeto predileto de cuidado. Frequentes eram as visitas que fazia a doentes e por último prestava serviços aos enfermos pobres nos hospitais. Para mortificar a sensibilidade, que a fazia recuar das feridas e úlceras dos doentes, obrigou-se ao ato heroico de beijá-las com toda a ternura.

Se tanta caridade dispensava ao bem material dos doentes, maior cuidado dava à parte espiritual das almas mortais. Com bons modos, palavras animadoras, conseguiu a conversão de muitas pessoas. Uma dessas conquistas foi a conversão do próprio marido. Gravemente doente e inacessível aos pedidos e conselhos da santa mulher, esta se dirigiu a Deus, pedindo a salvação do esposo, a qual foi completa e sincera. Catarina teve a satisfação de vê-lo morrer em paz com Deus.

Livre dos laços que a prendiam ao marido, redobrou os exercícios de virtude e de caridade em particular. No amor de Deus alcançou uma perfeição admirável, como em poucos Santos é observada. O fogo que lhe ardia na alma, comunicava-se ao corpo de tal modo, que não se lhe podia tocar nas mãos, que pareciam ferro em brasa. Em tais ocasiões é que, perdendo a respiração em consequência do fogo interno, exclamava aflita: "Oh, amor, não aguento mais isso!"

No último período da vida, Deus enviou-lhe doenças dolorosíssimas, recalcitrantes a qualquer intervenção médica. Era este o seu desejo: sofrer sem ter possibilidade de um alívio. Inquebrantáveis eram sua paciência e conformidade com a vontade de Deus.

As últimas palavras que disse, foram estas: "Em vossas mãos, Senhor, entrego a minha alma".

Catarina morreu em 15 de setembro de 1510, na idade de 63 anos, conservando-se-lhe o corpo intacto e é até hoje objeto de veneração dos fiéis. Clemente XII canonizou-a em 1737.

Reflexões

"Jesus esteja em teu coração, a eternidade em tua alma, o mundo aos teus pés e a vontade de Deus em tudo que fazes", foram palavras que Santa Catarina dirigiu a uma jovem postulante do Convento. É esta a expressão da verdadeira sabedoria: Jesus no coração. Nada de inveja, de ódio, de impureza, de ambição e vaidade. A eternidade na alma! É um mal de muitos homens, de nunca ou poucas vezes pensarem na eternidade. — O mundo aos pés. Assim devia ser, quando o contrário se observa. O mundo é que ocupa o coração, o cérebro de grande parte dos homens, do que resulta o esquecimento de Deus. — A vontade de Deus em todas as coisas. Quem tem amor a Deus, evita o quanto pode, o pecado, quer mortal, quer venial. Por isso é que os pecadores não são amigos de Deus. Em vez de lhe obedecer, desobedecem, contrariando a vontade de Deus, que é sua santificação.

Santos do Martirológio Romano, cuja memória é celebrada hoje:

A festa de Nossa Senhora das Dores, antes celebrada só na Ordem dos Servitas, desde 1814 é generalizada na Igreja Católica.

São Porfírio, antes de sua conversão, ator de profissão, que, para deliciar o Imperador e ridicularizar a religião cristã, de preferência representava cenas da liturgia católica, inesperadamente se sentiu tocado pela graça divina, justamente quando, em certa ocasião, tinha tomado por objeto de sua exibição o sacramento do Batismo. A profanação deu lugar à sua declaração de ter abandonado os erros do paganismo e abraçado a religião de Cristo. O Imperador Juliano deu ordem imediata para que ele fosse executado. 362.

No mesmo dia o martírio de São Nicetas. Godo de nascimento, foi condenado à morte pelo rei Atanarico, sem para isso existir outro motivo a não ser o da religião católica. 372.

Em Córdova os santos mártires Émila, diácono, e Jeremias. Morreram na perseguição dos árabes. 852.

Notas
  1. PDF desse livro disponível em: https://archive.org/details/pe-joao-baptista-lehmann-na-luz-perpetua-vol-ii